Foto de Alex Nascimento Alex Nascimento Publisher do OBemdito

Governo Federal anuncia medidas contra violência política após 10 mortes no Brasil

Governo Federal anuncia medidas contra violência política após 10 mortes no Brasil
Foto: Isaac Amorim (Ascom/MJSP)
Foto de Alex Nascimento
Publicado em 29 de outubro de 2026 às 11h45 - Modificado em 29 de outubro de 2026 às 11h45

O governo federal anunciou, nesta quarta-feira (28), medidas para prevenir e combater a violência política no Brasil. As ações respondem a ocorrências registradas após as eleições gerais de 2026. Entre sábado (24) e quarta-feira (28), foram contabilizados 45 casos, com 47 vítimas. Dez pessoas morreram, entre elas três indígenas.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) solicitou informações às corregedorias das polícias estaduais e do Distrito Federal sobre ocorrências que envolvem agentes das corporações. O levantamento considera os registros recebidos até quarta-feira. Segundo o ministério, uma nova atualização será divulgada nos próximos dias.

Leia também: Polícia Civil apura relatos de perseguição política contra empresas e pessoas em Umuarama

Paraná lidera registros de violência política

Os estados com maior número de ocorrências foram Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina, nessa ordem. O levantamento reúne casos de violência, ameaças e intimidações que podem estar relacionados ao contexto eleitoral.

Durante uma coletiva no Palácio da Justiça, em Brasília, o secretário-executivo do MJSP, Ademar Borges, explicou que o ministério recebe denúncias de diferentes órgãos e canais institucionais. A pasta também realiza pesquisas e apurações para reunir informações sobre os episódios.

“A Secretaria-Geral da Presidência tem uma interlocução direta e permanente com o Ministério da Justiça, que também tem recebido denúncias, espontaneamente, por meio da Secretaria Nacional de Acesso à Justiça, da Secretaria Nacional de Segurança Pública e da Secretaria de Direitos Digitais”, afirmou Borges.

“Além disso, o Ministério também realiza pesquisas e apurações a respeito desse conjunto de casos”, acrescentou o secretário-executivo.

Segundo Borges, as ocorrências podem envolver diferentes tipos de crimes. Parte dos casos corresponde a delitos eleitorais cometidos no dia da votação ou no período anterior. Outros envolvem violência política de gênero, cuja investigação compete à Polícia Federal, com atuação do Ministério Público Federal e da Justiça Federal.

Polícia Federal e Ministério Público devem atuar nas investigações

As medidas anunciadas pelo governo incluem a investigação de crimes pela Polícia Federal (PF). A Procuradoria-Geral da República (PGR) também atuará em conjunto com os Ministérios Públicos estaduais para orientar a condução dos casos relacionados à violência política.

A violência política em geral está prevista no artigo 359-P do Código Penal. Já a violência política contra a mulher está tipificada no artigo 326-B do Código Eleitoral. As autoridades devem considerar o enquadramento jurídico de cada ocorrência durante as investigações.

O secretário nacional de Segurança Pública do MJSP, Chico Lucas, afirmou que uma força-tarefa trabalha para garantir o encaminhamento adequado dos registros. Segundo ele, a atuação conjunta busca evitar que a divisão de responsabilidades entre instituições prejudique a apuração dos crimes.

“Há um esforço para consolidar todos os registros de violência com natureza política no contexto das instituições. A cartografia institucional brasileira é complexa. Então, nós temos trabalhado para que essa descentralização não contribua para enredar algum tipo de impunidade”, declarou.

Governo prevê proteção a indígenas e apuração de mortes

Chico Lucas também destacou a necessidade de proteger grupos vulneráveis, especialmente as comunidades indígenas. De acordo com o secretário, a Força Nacional e a Polícia Federal atuam na proteção dos territórios e na investigação dos homicídios registrados nesse contexto.

“O primeiro objetivo, do ponto de vista da segurança pública, é garantir a integridade de vários grupos. Dentre eles, um específico, que são os indígenas. Nesse contexto, temos tanto a Força Nacional quanto a Polícia Federal para garantir a proteção dos territórios e para investigar os homicídios”, afirmou.

O secretário também comentou as ocorrências que envolvem policiais. Ele disse que o governo acompanhará as investigações administrativas e criminais de casos em que agentes públicos são suspeitos de matar pessoas durante o período eleitoral.

“Nos deixa muito entristecidos. São pessoas que tinham a obrigação de garantir a festa da democracia para que as pessoas pudessem comemorar de maneira livre e aberta. Vamos acompanhar todos os trabalhos, tanto administrativos quanto os criminais, dos casos em que agentes do Estado, usando a farda, tenham tirado a vida de pessoas inocentes”, declarou.

Boulos diz que violência política não ficará impune

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou que a coordenação entre as instituições busca garantir respostas aos crimes. Ele também condenou as agressões registradas após as eleições, incluindo episódios contra mulheres, idosos e crianças.

“O Brasil acompanhou, perplexo, chocado, imagens de pessoas sendo agredidas e mortas. Inclusive, mulheres, pessoas idosas e crianças. Isso é inadmissível. As medidas que nós anunciamos respondem ao anseio e é ao sentimento da sociedade, que não tolera que alguém seja agredido, espancado ou morto por expressar sua posição política”, afirmou Boulos.

O ministro ressaltou que a violência motivada por posicionamentos políticos é incompatível com o regime democrático. “Isso não cabe na democracia. Isso é próprio de barbárie e não ficará impune”, concluiu.

Com informações: Secretaria de Comunicação Social

Participe do nosso grupo no WhatsApp e receba as notícias do OBemdito em primeira mão.