Foto: Freepik
Em análise na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 179/2023 reconhece a família multiespécie como entidade familiar e garante pensão alimentícia para animais de estimação. O texto apresentado pelo deputado Delegado Matheus Laiola (União), no começo do mês, também prevê uma série de direitos para os pets.
Conforme o documento, família multiespécie é uma comunidade formada por seres humanos e seus animais de estimação como entidade familiar. Animais de estimação são considerados aqueles selecionados para convívio com o ser humano por razões de afeto, assistência ou companhia.
Na justificativa, o autor frisa que “não se trata, evidentemente, de igualar filhos humanos e filhos não humanos ou de conferir-lhes os mesmos direitos”. O objetivo, segundo o parlamentar, é reconhecer que os animais de estimação também são considerados membros das famílias, merecendo a proteção devida nesse sentido.
Entre as garantias previstas no texto, está o acesso dos animais de estimação à Justiça para defesa ou reparação de danos materiais, existenciais e morais aos seus direitos individuais e coletivos. Caberá ao tutor ou, na ausência ou impedimento deste, à Defensoria Pública e ao Ministério Público representá-los em juízo.
Também há diretrizes sobre aspectos sucessórios e o aumento de penas para crimes de maus-tratos contra os animais. Antes de chegar ao plenário, o texto ainda deve tramitar pelas comissões da Câmara. Atualmente, está aberta uma enquete sobre o PL. Opine aqui.
Confira o vídeo que o deputado divulgou sobre o projeto aqui.
Família multiespécie
Segundo o professor e advogado Natan Galves Santana, membro do Instituto Brasileiro de Direito de Família – IBDFAM, a legislação não consegue acompanhar os novos ritmos familiares, como é o caso da família multiespécie. Para ele, o PL é importante, pois garante maior proteção aos animais.
“São seres sencientes, ou seja, capazes de amar e de sofrer. Logo, é notória a relevância do mencionado projeto, visto que os animais estão sendo considerados membros da família e não apenas uma coisa”, avalia.
Natan observa um aumento no número de decisões judiciais envolvendo animais e seres humanos, sobre temas como guarda, direito de visita e pensão alimentícia. Com a aprovação do projeto, o advogado prevê um impacto positivo na legislação brasileira.
“Não haverá dúvida sobre a competência das Varas de Família para julgar as demandas envolvendo animais após o rompimento do vínculo conjugal, por exemplo; nem a necessidade de equiparação de outra norma jurídica aplicada aos filhos humanos”, ressalta.
Para o especialista, a aprovação do texto demonstra uma evolução do Direito brasileiro. Ele pontua que, recentemente, a Espanha também aprovou legislação neste sentido.
Resistência
O advogado percebe uma resistência da sociedade em reconhecer novas configurações familiares. “A sociedade brasileira ainda carrega a herança da família do passado, cuja existência de papéis que os membros familiares realizavam já estavam preestabelecidos na sociedade.”
Ele acrescenta que o surgimento de novos modelos de família, como a multiespécie, coloca em xeque conceitos tidos como absolutos e imutáveis. “Pessoas com preconceitos acreditam que haverá uma elevação dos animais, com os seres humanos em segundo plano. O resultado seria a diminuição da procriação humana e a espécie humana entraria em extinção, já que há a substituição de filhos humanos para filhos não humanos.”
“Por outro lado, outras pessoas afirmam que os animais terão mais afeto, respeito e melhores condições de vida em comparação com outros seres humanos. Assim, implicaria em uma inversão de valores, que fará com que as pessoas tenham menos consideração (afeto e financeiro) com o outro ser humano, pois preferem tratar e ajudar os animais”, pontua Natan.
De acordo com o especialista, “o que as novas famílias almejam é reconhecimento e respeito, para que todas as pessoas consigam viver em harmonia”.
(Reportagem: Débora Anunciação/IBDFAM)
Viajar de cidades grandes para Umuarama ou sair daqui para outros lugares era angustiante...
Faleceu na manhã deste domingo (18) Fabiane Lauxen Podolak, de 36 anos, engenheira de Cascavel…
Vídeos que mostram grandes peixes e paisagens submersas pouco conhecidas do Rio Paraná têm chamado…
Umuarama enfrenta um domingo (18) de tempo instável, com céu fechado nesta tarde e expectativa…
A madrugada deste domingo (18) interrompeu de forma abrupta a rotina de trabalho de Pedro…
O amor de fã não parece conhecer limites e nem de idade. Aos 84 anos,…
Este site utiliza cookies
Saiba mais