Umuarama

Mesmo após investimento milionário, Lago Aratimbó volta a enfrentar acúmulo de lixo

As fortes chuvas que atingiram Umuarama nos últimos dias deixaram o Lago Aratimbó, um dos principais cartões-postais da cidade, tomado pelo lixo. O cenário, que deveria refletir tranquilidade e beleza, virou um retrato de desolação: garrafas plásticas, isopor, embalagens e até brinquedos velhos flutuam sobre a água turva.

Visitantes relatam que, diante da situação, passaram a alimentar os animais nas margens. “Eles não conseguem entrar na água. É triste ver o lago assim. Estamos alimentando os animais com quirela”, contou uma moradora.

A enxurrada arrastou resíduos das ruas e das galerias pluviais até o lago, formando uma espessa camada de detritos. O material poluente, ao que tudo indica, vem de áreas vizinhas ou é carregado pelos esgotos, deixando um dos principais pontos turísticos da cidade com aspecto lamentável.

Ecobarreira reinstalada

Em dezembro de 2024, a Prefeitura de Umuarama rebaixou o nível da água para retirar o lixo acumulado e restaurou a ecobarreira, estrutura flutuante que cruza o lago e serve para conter o acúmulo de resíduos sólidos.

O equipamento havia sido removido para manutenção após sofrer atos de vandalismo, mas o problema do acúmulo de lixo, causado principalmente pelo descarte incorreto da população, é recorrente.

O município também mantém, desde 2024, o Projeto Piloto de Reestruturação Ambiental do Lago Aratimbó, que prevê o reflorestamento das margens, o monitoramento da qualidade da água e o repovoamento com espécies nativas de peixes, como piauçu, curimba e lambari.

A iniciativa conta com o apoio do Instituto Água e Terra (IAT) e incluiu a soltura de 12 mil alevinos no início do projeto. Mesmo assim, o lago segue enfrentando problemas estruturais, principalmente após períodos de chuva intensa.

Outro desafio é o assoreamento, provocado por construções irregulares ao longo do Córrego Figueira, que abastece o lago e compromete sua profundidade e a qualidade da água.

Nos últimos anos, o Lago Aratimbó passou por cinco desassoreamentos, o mais recente, concluído em 2022, que removeram centenas de caminhões de areia e sedimentos, mas sem resultados duradouros.

Investimentos na revitalização

Obras de revitalização foram realizadas no lago durante gestões anteriores. Em 2015, na administração do ex-prefeito Moacir Silva, foram investidos cerca de R$ 902,9 mil no reforço da infraestrutura do lago, incluindo a reforma das pistas, construção de pontes, instalação de uma Academia da Terceira Idade (ATI) e reforma dos banheiros.

Em 2017, já na gestão do ex-prefeito Celso Pozzobom, foi realizada uma nova obra de desassoreamento e serviços de limpeza e manutenção de pontes, com investimento de aproximadamente R$ 400 mil dos cofres públicos.

Apesar de todos os investimentos, uma audiência pública digital, realizada em 2021, mencionou o valor de R$ 8 milhões como necessário para eliminar definitivamente a poluição e o assoreamento do lago, recursos que deveriam vir da Sanepar.

“A rede de galerias vai captar as águas pluviais que descarregam no lago e direcionar o fluxo para o Córrego Figueira, do lado de baixo da Avenida Paraná”, explicou, à época, o secretário de Obras, Isamu Oshima.

Descarte irregular

A colaboração da população é essencial. A ecobarreira e as ações preventivas ajudam, mas o problema começa no descarte incorreto de lixo nas ruas.

De acordo com a Prefeitura de Umuarama, apesar do monitoramento constante, sempre que há grande volume de chuva ocorre o represamento de resíduos no lago, vindos das galerias pluviais e da mata que margeia as nascentes.

“A maior parte dos resíduos que chegam ao lago é descartada de forma irregular pela própria população, que joga o lixo nas ruas e calçadas. A Prefeitura recolhe uma parte com a coleta diária, mas parte acaba parando nos bueiros e galerias pluviais”, informou a administração municipal.

No momento, não há previsão de novos investimentos em desassoreamento. A limpeza e a manutenção seguem sendo feitas pela Secretaria Municipal de Serviços Públicos, conforme a necessidade.

Quanto à alimentação dos patos, a Prefeitura informou que a prática não é recomendada. “Aves e animais precisam subsistir por si mesmos, conforme os instintos de cada espécie.”

Ainda segundo o município, sempre que houver chuvas torrenciais haverá acúmulo de lixo, e a limpeza será realizada.

Há estudos para o desvio das galerias que desembocam no lago, mas, por exigir alto investimento, o projeto depende da obtenção de recursos externos.

Alex Nascimento

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