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Comunidade realiza ato para homenagear Ana Carolina e clama por paz em Alto Piquiri

Amigos e familiare demonstraram o sentimento de revolta com o feminicídio ocorrido na cidade

Fotos: Danilo Martins/OBemdito
Comunidade realiza ato para homenagear Ana Carolina e clama por paz em Alto Piquiri
Jaqueline Mocelin - OBemdito
Publicado em 29 de maio de 2024 às 17h48 - Modificado em 30 de maio de 2024 às 08h27
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Um ato em memória de Ana Carolina da Silva Cardoso, de 25 anos aconteceu na tarde desta quarta-feira (29) na cidade de Alto Piquiri. Ela foi vítima de feminicídio (atingida por 20 golpes de faca) e o acusado é o ex-namorado Eric Pereira, de 26 anos, que atualmente está preso.

O crime aconteceu na noite de sexta-feira (24). Ana Carolina faleceu na tarde de domingo (26), em um hospital de Umuarama. A vítima trabalhava em um mercado há alguns meses e era campista da igreja. Ela deixou duas filhas, de 3 e 11 anos.

Amigos, familiares, autoridades políticas, Polícia Militar e a comunidade em geral participaram da homenagem, que teve como tema “O silêncio não protege: falar é uma forma de dar um basta!”. Além disso, o encontro teve como objetivo abordar a violência contra a mulher e como os crimes podem ser denunciados.

De acordo com dados da 7ª Subdivisão de Polícia Civil, neste ano já foram registradas 53 ocorrências envolvendo violência doméstica em Alto Piquiri. O último feminicídio havia ocorrido em 2018.

Nesta quarta-feira, em frente à Prefeitura de Alto Piquiri, dezenas de pessoas participaram da manifestação. Algumas estavam vestidas com roupas brancas e também seguravam balões brancos, com o objetivo de pedir por paz.

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Entre elas estava Bruna Valéria Duarte, amiga de Ana Carolina, que reside em Perobal. Ela conversou com OBemdito e disse que não tinha conhecimento de que a situação entre autor e vítima tinha chegado a tal patamar.

Bruna explicou que, após o assassinato da amiga, esteve com seus pais em Alto Piquiri para conversar com a família de Ana Carolina. “Soubemos que ela vinha sofrendo ameaças, que o autor invadia a casa dela, destruiu suas roupas. Ele já tinha sido preso por quebrar a moto dela e em 2023 já tinha agredido a Ana. Eles já não estavam mais juntos e ela tinha medida protetiva, mas ele seguia invadindo a casa dela”, comentou.

“Teve um dia que ele invadiu a casa dela, ficava passando a faca no seu rosto, falava que iria matá-la, que iria amarrar ela com uma corda e arrastar pela cidade. A filha dela mais velha viu, pulou a janela e foi chamar a vizinha. A vizinha gritou que a polícia estava chegando e ele se evadiu”, relatou Bruna.

O sentimento de revolta da amiga era grande. “É uma situação muito revoltante. É uma mulher como todas nós, que pediu socorro. A Ana sempre estava na delegacia. A patroa dela falou que na sexta ela foi na delegacia de manhã e saiu o mandado para ele [ser preso] às 17h30. E ele atentou contra a vida dela pouco antes das 19h”, finalizou.

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Bruna Valéria Duarte, amiga de Ana Carolina, manifestou sua revolta

MEDIDAS PARA ATENDER VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA

O prefeito de Alto Piquiri, Giovane Mendes de Carvalho, participou do ato e anunciou medidas para tentar reduzir este tipo de crime no município. “Nós fizemos essa ação diferente, porque infelizmente o nosso índice de agressão às mulheres está alto. Infelizmente foi uma vida que a gente perdeu. Ela era muito ativa na comunidade, as pessoas estão abaladas, a cidade está abalada, mas os casos não cessam”, explicou

Para tentar reduzir essa estatística negativa, a Prefeitura se uniu ao Creas (Centro de Referência Especializado em Assistência Social), ao Ministério Público e ao Conselho da Família para eletivamente tentar combater a violência contra a mulher.

