Curiosidades

Pesquisadores descobrem técnica que ajuda pessoas a apagar memórias negativas

Um avanço científico promissor está emergindo diretamente dos laboratórios da Universidade de Hong Kong. Pesquisadores desenvolveram uma técnica inovadora que pode mudar a forma como lidamos com memórias negativas e traumas emocionais.

A abordagem, publicada na prestigiosa revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), utiliza estímulos sensoriais durante o sono para reativar memórias positivas, reduzindo o impacto de lembranças negativas.

Essa descoberta pode abrir novas possibilidades para o tratamento de condições como transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e ansiedade, ao mesmo tempo em que oferece insights valiosos sobre o funcionamento da mente humana.

Como Funciona a Técnica para Reduzir Memórias Negativas?

O método desenvolvido pelos cientistas é baseado na Reativação da Memória Direcionada (TMR, na sigla em inglês), uma abordagem que explora a capacidade do cérebro de reforçar memórias enquanto dormimos.

Durante o sono, as memórias são naturalmente reativadas, mas o TMR permite direcionar esse processo ativamente por meio de estímulos sensoriais, como sons ou odores.

No experimento realizado, 37 voluntários, com cerca de 20 anos, foram expostos a 48 imagens positivas e 48 negativas. A primeira etapa do estudo associou as imagens negativas a palavras escolhidas aleatoriamente e consolidou essas memórias durante uma noite de sono.

No dia seguinte, os participantes foram apresentados às imagens positivas, e metade das palavras previamente ligadas às memórias negativas foi reutilizada. Isso criou uma “ponte” entre as memórias negativas e positivas, conectando-as através dos mesmos estímulos verbais.

Na segunda noite de sono, as palavras gravadas foram reproduzidas durante a fase NREM (Movimento Não Rápido dos Olhos), conhecida por ser fundamental para o armazenamento de memórias. Durante esse processo, os cientistas observaram um aumento na atividade da banda teta no cérebro, que está diretamente ligada ao processamento de memórias emocionais.

Resultados Promissores: Memórias Positivas Sobrepõem-se às Memórias Negativas

Os resultados do estudo foram surpreendentes. Após o experimento, os participantes relataram maior dificuldade em recordar as memórias negativas que haviam sido associadas às positivas. Além disso, ao ouvir as palavras usadas no experimento, os voluntários tendiam a evocar as lembranças positivas, que passaram a se sobrepor às negativas.

Essas descobertas apontam para a possibilidade de “reprogramar” o cérebro para priorizar memórias positivas em detrimento de lembranças negativas. Embora ainda esteja nos estágios iniciais, a técnica apresenta um potencial revolucionário para ajudar pessoas que lidam com memórias traumáticas.

Implicações para a Saúde Mental

O impacto dessa pesquisa vai além do campo da neurociência. Técnicas de manipulação de memória, como o TMR, podem ser futuramente aplicadas no tratamento de transtornos psicológicos, como TEPT, ansiedade e depressão.

Ao reduzir o peso emocional de memórias negativas, os pacientes podem experimentar melhorias significativas em sua qualidade de vida e bem-estar mental.

No entanto, especialistas alertam que o uso dessa técnica ainda requer mais estudos para compreender seus efeitos de longo prazo e garantir sua segurança. Pesquisas adicionais serão necessárias para avaliar sua eficácia em populações maiores e em casos clínicos mais complexos.

Um Marco na Exploração do Cérebro Humano

A capacidade de manipular memórias durante o sono representa uma das fronteiras mais intrigantes da ciência moderna. As memórias negativas têm um papel importante em nossa evolução, ajudando a evitar situações perigosas no futuro. No entanto, quando essas lembranças se tornam excessivamente intrusivas, podem prejudicar a saúde mental.

A técnica apresentada pelos pesquisadores de Hong Kong é uma evidência de como a ciência está avançando na compreensão e no controle do funcionamento do cérebro humano. Ao explorar métodos inovadores para aliviar o impacto de memórias negativas, estamos, potencialmente, abrindo caminho para uma nova era de tratamentos terapêuticos.

O Futuro da Manipulação de Memórias

Embora a ideia de apagar memórias negativas lembre ficções científicas como Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, a realidade por trás dessa tecnologia é muito mais sutil. Em vez de apagar memórias, a técnica busca requalificá-las, reduzindo sua carga emocional negativa e reforçando associações positivas.

Se aplicada com responsabilidade, essa abordagem pode transformar a forma como lidamos com traumas e emoções difíceis. No entanto, como toda inovação científica, ela exige uma análise ética cuidadosa para evitar abusos ou usos indevidos.

Com mais pesquisas e avanços, a manipulação de memórias pode se tornar uma ferramenta poderosa para melhorar a saúde mental e emocional de milhões de pessoas ao redor do mundo.

(Fonte: The University of Hong Kong)

Leonardo Revesso

Graduado em Direito pela Unipar, mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e especializando em Neurociência do Consumo pela ESPM. Tutor da Olívia, da Ludi e da Mila. Está no jornalismo há 27 anos (iniciou aos 15). No OBemdito escreve sobre política e consumo.

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