Quatro execuções, 22 bunkers e nove meses: o longo rastro do caso Icaraíma
Nove meses depois, o caso de Icaraíma continua aberto, sem prisões e cercado por um volume de informações que ainda desafia as autoridades.
O desaparecimento de quatro homens, registrado em 5 de agosto de 2025, evoluiu para uma investigação que revelou execução múltipla, ocultação de cadáveres e indícios de uma estrutura criminosa organizada em área rural. Mesmo com o avanço das apurações, os principais suspeitos seguem foragidos.
As vítimas foram Alencar Gonçalves de Souza Giron, morador de Icaraíma, e os paulistas Diego Henrique Affonso, Rafael Juliano Marascalchi e Robishley Hirnani de Oliveira. Eles estiveram em Icaraíma para tratar de uma cobrança ligada a um desacordo comercial envolvendo uma propriedade rural, que é o ponto de partida de toda a investigação.
Disputa e emboscada
De acordo com a Polícia Civil, o crime teve origem em um conflito financeiro envolvendo um sítio avaliado em cerca de R$ 750 mil. Alencar Gonçalves de Souza Giron havia adquirido o imóvel de Antônio Buscariollo, com pagamento parcial à vista e o restante condicionado a financiamento bancário, que não se concretizou.

O distrato previa devolução parcelada, mas o atraso motivou a cobrança. Para isso, Alencar contou com o apoio de um homem conhecido por atuar nesse tipo de negociação, que levou outros dois acompanhantes do interior paulista. No dia 5 de agosto, o grupo retornou à propriedade rural. Foi o último contato.
Execução e ocultação
Laudos periciais apontam que os quatro homens foram executados por volta das 12h30, com disparos de diferentes calibres, incluindo munições de uso restrito. A dinâmica indica ação coordenada e participação de múltiplos atiradores.
A caminhonete Fiat Toro utilizada pelas vítimas foi localizada semanas depois, enterrada em uma estrutura subterrânea. No veículo, havia marcas de tiros, vestígios de sangue e objetos pessoais.
Os corpos foram encontrados apenas 45 dias após o crime, enterrados em outra área da fazenda, já em avançado estado de decomposição.
Durante as buscas, os investigadores identificaram 22 estruturas subterrâneas no local, entre bunkers e esconderijos improvisados, o que ampliou a dimensão do caso e levantou suspeitas sobre atividades ilícitas na região.

Investigação segue com prioridade
Em entrevista ao OBemdito nesta segunda-feira (4), o delegado da Polícia Civil do Paraná responsável pelo caso, Thiago Andrade Inácio, afirmou que as investigações continuam avançando, com foco na análise técnica do material reunido ao longo dos últimos meses.
“As investigações estão avançando. Com o vasto material que nós conseguimos angariar em todo esse tempo, está sendo analisado por equipes de analistas para dar um direcionamento de como foi toda a ação criminosa”, afirmou.
Segundo ele, o trabalho também busca identificar o paradeiro dos principais suspeitos, Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo, que seguem foragidos.
O delegado revelou ainda que diligências foram realizadas fora do Estado.
“Fizemos uma operação em São Paulo, juntamente com os órgãos de segurança de lá, e conseguimos apreender três aparelhos celulares. Todos os dados estão sendo analisados pela equipe da Polícia Civil.”
De acordo com ele, o caso segue como prioridade absoluta das forças de segurança.

“A Polícia Civil, junto com toda a Secretaria de Segurança Pública, dá prioridade total a esse caso. E não vamos descansar enquanto não capturar os foragidos.”
Sem localização dos suspeitos
Apesar dos esforços, a localização dos investigados ainda é desconhecida.
“A prisão deles depende de vários fatores. Nós não sabemos a localização. Todas as informações que chegam são checadas, mas até o momento não tivemos êxito”, disse o delegado.
Nove meses sem desfecho
Passados nove meses, o caso de Icaraíma permanece sem um ponto final. A investigação segue sob sigilo, sustentada por um grande volume de provas que ainda está em análise. Enquanto isso, a ausência de prisões mantém o caso em aberto e reforça a pressão por respostas.
Para as autoridades, o trabalho continua. Para as famílias, a espera também.