“Alto Piquiri é uma cidade muito abençoada. Nós inclusive estamos construindo um santuário. E esse caso veio para abalar muito o coração das pessoas, que só fazem o bem. Infelizmente o feminicídio chegou na nossa cidade. A gente achava que só seriam cidades maiores, mas chegou em Alto Piquiri. Por isso a Prefeitura está lançando o ‘Protocolo Ana’, para atender mulheres vítimas de violência”, disse o prefeito.

Carvalho ressaltou que o nome foi escolhido em homenagem a Ana Carolina. “Esse protocolo vem para atender de forma especial. Além do que já é a função do Creas, vamos atender as mulheres e cuidar mais, principalmente em medidas protetivas, pois estamos percebendo que o autor fica mais agressivo ainda. E neste caso, mesmo com medida protetiva ele terminou com a vida da Ana”, finalizou. O Protocolo Ana atenderá as denúncias pelo número 180, através do Creas.

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O prefeito de Alto Piquiri, Giovane Mendes de Carvalho, participou da mobilização

O secretário de Assistência Social, Thiago Matheus Oliveira Spert, também conversou com OBemdito. Ele afirmou que o ato desta quarta-feira serviu para prestar homenagem a Ana e também para reforçar o trabalho realizado constantemente de combate ao feminicídio e outros tipos de violência.

“A violência é uma coisa que chama muito a atenção. Um caso isolado gera comoção e a gente tenta evitar que aconteça, para que esta dor não recaia sobre ninguém”, disse Thiago.

O secretário disse que atualmente ocorre no município um trabalho padrão do Cras e do Creas com famílias vulneráveis que são cadastradas. “Qualquer indício de violência é repassado para o Creas, que busca informações para acompanhar e ajudar da melhor maneira possível. No caso da família da Ana, inclusive suas filhas, montamos um plano de trabalho, principalmente com atendimento psicológico. Eles terão acompanhamento e no caso das crianças faremos escuta especializada”, informou.

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O secretário de Assistência Social, Thiago Matheus Oliveira Spert, falou sobre o aumento de casos de violência contra a mulher

RELEMBRE O CASO

Ana Carolina foi ferida com pelo menos 20 golpes de faca no início da noite de sexta-feira. O crime aconteceu enquanto ela estava indo para casa a pé, depois de sair do trabalho. Surpreendida pelo agressor, a jovem foi ferida nas pernas, abdômen e pescoço.

Após o crime, o suspeito fugiu do local. A vítima foi socorrida em uma Unidade de Saúde da cidade e depois transferida em estado grave para um hospital em Umuarama. Apesar de todos os esforços, a jovem não resistiu aos ferimentos e faleceu na tarde do último domingo (26).

O velório e sepultamento de Ana Carolina aconteceram na segunda-feira (27) e geraram um clima de comoção e revolta na cidade de pouco mais de 9 mil habitantes.

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PRISÃO DO SUSPEITO

Após fugir da cena do crime, o suspeito Eric Pereira se entregou à polícia na manhã de sábado (25). Conforme o delegado de Altônia, Reginaldo Caetano da Silva, responsável pelas investigações, contra Eric havia um mandado de prisão pelos crimes de ameaça e violação de domicílio. Ele havia descumprido uma medida protetiva contra a vítima.

“Na sexta-feira foi novamente noticiado ao Poder Judiciário sobre o descumprimento [da medida protetiva]. Foi expedido o mandado de prisão preventiva no final da tarde [sexta-feira], por volta das 17h30. O Eric não foi encontrado”, disse o delegado. “Logo depois, ele praticou o crime”, completou. O suspeito, que está preso, responderá, além dos crimes anteriores, também por feminicídio.

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