Setembro Azul: mãe relata desafios de criança de 4 anos com alopecia areata
Setembro é marcado pela campanha de conscientização sobre a alopecia areata, conhecida como Setembro Azul. A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre uma condição ainda pouco conhecida.
A alopecia areata, também chamada de “pelada”, é uma doença autoimune e inflamatória. Ela provoca a perda repentina de cabelos ou pelos em áreas arredondadas ou ovais do corpo.
Para a família de Levi Henrique Monteira da Silva, de 4 anos, a doença passou a fazer parte da rotina em maio. A descoberta ocorreu depois de uma queda significativa dos cabelos, percebida após um episódio de febre alta.
A mãe, Paloma Monteiro Dalava, conta que Levi teve febre durante dois dias na segunda semana de maio. Segundo ela, o menino também estava com H1N1 quando a família percebeu a queda dos cabelos.
“Foi um grande susto pra todos, pois nunca ouvimos falar do diagnóstico. Fiquei assustada com a notícia e chorei durante um mês inteiro. Tem sido um desafio até hoje”, relata Paloma.

Diagnóstico
A família levou Levi ao pediatra depois de perceber a mudança. A médica orientou os familiares a procurarem uma dermatologista, que confirmou a alopecia areata no dia 12 de maio.
O diagnóstico ocorreu rapidamente, apenas dois dias depois da percepção da queda significativa dos cabelos. Para Paloma, porém, a principal dificuldade foi lidar com a falta de informação sobre a doença.
“Não vemos pessoas com alopecia na rua, nem nas redes sociais. Então, quando descobrimos, ficamos totalmente perdidos, sem saber o que esperar”, afirma a mãe.
Atualmente, a alopecia impede o nascimento dos fios de Levi. O menino realiza tratamentos que buscam possibilitar o crescimento dos cabelos e precisa seguir cuidados específicos diariamente.
A ausência dos cabelos também exigiu mudanças na rotina da criança. Paloma afirma que a família trabalha para ajudá-lo a aceitar a própria aparência, especialmente porque Levi se lembra de quando tinha cabelos.
Compreender a própria condição
Quando os cabelos começaram a cair, Levi ainda não compreendia o que estava acontecendo. Aos 4 anos, ele passou a perceber gradualmente as mudanças provocadas pela alopecia areata.
A representatividade também ganhou espaço nesse processo. Paloma conta que o menino se reconhece em personagens que também não têm cabelos e demonstra alegria quando encontra essas referências.
“Para ele, a careca não incomoda e ele está tendo ciência da sua condição por agora”, conta a mãe.
No dia a dia, a família também precisa lidar com cuidados relacionados à condição. Levi usa medicamentos, creme para hidratar a pele e óculos devido à sensibilidade provocada pela ausência dos cílios.
Paloma afirma que também sente medo de que o filho sofra acidentes na cabeça ou enfrente situações de bullying. Por isso, a família procura fortalecer a autoestima e a aceitação da criança.
“Nós amamos ele do jeitinho que ele é”, afirma.
Preconceito veio de adultos, diz mãe
Na escola, segundo Paloma, a convivência de Levi com outras crianças tem sido tranquila. Ela afirma que os colegas da mesma idade costumam tratá-lo naturalmente e não fazem diferenciação por causa da aparência.
A situação muda, porém, diante de alguns adultos. Segundo a mãe, Levi já sofreu com piadas feitas por pessoas mais velhas, o que tornou o processo ainda mais difícil para a família.
“Ele sofreu preconceito com adultos que fazem piadinhas com ele. Tem sido desafiador encarar a realidade onde não existe empatia dos mais velhos”, relata Paloma.
Na escola, Levi recebe cuidados específicos durante atividades realizadas fora da sala. A professora precisa colocar os óculos e o boné no menino, embora ele não goste de usar os acessórios.
Alopecia areata não é contagiosa
Para Paloma, uma das principais necessidades da campanha é combater a falta de informação sobre a alopecia areata. Ela afirma que a condição ainda é confundida por algumas pessoas com câncer.
“Alopecia é confundida com câncer e está tudo bem tirar dúvidas. Ela não é contagiosa, é autoimune”, explica.
A mãe também pede cuidado com perguntas e comentários direcionados às pessoas que convivem com a doença. Para ela, comparações e questionamentos invasivos podem afetar a autoestima de quem enfrenta a condição.
“Não é só um cabelo. Envolve autoestima e aceitação”, afirma Paloma.
Setembro Azul busca ampliar conscientização
Para a família, o Setembro Azul representa conscientização, inclusão e acolhimento. Paloma considera importante falar sobre alopecia areata para levar informação e combater situações de preconceito.
“É importante falar sobre alopecia areata para levar informação, combater o preconceito e mostrar que cada pessoa é muito mais do que sua aparência”, diz.
A mãe também deixa uma mensagem para outras famílias que enfrentam uma situação semelhante. Ela recomenda paciência, acolhimento e busca por acompanhamento profissional.
Paloma também considera importante incentivar a inclusão social. Para ela, esse apoio pode ajudar a pessoa diagnosticada a se sentir aceita, representada e acolhida.
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Mãe projeta futuro de Levi
Ao falar sobre o futuro do filho, Paloma espera que Levi cresça compreendendo que a alopecia areata não define sua identidade. Ela também deseja que a condição não limite seus sonhos ou possibilidades.
A mãe quer que o menino se torne um exemplo de força, coragem e superação. Ela espera que Levi aprenda desde cedo a enfrentar o bullying e não permita que julgamentos definam seu valor.
“Quero que ele saiba que sua aparência não determina sua capacidade, sua personalidade, seus sonhos ou o amor que ele tem para oferecer”, afirma.
Para Paloma, o filho não deve ser lembrado apenas pela alopecia areata. Ela espera que sua história seja reconhecida pela coragem diante dos desafios e pelo impacto positivo causado nas pessoas ao seu redor.
“Que ele não seja lembrado apenas pela alopecia, mas pela coragem com que enfrentou cada desafio e pelo impacto positivo que deixou na vida de todos que tiveram a oportunidade de conhecer sua história.”
Para Paloma, falar sobre Levi é também uma forma de transformar uma experiência difícil em informação para outras famílias. O diagnóstico mudou a rotina, mas não diminuiu os sonhos que ela tem para o filho.
Enquanto Levi cresce e aprende a compreender sua própria história, a família segue ao lado dele, reforçando a importância da aceitação e do acolhimento. A expectativa é que ele seja reconhecido não pela alopecia, mas pela criança que é, pelos sonhos que terá e pela coragem para enfrentar cada desafio.
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