Graça Milanez

Bancário aposentado cultiva açaí em Umuarama e comemora resultados

O cultivo de açaí, planta nativa da Amazônia, dá seu ar da graça no noroeste do Paraná. Plantar essa palmeira tropical foi a opção que o bancário aposentado José Carlos Geraldi, 62 anos, buscou, quando decidiu trilhar um caminho pouco convencional na agricultura local.

Apostou, e diz estar supersatisfeito. Ele nos levou para conhecer a lavoura, que fica a poucos quilômetros do centro de Umuarama.

Dono de um sítio de 17 hectares, a Estância Nossa Senhora de Fátima, que adquiriu com intuito de viver nele com a família para desfrutar da boa qualidade de vida que o campo oferece, viu que espaço tinha para implementar um agronegócio, e disposição também, mas, segundo ele, teria que ser algo desafiador.

E é aí que entrou o açaí, uma opção atípica por aqui, mas que está dando certo no sítio do Geraldi. Ele iniciou o projeto em 2006, com o plantio de mil pés.

Hoje, são 1,3 mil, que ocupam apenas um hectare da propriedade. “Eu queria sair da mesmice do arroz, feijão e milho… Tentei produzir leite, mas não me identifiquei. O açaí realmente me desafiou”, afirma.

“É que não há assistência técnica especializada dessa cultura na região; tive que me virar praticamente sozinho: pesquisei, inventei, testei e consegui passar a fase difícil… A internet ajudou bastante, agora domino o assunto… A experiência tem sido gratificante! Minha lavoura está uma beleza!”, orgulha-se.

Lavoura promissora: 1,3 mil pés formam a lavoura de açaí da Estância Nossa Senhora de Fátima

Uma grande paixão pelo cultivo do açaí

Geraldi nem precisa dizer que está apaixonado pelo cultivo do açaí. Sua empolgação nota-se a cada palavra que expressa, sempre com sorriso aberto, demonstrando um espírito empreendedor que realmente desafia padrões. E salienta o timbre da voz quando narra suas descobertas.

“Numa determinada fase do cultivo do açaí, percebi que as mudas morriam. E por que morriam? Não conseguia entender o motivo, até que descobri que um besouro comia o broto. Solução: eu mesmo fiz uma armadilha e comecei a capturá-los; resolvi o problema”, conta.

“Também descobri que para as mudas não morrerem tinham que ser plantadas próximas a bananeiras, para que crescessem na sombra. Por isso tem aqui tantos pés de banana… Depois, quando o açaí cresce, eu descarto as bananeiras. Meu foco é o açaí”, atesta.

“Precisei pesquisar muito para que a lavoura vingasse e o projeto atingisse as metas”, diz Geraldi

Cultivo do açaí é uma alternativa agrícola

Com venda garantida, por safra, a lavoura do Geraldi rende aproximadamente duas toneladas de polpa [a safra agora, em fevereiro, e vai até junho]. A fábrica de sorvetes Itália, de Umuarama, compra tudo.

“Aqui mesmo no sítio nós debulhamos os cachos e produzimos a polpa… Tudo de forma artesanal… Entregamos prontinha para o nosso único cliente”, salienta.

A produção ainda é baixa, pois nem todas as árvores atingiram a fase adulta. No entanto, Geraldi está otimista e projeta um aumento de uma tonelada a cada safra. Em relação à mão de obra que a lavoura demanda, não há problema, segundo Geraldi, já que todas as tarefas são realizadas exclusivamente por familiares.

Geraldi acredita que sua experiência bem-sucedida pode sinalizar uma nova alternativa agrícola na região: “Acredito que estou escrevendo uma história que ajuda a reforçar a importância da inovação no setor rural e que pode inspirar outros produtores a explorarem o cultivo do açaí, que é rentável”.

Sonho realizado: açaí cultivando na Estância Nossa Senhora de Fátima produz cerca de duas toneladas por safra

Tem mercado

Para o empresário Carlos Alberto da Silva, 39 anos, há mercado em Umuarama para muito mais do que é colhido no sítio do Geraldi. O proprietário da fábrica de sorvetes Itália diz que consome, por ano, cerca de 20 toneladas de polpa de açaí.

“Ou seja, o que eu compro do José Carlos representa apenas 10% da demanda da minha fábrica”, calcula. “Nossa produção absorve cerca de 120 quilos de açaí por dia”, destaca, lembrando que a maior parte ele ‘importa’ do Norte do Brasil.

O empresário Carlos Alberto da Silva, da Sorvetes Itália: produtos de açaí da marca estão no ranking três das vendas

Cultivo de açaí em Umuarama: qualidade local

Com açaí, a Sorvetes Itália produz sorvete [puro e mais dois sabores: creme de leite Ninho e chocolate com avelã], paleta [com recheio Ninho] e o picolé tradicional [açaí puro]. “Todo dia, são 16 mil picolés e 1,2 mil litros de sorvete”, informa o empresário. “O açaí é o ranking três da nossa fábrica”.

E sobre o fato de comprar toda a produção da Estância Nossa Senhora de Fátima, ele é enfático: “Faço isso para valorizar o produtor local; sei que o açaí produzido pelo Geraldi é de altíssima qualidade, então faço questão de comprar”.

Sorvete de açaí com creme de leite Ninho: um dos mais vendidos da marca Itália
Sorriso largo: Geraldi diz estar supersatisfeito com os resultados alcançados
Paleta de açaí com recheio: produto é um dos vários da linha de produção da Itália
Picolé de açaí: saem da fábrica da Sorvetes Itália 16 mil por dia
Sorvete de açaí: um dos sabores mais procurados pelos clientes da Sorvetes Itália
Graça Milanez

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