Rudson de Souza Publisher do OBemdito

Polícia Federal mira banco ligado a Edir Macedo e apura fraudes no sistema financeiro

Investigação da Polícia Federal apura suspeitas de irregularidades financeiras e contábeis envolvendo o banco Digimais (Foto Universal.org)
Polícia Federal mira banco ligado a Edir Macedo e apura fraudes no sistema financeiro
Rudson de Souza - OBemdito
Publicado em 23 de junho de 2026 às 11h12 - Modificado em 23 de junho de 2026 às 21h31

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Miragem para investigar supostas fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional. Ao todo, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça Federal em São Paulo.

Além das diligências, a decisão judicial prevê o bloqueio de bens de até R$ 670 milhões e a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.

Segundo a PF, o foco da apuração é um suposto esquema envolvendo o Digimais, instituição financeira controlada pelo bispo Edir Macedo. Os investigadores suspeitam que demonstrativos contábeis e registros financeiros tenham sido manipulados para ocultar a situação econômica real do banco perante órgãos de fiscalização e controle.

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De acordo com a corporação, a suposta estratégia teria permitido a realização de operações consideradas irregulares. Entre os delitos investigados estão gestão fraudulenta, inserção de informações falsas em demonstrativos contábeis e concessão de operações de crédito vedadas pela legislação.

A entrada de Macedo no setor bancário ocorreu em 2020, com a aquisição do antigo Banco Renner. Após a compra, a instituição passou a se chamar Digimais e transferiu sua sede do Rio Grande do Sul para São Paulo.

Nos últimos anos, o banco enfrentou dificuldades financeiras e passou por sucessivos aportes e tentativas de venda. Em abril deste ano, o BTG Pactual firmou um acordo de intenção de compra da instituição. Procurado, o banco informou que não comentaria o assunto.

Na véspera da operação, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou e retirou a avaliação do Digimais. A justificativa apresentada foi a falta de informações atualizadas e as incertezas relacionadas ao processo de venda da instituição, além de disputas judiciais envolvendo ativos originados pelo Banco Master.

Outro ponto que chamou a atenção do mercado foi a destinação de R$ 3 bilhões para fundos de investimento cujas demonstrações financeiras não puderam ser auditadas por ausência de documentação. O valor corresponde a 73% dos recursos aplicados pelo banco nessa categoria de ativos, conforme ressalva apresentada pela auditoria Clifton Larson Allen Brasil no balanço referente ao segundo semestre de 2025.

A mesma auditoria apontou ainda que o Digimais adquiriu R$ 357,6 milhões em cotas de fundos de participação recém-criados, que alcançaram valorização de 178% em poucos meses. Segundo o balanço, essas aplicações passaram a valer R$ 997,5 milhões até dezembro daquele ano.

O ganho contábil gerado pelas operações foi estimado em R$ 639,8 milhões no semestre. No entanto, a auditoria destacou que não foi possível avaliar a razoabilidade dos valores nem eventuais ajustes necessários, uma vez que os fundos ainda não possuíam demonstrações financeiras auditadas no período analisado.

Até a publicação desta reportagem, Edir Macedo não havia se manifestado sobre a operação. O Digimais também não respondeu aos pedidos de posicionamento.

(Com informações da Folha Press)

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