Raimundo Durães, o famoso “Raimundinho” eternizado nos livros de história da colonização de várias cidades paranaense, especialmente a fundação de Umuarama! - Foto: Acervo de Italo Fábio Casciola
Depois de uma boa caminhada pelo centro da cidade, 20 anos depois de sua abertura na mata e fundação, o ilustre personagem sugeriu seguir para o hotel, onde ele era aguardado por alguns amigos que com ele vieram de São Paulo para vê-lo receber a preciosa homenagem: a cidadania honorária de Umuarama.
A pergunta especial que eu havia reservado para encerrar a entrevista com o lendário corretor e desbravador do sertão do Paraná não poderia ser outra: “Porque o senhor escolheu o nome ‘Umuarama’ para batizar a cidade?”.
Mais uma gargalhada… “Pensei que você não ia perguntar isso…”. Fez uma pausa, olhou para o alto e, como que viajando pelo passado, contou o segredo tão aguardado em detalhes: “Um certo dia, alguns anos antes de eu vender estas terras para a Cia. Melhoramentos, viajei para Ribeirão Preto a negócios. Me hospedei num belo hotel que existia no centro daquela cidade, me disseram que era o melhor. Mas o que me atraiu não foi o luxo, mas o nome: UMUARAMA.
Fui perguntar para o gerente qual era o significado dessa palavra, que eu nunca tinha visto. Ele disse que os donos do hotel, que tinham uma bela mansão em Campos do Jordão, haviam copiado o nome de um hotel-colônia de férias de uma universidade de São Paulo (o Mackenzie College) que existia lá. E disse que ‘Umuarama’ significava ‘casa dos amigos’ (o próprio gerente não soube explicar direito o significado, mas me deu a pista)”.
E continuou o relato: “Depois é que fui saber que era ‘um lugar ensolarado especial para o encontro de amigos’. Na hora, lembrando que eu tinha esta vasta área de terras aqui e sonhava um dia abrir uma cidade, descobri que já tinha o nome: UMUARAMA. Depois, resolvi vender as terras para a colonizadora, que também comprou outras áreas de alguns proprietários ao redor das minhas, para fundar a nova cidade. Como a Cia. Melhoramentos tinha estrutura e experiência no ramo, fiquei satisfeito em fechar o negócio. Mas fiz uma exigência: tem que se chamar UMUARAMA! O Dr. Hermann (Moraes de Barros, presidente da colonizadora) também gostou da sugestão e aceitou feliz a idéia!”.
Arremata a história o desbravador Raimundo Durães: “Como havia prometido, no dia 26 de junho de 1955, um dia frio de lascar com ameaça de geadas, vim aqui para participar da instalação de Umuarama. Fui à solenidade no escritório da Companhia, na missa campal, na inauguração do aeroporto e, claro, comemoramos juntos na festa que teve ao lado do aeroporto durante o dia inteiro”.
Nunca mais encontrei Raimundo Durães, ele não voltou a Umuarama depois daquela data de nosso encontro. “Raimundinho”, simpatia e simplicidade em pessoa, virtudes dos grandes homens, daqueles que passam pela vida construindo a História. Gente que realmente faz e merece ser lembrado para todo o sempre.
O mineirinho tem seu nome gravado em letras de ouro em alto relevo na História de Umuarama, conquista que nem o tempo vai conseguir apagar. Quem ler e reler estes registros no futuro vai conhecer este personagem ímpar de nosso tempo.
Assim como o tempo não vai apagar esta entrevista exclusiva, impressa para a posteridade na memória de quem está lendo ela agora. O curioso é que a imprensa na época, tanto o reportariado daqui como os jornalistas de veículos paranaenses que vieram para essa cobertura, só registraram a cerimônia de entrega do título de Cidadão Honorário a Raimundo Durães e a Hermann Moraes de Barros. Não tiveram a astúcia de entrevistar o precursor dessa epopeia, que concebeu a ideia de fundar a Capital da Amizade.
Tive essa oportunidade, uma chance única que um repórter não pode perder jamais, pois além de repassar aos leitores uma história de vida interessante, o repórter está fazendo História ao documentar o perfil de alguém cuja oportunidade de rever era previsivelmente impossível, afinal, o tempo e a vida passam para todos nós. Aqui está esse valioso relato e, creio eu, fiz a minha parte! (ITALO FÁBIO CASCIOLA, Especial para OBEMDITO)
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