Brasil

Oruam é detido em possível jogada de marketing e reacende debate sobre proposta de lei

Nesta semana, o cantor de trap Oruam foi detido por direção imprudente, gerando repercussão nacional. Após o depoimento, o artista foi liberado, mas sua prisão rapidamente virou notícia, levantando suspeitas sobre ser uma estratégia de marketing e reacendendo discussões sobre uma proposta de lei ao redor do país.

Conhecido como uma das maiores vozes do trap e rap no Brasil atualmente, Oruam alcançou recentemente o topo das paradas com seu hit “Oh Garota Eu Quero Você Só Para Mim”, destaque nas festas e no TikTok durante o Ano Novo.

Na vida fora dos palcos, Mauro, como é legalmente chamado, é filho de um dos maiores traficantes do país, Marcinho VP, preso em 1996, condenado por homicídio qualificado e tráfico de drogas. VP também é o principal nome à frente do Comando Vermelho.

O incidente na rua

Vídeos postados nas redes sociais mostram o cantor manobrando em zig-zag e realizando um cavalinho de pau após ser seguido por uma viatura. O próprio Oruam compartilhou essas imagens, legendando uma delas com “GTA Rio de Janeiro”.

Muitas especulações apontam que a prisão teria sido orquestrada como parte de uma manobra publicitária para lançar seu novo álbum, “Liberdade”, que estreou simultaneamente. Destaque do álbum é a faixa “Lei Anti Oruam”, que rapidamente alcançou o topo das Músicas em Alta do YouTube no Brasil, em menos de 24 horas.

A polêmica “Lei Anti-Oruam”

O lançamento do álbum coincidiu com crescente atenção sobre uma proposta de lei, apelidada de “Lei Anti-Oruam”. Essa legislação visa impedir que prefeituras financiem shows de artistas acusados de fazer apologia ao crime.

O apelido se deve ao fato de Oruam frequentemente mencionar facções e figuras marcantes do tráfico, sendo filho de Marcinho VP e tendo tatuagens homenageando Marcinho e Elias Maluco.

Com projetos semelhantes em discussão em mais de 80 municípios, a vereadora Amanda Vettorazzo, ligada ao MBL em São Paulo, destacou-se ao criar um site para promover a iniciativa.

Embora não mencione diretamente Oruam, a proposta mira artistas relacionados ao tráfico, prometendo limitar o uso de recursos públicos em tais eventos.

Após sua prisão, Orochi, também rapper e amigo de Oruam, pagou a fiança de R$ 60 mil e comentou sobre a proposta de lei. Defendendo o ambiente trap, afirmou que “o sistema está contra nós” e criticou a vereadora que, por sua vez, respondeu na rede social, abrindo novo debate sobre liberdade de expressão e financiamento cultural.

(Com The News)

Leonardo Revesso

Graduado em Direito pela Unipar, mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e especializando em Neurociência do Consumo pela ESPM. Tutor da Olívia, da Ludi e da Mila. Está no jornalismo há 27 anos (iniciou aos 15). No OBemdito escreve sobre política e consumo.

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