Política

Câmara aprova urgência da anistia e impõe derrota a Lula

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (17), o regime de urgência para um projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. A medida representa uma derrota para o governo Lula (PT) e abre caminho para novas disputas políticas.

Foram 311 votos favoráveis, 163 contrários e 7 abstenções. O apoio veio principalmente de partidos do centrão, que buscam manter influência no processo. Eram necessários 257 votos. A aprovação não define ainda o mérito da proposta. O texto final será discutido no plenário, sem passar por comissões. O relator será escolhido nos próximos dias.

Nos bastidores, há divergências. O PL e setores bolsonaristas defendem uma anistia ampla, que incluiria o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Líderes do centrão, contudo, articulam redução de penas como saída negociada com o STF e o Planalto.

Segundo aliados de Lula, a aprovação da anistia seria vista como vitória para Bolsonaro e até para Donald Trump, que recentemente criticou o julgamento do ex-presidente no Supremo.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que o país precisa de “pacificação”. Segundo ele, cabe ao plenário decidir diante de interesses divergentes. “Um presidente da Câmara não pode impor verdades absolutas”, declarou.

Deputados da esquerda reagiram com críticas. O líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), afirmou que quem votou pela urgência se tornou “cúmplice de um golpe continuado”. Parlamentares de esquerda entoaram o coro “sem anistia”.

Bolsonaristas, por outro lado, comemoraram. O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), agradeceu a “retidão” de Motta e acusou a esquerda de perseguição política.

Uma pesquisa do Datafolha divulgada em 9 de setembro mostrou que 54% dos brasileiros rejeitam a anistia a Bolsonaro. Apenas 39% apoiam a medida. O projeto original, de autoria do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), prevê anistia para todos que participaram ou apoiaram manifestações políticas desde outubro de 2022.

O centrão, no entanto, avalia que uma proposta tão ampla dificilmente passaria no Senado ou no STF. Por isso, trabalha em um texto alternativo, que reduza penas sem extinguir as condenações.

Leia também: Cida Borghetti é oficializada como pré-candidata ao governo do Paraná em 2026

Rodrigo Mello

Formado em Jornalismo pelo Centro Universitário de Pato Branco (Unidep), tem especialização em Docência e Gestão do Ensino Superior pela Universidade Paranaense (Unipar). Com 23 anos de experiência, trabalhou em portais de notícia, assessoria de imprensa, TV e rádio. Foi assessor parlamentar na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e secretário municipal de Comunicação entre os anos de 2010 e 2013. Atualmente, é jornalista no portal OBemdito, onde escreve sobre política, educação, saúde, cidadania e segurança pública.

Recent Posts

Veja as 20 cidades do Paraná onde Lula teve mais votos no segundo turno

Presidente recebeu 19.345 votos em Umuarama e ficou atrás de Flávio Bolsonaro; Curitiba, Londrina e…

20 minutos ago

Dois adolescentes de 17 anos morrem em acidente na PR-576 em Tapira

Vítimas foram ejetadas de um VW Gol após o veículo perder o controle e bater…

30 minutos ago

Veja onde Lula ganhou votos para ampliar vantagem e virar eleição contra Flávio Bolsonaro

Presidente reverteu derrota em Minas Gerais, avançou em estados vencidos pelo adversário e ampliou vantagem…

42 minutos ago

Mais de 70% dos eleitores de Umuarama votam em Flávio Bolsonaro

O candidato Flávio Bolsonaro (PL) venceu a disputa presencial na 89ª Zona Eleitoral no município…

9 horas ago

Apoiadores de Lula comemoram vitória com carreata e ato na Miguel Rossafa, em Umuarama; vídeo

A Praça Miguel Rossafa, em Umuarama, foi ponto de encontro de apoiadores de Luiz Inácio…

10 horas ago

Polícia Militar flagra 4 motociclistas cometendo infrações e sem CNH na região

A Polícia Militar (PM) flagrou quatro motociclistas cometendo infrações de trânsito e dirigindo sem a…

10 horas ago

Este site utiliza cookies

Saiba mais