Brasil

‘Ainda Estou Aqui’ conquista Oscar para o Brasil; veja histórico do país na premiação

O cinema brasileiro conquistou um marco histórico na noite deste domingo (3), durante a 97ª edição do Oscar, realizada em Los Angeles, nos Estados Unidos. “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, venceu na categoria de Melhor Filme Internacional, tornando-se a primeira produção brasileira a levar oficialmente a estatueta.

O longa superou concorrentes de peso como “A Semente do Fruto Sagrado” (Alemanha), “A Garota da Agulha” (Dinamarca), “Flow” (Letônia) e “Emilia Pérez” (França). Apesar da vitória inédita, a trajetória do Brasil no Oscar começou há décadas, com diversas indicações e uma vitória não oficial.

Em 1960, “Orfeu Negro”, uma coprodução entre Itália, França e Brasil, foi laureado com o Oscar de Melhor Filme Internacional. Filmado no Brasil e com elenco majoritariamente brasileiro, o longa, no entanto, teve o prêmio atribuído à França. Contudo, três anos depois, “O Pagador de Promessas” (1962), dirigido por Anselmo Duarte, tornou-se a primeira produção oficialmente brasileira a disputar a mesma categoria.

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Primeiras indicações ao Oscar

O Brasil voltou à premiação em 1979 com “Raoni”, documentário sobre a vida do líder indígena Raoni Metuktire. Assim como, em 1982, “El Salvador: Another Vietnam”, dirigido por Tetê Vasconcellos, também recebeu indicação ao Oscar de melhor documentário.

A consagração veio em 1986, quando “O Beijo da Mulher-Aranha”, dirigido pelo argentino naturalizado brasileiro Héctor Babenco, conquistou quatro indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (William Hurt) e Melhor Roteiro Adaptado. A performance de Hurt garantiu a primeira estatueta a um protagonista de um filme falado em português, porém ela não veio para o Brasil.

Ainda nos anos 1990, Luciana Arrighi, brasileira naturalizada britânica, venceu o Oscar de Melhor Direção de Arte em 1993 pelo filme “Retorno a Howards End”. Embora tenha feito carreira no exterior, sua vitória foi mais um momento em que o Brasil esteve próximo do reconhecimento na premiação.

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Anos 1990: Sucessivas indicações ao Oscar

A década de 1990 ficou marcada por uma sequência de indicações brasileiras na categoria de Melhor Filme Internacional. “O Quatrilho” (1996), “O Que É Isso, Companheiro?” (1998) e “Central do Brasil” (1999) representaram o país. Este último destacou-se ainda mais ao render a histórica indicação de Fernanda Montenegro ao prêmio de Melhor Atriz. Ela se tornou a primeira latino-americana a disputar a estatueta nessa categoria.

No início dos anos 2000, a presença brasileira se ampliou. “Uma História de Futebol” chegou ao Oscar de Melhor Curta-Metragem em Live-action. Em 2004, “Cidade de Deus”, preterido na categoria de Melhor Filme Internacional, entretanto, surpreendeu com quatro indicações: Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Edição.

O nome de Walter Salles voltou a brilhar nesse período com “Diários de Motocicleta” (2004), que, apesar de ser uma coprodução latino-americana, concorreu a duas categorias e reforçou o impacto do diretor brasileiro na indústria cinematográfica.

O avanço dos documentários

Nos anos seguintes, documentários nacionais começaram a se destacar no Oscar. “Lixo Extraordinário” (2010), sobre o trabalho do artista plástico Vik Muniz, assim como, “O Sal da Terra” (2015), focado na trajetória do fotógrafo Sebastião Salgado, foram indicados na categoria de Melhor Documentário.

Em 2016, “O Menino e o Mundo”, de Alê Abreu, recebeu uma indicação ao prêmio de Melhor Filme de Animação, tornando-se a primeira produção nacional a competir na categoria. No mesmo gênero, Carlos Saldanha, brasileiro responsável por sucessos como “A Era do Gelo” e “Rio”, teve quatro longas-metragens indicados à premiação, ampliando a relevância do Brasil na animação mundial.

Os anos mais recentes

Em 2020, “Democracia em Vertigem”, dirigido por Petra Costa, levou o Brasil novamente à disputa na categoria de Melhor Documentário ao abordar o contexto político e social do país. Já em 2022, Pedro Kos foi indicado ao Oscar de Melhor Documentário de Curta-Metragem com “Lead Me Home”, reforçando a presença brasileira na premiação.

Apesar de todas essas indicações ao longo da história, nenhuma das produções havia conquistado a estatueta até este ano. Com “Ainda Estou Aqui”, Walter Salles não apenas garante um marco inédito para o cinema nacional, mas também reafirma a força e o talento do Brasil no cenário cinematográfico mundial.

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Stephanie Gertler

Fotógrafa há mais de 16 anos, graduada em Jornalismo pela Universidade Tuiuti do Paraná, em Curitiba. Atualmente, atua como jornalista no OBemdito.

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