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Caneta emagrecedora vira risco grave sem endocrinologia, alerta médica Dra Carolina Ziliotto

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Publicado em 16 de setembro de 2026 às 20h36 - Modificado em 16 de setembro de 2026 às 20h36

A evolução da endocrinologia transformou a forma de tratar doenças metabólicas profundas, como a obesidade e o diabetes tipo 2. O surgimento das chamadas canetas emagrecedoras representou uma verdadeira revolução médica. No entanto, a banalização desses medicamentos acende um sinal vermelho entre os especialistas da área.

A médica endocrinologista Dra. Carolina Ziliotto atua em Umuarama, no Paraná. Ela adverte que um remédio seguro pode virar uma ameaça grave se usado de forma errada.

As pessoas buscam emagrecer a qualquer custo. Dessa forma, muitos pacientes pulam etapas e usam medicações sem prescrição médica. O resultado dessa imprudência é o aumento nas internações por complicações graves.

Entenda como funcionam as canetas no organismo

Atualmente, a medicina dispõe de duas grandes famílias desses fármacos. A primeira é a semaglutida, que simula o hormônio intestinal GLP-1. A segunda família conta com a tirzepatida, substância presente em medicações como o Mounjaro.

A tirzepatida atua de forma dupla no organismo humano. Ela estimula tanto o receptor GLP-1 quanto o receptor GIP. Por isso, o fármaco apresenta uma potência ainda maior na perda de peso.

Essas substâncias reduzem o apetite e desaceleram o esvaziamento do estômago. Consequentemente, o paciente sente saciedade com porções bem menores de alimento.

Além disso, ocorre uma expressiva queima de gordura abdominal e visceral. As indicações formais exigem um Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 30. Pacientes com IMC acima de 27 e comorbidades associadas também podem usar.

Recentemente, a indicação também passou a contemplar a gordura no fígado.

O risco da perda muscular e o efeito sanfona

O emagrecimento rápido demais esconde um grande perigo para o corpo. A perda acentuada de peso elimina gordura, mas também degrada a massa muscular.

Sem o devido cuidado alimentar, o paciente perde força nos braços e pernas. A falta de músculo desacelera o metabolismo de forma drástica.

A endocrinologia alerta que a musculatura é essencial para queimar calorias diariamente. Ao interromper o remédio, o corpo tende a recuperar o peso perdido.

Esse fenômeno ocorre por conta de uma adaptação biológica natural do organismo. A cada quilo perdido, o cérebro aumenta a fome e reduz o gasto de energia.

A perda rápida de peso também pode formar cálculos na vesícula. Essas pequenas pedras podem se deslocar e causar crises severas de pancreatite. Por isso, a dose do medicamento não deve ser elevada sem supervisão adequada.

A importância do protocolo multidisciplinar

Para alcançar o sucesso no tratamento, o medicamento isolado não basta. O acompanhamento exige uma reeducação alimentar com foco em proteínas. O consumo proteíco protege a estrutura muscular durante o processo de emagrecimento.

A prática de musculação é considerada indispensável por médicos especialistas. A atividade física de resistência estimula a síntese de massa magra. Do mesmo modo, a suplementação nutricional pode ser necessária para evitar carências de vitaminas.

A obesidade é reconhecida como uma doença crônica que não possui cura. Por essa razão, o tratamento exige estratégias contínuas e de longo prazo. Em muitos casos, a medicação necessita de doses de manutenção espaçadas.

Além da obesidade, a saúde hormonal abrange outros fatores fundamentais. A reposição hormonal, por exemplo, deve ser indicada apenas com critérios clínicos claros. Ela alivia sintomas da menopausa e da andropausa, mas jamais deve ser usada para fins estéticos.

A automedicação traz riscos gravíssimos para a saúde do coração e do fígado. Priorizar a musculação e a boa alimentação continua sendo a melhor escolha diária.

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