Foto de Rudson de Souza Rudson de Souza Publisher do OBemdito

EJA a distância cresce 341% no Paraná em dois anos, mas terá mudanças em 2027

EJA a distância cresce 341% no Paraná em dois anos, mas terá mudanças em 2027
Modalidade passou de 6,7 mil para quase 30 mil matrículas entre 2023 e 2025 (Foto AEN)
Foto de Rudson de Souza
Publicado em 27 de outubro de 2026 às 19h47 - Modificado em 27 de outubro de 2026 às 19h47

As matrículas na Educação de Jovens e Adultos (EJA) a distância da rede estadual do Paraná cresceram 341% entre 2023 e 2025, passando de 6.784 para 29.950 estudantes. Apesar da expansão, a modalidade terá mudanças a partir de 2027, quando o ensino a distância ficará restrito ao Ensino Médio. O Ensino Fundamental será ofertado exclusivamente de forma presencial, sem abertura de novas matrículas no formato remoto.

Os dados foram divulgados pela Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR). Em 2024, a modalidade registrou 25.890 matrículas. Já no primeiro semestre de 2026, foram contabilizadas 12.182. Segundo a secretaria, a redução em relação ao ano anterior está relacionada às mudanças nas diretrizes do Conselho Nacional de Educação (CNE).

A EJA a distância foi estruturada para ampliar as oportunidades de conclusão da educação básica entre pessoas que precisam conciliar os estudos com o trabalho, os compromissos familiares e as dificuldades de deslocamento. A proposta permite combinar atividades presenciais e conteúdos remotos, conforme a organização de cada etapa de ensino.

VEJA TAMBÉM: Veja quanto deverá custar o pedágio nas praças da PR-323, incluindo Umuarama

Exames on-line também oferecem certificação

Outra alternativa para quem deseja concluir os estudos são os Exames Estaduais de EJA On-line. Em 2026, a iniciativa registrou 25.657 aprovações, permitindo que os participantes obtenham a certificação após serem aprovados nas avaliações, sem precisar frequentar as aulas regulares da modalidade.

Segundo o secretário estadual da Educação, Roni Miranda, a ampliação das alternativas busca atender às diferentes realidades dos estudantes.

“Muitos jovens e adultos querem concluir os estudos, mas enfrentam dificuldades para frequentar a escola diariamente, seja pela jornada de trabalho, pelas responsabilidades familiares ou pelo deslocamento. Estamos ampliando as alternativas de ensino para que mais pessoas tenham a oportunidade de retomar sua formação”, afirmou.

A coordenadora pedagógica da EJA da Seed-PR, Miriam de Oliveira, destacou que a oferta precisa acompanhar as mudanças nas regras nacionais e as necessidades dos estudantes.

Segundo ela, o ensino a distância e os exames on-line ajudaram pessoas que trabalham a retomar os estudos e obter certificados do Ensino Fundamental e do Ensino Médio.

Como funciona a EJA a distância

Atualmente, a rede estadual oferece Educação de Jovens e Adultos em 142 instituições de ensino, além de 51 Centros Estaduais de Educação Básica para Jovens e Adultos (CEEBJA), distribuídos pelos 32 Núcleos Regionais de Educação.

No Ensino Médio a distância, metade da carga horária é cumprida presencialmente na escola, em três dias por semana. A outra metade ocorre remotamente, por meio da plataforma digital da Seed-PR.

Nos dois dias restantes, os estudantes podem participar de atividades facultativas de tutoria e revisão de conteúdos na instituição em que estão matriculados.

A modalidade é destinada a pessoas com 18 anos ou mais e tem duração prevista de um ano e meio. Para obter aprovação, é necessário cumprir frequência mínima de 75% e alcançar nota igual ou superior a 6,0.

Empreendedora voltou a estudar após 32 anos

A flexibilidade da EJA a distância foi determinante para a empreendedora Josiane Pereira da Mota, de 48 anos, retomar os estudos depois de passar 32 anos afastada da escola.

Ela teve o primeiro filho aos 15 anos e voltou a ser mãe aos 19. Na época, interrompeu a formação para cuidar dos filhos. Aos 46 anos, decidiu voltar a estudar, período em que também começou a empreender.

“Fiquei 32 anos fora da sala de aula porque fui mãe muito jovem e precisei me dedicar aos meus filhos. Escolher a EJA a distância foi a melhor decisão, porque consigo organizar meus horários, participar das aulas e dar conta dos outros compromissos”, contou.

Para conciliar a rotina escolar com o empreendimento, Josiane reserva períodos da semana para acompanhar os conteúdos e realizar as atividades propostas pelos professores.

Ela afirma que recuperar o ritmo de estudos foi um dos principais desafios depois de mais de três décadas longe da sala de aula. O apoio dos professores, segundo a estudante, tem sido importante para manter a motivação.

“Hoje entendo ainda mais a importância da educação e que não existe idade para voltar a estudar”, disse.

Acompanhamento ajuda estudantes a concluir a formação

Em Curitiba, o CEEBJA Barigui atende 237 estudantes nos períodos da manhã e da noite. Desse total, 169, o equivalente a 71%, estão distribuídos em quatro turmas da modalidade a distância.

O modelo combina atividades presenciais, conteúdos digitais e tutoria para esclarecer dúvidas, revisar assuntos e oferecer orientação pedagógica.

De acordo com o diretor da instituição, Natel Ferreira, os estudantes têm trajetórias diferentes e buscam concluir a educação básica para ampliar as oportunidades profissionais, ingressar em cursos técnicos ou superiores e realizar projetos pessoais.

O diretor também destacou que muitos alunos interromperam a escolarização para trabalhar ou cuidar da família e retornaram à escola anos depois.

Para ele, as experiências profissionais e os conhecimentos acumulados ao longo da vida devem ser considerados no processo de aprendizagem, junto ao acompanhamento pedagógico necessário para que os estudantes concluam a formação.

(Com informações da Agência Estadual de Notícias)

Participe do nosso grupo no WhatsApp e receba as notícias do OBemdito em primeira mão.

Foto de Rudson de Souza

Rudson de Souza

Jornalista formado pela Universidade Norte do Paraná (Unopar) e historiador pela Universidade Paranaense (Unipar), construiu sua trajetória entre o jornalismo impresso e o digital, com atuação em diferentes editorias e dedicação à reportagem, à investigação jornalística, à apuração rigorosa e ao relacionamento com fontes. Também possui especializações em Toolkit de IA para News, pela Google News Initiative, e em Storytelling e Técnicas de Apresentação: Conceitos Gerais de Comunicação, pela Fundação Getulio Vargas (FGV).