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Câmara de Cianorte cassa mandato de vereador acusado de produzir suplementos falsos

Câmara de Cianorte cassa mandato de vereador acusado de produzir suplementos falsos
O vereador Rafael dos Santos Araújo (PL), antes da sessão que cassou seu mandato de vereador em Cianorte (Foto: Programa 190/Tv Cinturão Verde)
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Publicado em 24 de abril de 2026 às 19h42 - Modificado em 24 de abril de 2026 às 19h47

A Câmara Municipal de Cianorte decidiu nesta sexta-feira (24) pela cassação do mandato do vereador Rafael dos Santos Araújo (PL). A decisão foi tomada por unanimidade, com nove votos favoráveis, durante sessão realizada no plenário da Casa, aberta ao público. Com a perda do mandato, o parlamentar fica inelegível por oito anos, conforme prevê a legislação vigente.

O caso tem origem na Operação Fake Fitness, conduzida pela Polícia Civil do Paraná. A primeira prisão ocorreu em outubro de 2025, quando Rafael Araújo e seu irmão foram detidos em flagrante por suspeita de produção e venda clandestina de suplementos. Os dois foram liberados no dia seguinte, após audiência de custódia.

Em dezembro, o vereador voltou a ser preso de forma preventiva e, outra vez, conseguiu a liberdade. De acordo com a Polícia Civil, Rafael Araújo continuou praticando o crime. Os produtos vendidos por ele como naturais, na verdade, continham substâncias de uso controlado, a exemplo de fluoxetina e tadalafila, sibutramina e altas doses de cafeína.

A denúncia formal foi protocolada em 4 de dezembro de 2025. Na primeira sessão ordinária de fevereiro de 2026, os vereadores analisaram o documento e autorizaram a abertura do processo. O pedido foi assinado por João Liberati Junior e Wilson Luiz Peres Pedrão, e o caso tramitou sob o Processo Administrativo nº 160/2025-CMC.

Araújo sempre negou as acusações e mantêm a versão de que é vítima de uma perseguição política. Eleitores dele foram ao plenário da Câmara, com cartazes de apoio.

Eleitores de Rafael dos Santos Araújo com cartazes de apoio ao vereador cassado (Foto: Programa 190/Tv Cinturão Verde)

Tramitação do processo

Após a aprovação da abertura do processo, foi formada uma comissão processante por sorteio, composta pelos vereadores Beto Nabhan (PP), Robson Fagundes (Republicanos) e Rodrigo Rezende (PSD). Robson Fagundes assumiu a presidência da comissão e Rodrigo Rezende ficou responsável pela relatoria.

O grupo conduziu a apuração interna que culminou no julgamento em plenário. Os vereadores avaliaram o relatório e os argumentos apresentados antes de votar pela perda do mandato. A sessão foi convocada pelo presidente em exercício, Afonso Sergio Lima.

Contexto político em Cianorte

A cassação de Rafael Araújo ocorre em meio a um período turbulento para o Legislativo municipal. A Câmara também analisa um pedido de cassação contra o vereador Victor Hugo Davanço, alvo de prisão na Operação Big Fish, investigação que apura esquema de lavagem de dinheiro e exploração de jogos ilegais. O pedido foi protocolado em 9 de abril de 2026.

Operação Big Fish

Deflagrada nos dias 7 e 8 de abril pelo Ministério Público e pela Polícia Civil do Paraná, a Operação Big Fish teve como alvo uma organização criminosa voltada à exploração de jogos de azar, com base em Cianorte. 

Considerado um dos maiores esquemas do tipo no Paraná e possivelmente no país, o grupo se destacava pelo alto grau de sofisticação, uso intensivo de tecnologia e ampla atuação territorial. 

As investigações tiveram início em março de 2023, a partir da apreensão de seis máquinas de apostas, e ao longo de três anos revelaram um verdadeiro conglomerado criminoso dedicado à lavagem de dinheiro e à exploração do jogo do bicho e de apostas online ilegais.

A operação resultou no bloqueio de aproximadamente R$ 1,5 bilhão em contas bancárias, além da apreensão de 132 veículos, 111 imóveis e mais de 100 cabeças de gado. Vinte e um sites de apostas ilegais também foram retirados do ar. 

Entre os presos estão figuras do poder público: o presidente da Câmara de Cianorte, Victor Hugo Davanço (Podemos), apontado como integrante do núcleo financeiro da organização, e o vice-presidente da Câmara de Goioerê, Marcelo Gaúcho (PSD), com envolvimento mais direto na exploração dos jogos ilegais. 

A ação foi realizada simultaneamente em diversas cidades do Paraná e em outros estados, mobilizando mais de 330 policiais civis e três aeronaves.

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Leonardo Revesso

Graduado em Direito pela Unipar, mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e especializando em Neurociência do Consumo pela ESPM. Tutor da Olívia, da Ludi e da Mila. Está no jornalismo há 27 anos (iniciou aos 15). No OBemdito escreve sobre política e consumo.