Whatsapp Image 2025 02 14 At 17.17.45 Luiz Fernando Publisher do OBemdito

Justiça de Umuarama ordena 2 prisões e 5 buscas em operações contra lavagem milionária

Policiais federais durante a Operação Fratres.
Foto: PF
OBemdito
Luiz Fernando - OBemdito
Publicado em 28 de setembro de 2026 às 10h16 - Modificado em 28 de setembro de 2026 às 10h19

Uma operação conjunta da Polícia Federal (PF) e da Receita Federal cumpre cinco mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva em Guaíra nesta segunda-feira (28). A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao tráfico internacional de drogas e armas e foi autorizada pela 1ª Vara Federal de Umuarama.

A ação foi divulgada pela Receita Federal como Operação Hermanos e pela Polícia Federal como Operação Fratres, que em ambos os casos significa “irmãos”. As informações divulgadas pelos dois órgãos tratam de uma investigação conjunta derivada da Operação Transloading e envolvendo movimentações financeiras superiores a R$ 89,7 milhões desde 2019.

Segundo a Receita, uma das empresas investigadas, a Hermanos Exportadora e Importadora de Alimentos Ltda., estava formalmente enquadrada como microempresa e possuía capital social declarado de apenas R$ 62 mil. Apesar disso, registrou movimentação bancária bruta de aproximadamente R$ 89,7 milhões entre 2019 e 2025.

Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio e sequestro de bens e ativos financeiros relacionados aos investigados. As medidas alcançam contas bancárias, imóveis residenciais e comerciais, veículos e embarcações.

Investigação aponta organização transnacional

As novas informações divulgadas pela Polícia Federal apontam que a investigação alcançou uma suposta organização criminosa transnacional ligada à lavagem de recursos provenientes do tráfico de drogas e armas.

Segundo a PF, o grupo investigado teria conexões entre Paraguai, Bolívia e o Nordeste brasileiro, além de ramificações na região de fronteira do Paraná.

A suspeita é de que fossem utilizadas empresas de fachada e também empresas em atividade para ocultar e dissimular a origem dos recursos. Os investigadores apontam ainda negócios simulados envolvendo imóveis e veículos, além de operações nos setores de transporte e logística.

As análises financeiras, patrimoniais e fiscais identificaram movimentações superiores a R$ 89,79 milhões, considerando créditos e débitos desde 2019. Conforme a investigação, empresas teriam sido utilizadas para dispersar os recursos e dificultar o rastreamento de sua origem.

Empresa tinha R$ 62 mil de capital declarado

A Receita Federal detalhou que uma das empresas investigadas estava formalmente enquadrada como microempresa, com capital social declarado de R$ 62 mil.

Entre 2019 e 2025, porém, a empresa teria registrado movimentação bancária bruta de aproximadamente R$ 89,7 milhões. Os investigadores consideraram o volume incompatível com a estrutura declarada.

Também foram identificadas expressivas operações em dinheiro vivo e intensa circulação de recursos entre pessoas físicas e jurídicas relacionadas.

Relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram diversas comunicações de operações consideradas suspeitas envolvendo a empresa. Posteriormente, medidas de quebra dos sigilos bancário e fiscal permitiram aprofundar as análises financeiras, patrimoniais e societárias.

Entre as práticas investigadas estão depósitos e saques em espécie de elevado volume, transferências fragmentadas, movimentações incompatíveis com a capacidade econômica declarada e utilização de contas para rápida entrada e saída de recursos.

Os investigadores apuram se essa estrutura foi utilizada para conferir aparência lícita a dinheiro proveniente de crimes como tráfico internacional de drogas, contrabando e descaminho.

Caso surgiu da Operação Transloading

A investigação teve origem em diligências decorrentes da Operação Transloading, que apurou uma estrutura logística responsável pelo transporte de drogas da região de fronteira para outras partes do Brasil.

Durante o aprofundamento das apurações, foram identificadas transferências realizadas por investigados relacionados à Transloading para contas da Hermanos Exportadora e Importadora de Alimentos. As movimentações e os relatórios do Coaf deram origem à investigação específica sobre possível lavagem de dinheiro.

Com o avanço das diligências, PF e Receita passaram a investigar não apenas a circulação dos recursos, mas também o patrimônio associado aos envolvidos.

As medidas determinadas pela Justiça Federal de Umuarama buscam restringir a disponibilidade de patrimônio possivelmente relacionado às atividades criminosas e assegurar eventual ressarcimento de danos e perda dos proveitos ilícitos em favor do Estado.

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