Filho de Nunes Marques acumulou R$ 27,7 milhões em dois anos de advocacia
O advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques, acumulou R$ 27,7 milhões aplicados em fundos de investimento em pouco mais de dois anos de atuação profissional.
As informações constam em documentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) enviados à CPI do Crime Organizado do Senado e obtidos pela Folha de S.Paulo.
Os registros mostram que, em 2025, Kevin possuía aproximadamente R$ 5 milhões aplicados em um fundo de renda fixa do Banco do Brasil. Até o fim daquele ano, o montante havia aumentado para R$ 5,3 milhões em razão da valorização das cotas.
No mesmo período, foi realizada uma nova aplicação de R$ 22,4 milhões em outro fundo da mesma instituição financeira, elevando o total investido para R$ 27,7 milhões.
A reportagem ressalta que os documentos financeiros não apontam irregularidades relacionadas às aplicações ou ao patrimônio do advogado.
Aos 25 anos, Kevin foi aprovado no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em fevereiro de 2024 e abriu seu escritório de advocacia seis meses depois. Desde então, passou a representar empresas de grande porte, entre elas a Refit e o Grupo Petrópolis.
Em resposta à reportagem, a assessoria do advogado afirmou que todos os recursos estão regularmente declarados à Receita Federal, tanto na pessoa física quanto na jurídica.
“Importante ressaltar que o advogado Kevin Marques não advoga no STF.”
O escritório, no entanto, não informou a origem dos recursos aplicados nem revelou quem são seus clientes além daqueles já identificados em processos públicos.
Segundo levantamento da reportagem, Kevin figura como advogado em cerca de 30 ações cadastradas na plataforma Escavador.
A maior parte dos processos tramita no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), onde Kassio Nunes Marques atuou como desembargador antes de assumir uma cadeira no STF, além do Tribunal de Justiça do Piauí. Também há registros de atuação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e em tribunais estaduais.
Entre os clientes está a Refit, responsável pela Refinaria de Manguinhos. Após ingressar em um processo no TRF-1, Kevin obteve uma decisão liminar suspendendo a interdição da refinaria determinada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).
O proprietário da empresa, Ricardo Magro, é apontado pela reportagem como o maior devedor tributário do país, integra a lista de difusão vermelha da Interpol e é investigado pela Polícia Federal por suspeitas de fraudes fiscais. A empresa informou que não comentaria o assunto.
Kevin também representa o Grupo Petrópolis em processo que tramita no TRF-1. A companhia não respondeu aos questionamentos da reportagem. Sua tia, Karine, irmã de Kassio Nunes Marques, também já atuou como advogada da empresa em outra ação.
Outro ponto abordado pela reportagem envolve a Consult Inteligência Tributária, empresa para a qual Kevin prestou serviços jurídicos. Entre agosto de 2024 e julho de 2025, a consultoria recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master e R$ 11,3 milhões da JBS.
No mesmo período, relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) registrou transferências de R$ 281,6 mil da Consult para o advogado.
Kevin afirmou que os valores recebidos correspondem à prestação de serviços de assessoria jurídica. Anteriormente, a Consult declarou que prestou serviços de auditoria e consultoria tributária aos clientes.
A JBS informou que contratou a empresa para serviços técnicos de consultoria e auditoria fiscal, acrescentando que não possui qualquer relação com terceiros eventualmente contratados pela consultoria.
O Banco Master não respondeu aos pedidos de manifestação encaminhados pela reportagem.
A divulgação dos dados ocorre em meio ao debate sobre a atuação profissional de familiares de ministros dos tribunais superiores.
A discussão ganhou força após a revelação de pagamentos milionários recebidos pela advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, em contrato firmado com o Banco Master. Segundo a reportagem, há quase 2 mil processos no STF e no STJ envolvendo parentes de ministros das duas cortes.
(Com informações da Folha Press)





