Foto: Henrique Kawaminami/Campo Grande News
Após o auxiliar de limpeza Leonardo Diniz, de 69 anos, manifestar sua vontade em concluir os estudos do Ensino Fundamental, as alunas de 15 anos Valentina Ludwig, Olívia de Paula e Laura Barros se uniram e montaram um grupo de estudo – com direito até a lição de casa – para que o “Tio Léo” pudesse ser aprovado na prova do Encceja (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos) em Campo Grande/MS.
Quando era jovem, Leonardo teve que abandonar os estudos para trabalhar e garantir seu próprio sustento em uma fazenda em São Gabriel do Oeste, onde ele trabalhou por dez anos como maquinista.
Muitos anos depois, a filha do idoso – que é formada em Ciências Contábeis – começou a incentivar o pai a se graduar, despertando nele novamente a vontade pelos estudos. “Primeiro é porque ela se formou e quer ver eu pelo menos com o primeiro grau completo. Depois, porque é aquela fala: ‘Nunca é tarde demais para voltar a estudar”, diz.
Foi então que ele começou a estudar sozinho e a sua própria maneira. Ele então abordou Valentina – uma das estudantes -, perguntando como construir uma redação. Após explicar ao idoso o processo, a menina mobilizou outras duas colegas que abraçaram o propósito do “Tio Léo”.
Valentina afirma que a escolha para as colegas é pontual, pois cada uma tem facilidade em determinada matéria. “Eu sou de exatas e biológicas, a Olívia é muito boa com humanas e a Laura é excelente em língua portuguesa. Falei com elas que o tio Léo estava precisando de ajuda. Então nos juntamos e vimos o que ele já sabia e precisava aprender”, explica.
As aulas de reforço para o faxineiro acontecem antes das aulas das meninas e durante o intervalo. “A gente se divide. Às vezes, a Valentina pega na segunda, eu na terça e a Olívia precisa de dois dias porque é muito conteúdo”, fala. E igual seria com uma professora, as meninas também passam lições de casa para Leonardo.
A atitude das estudantes comoveu o idoso. Pela primeira vez, ele sentiu o carinho e a atenção proporcionada por uma rede de apoio. “Geralmente nunca tive apoio, sempre eu que tive que batalhar. É bom, porque é um apoio para vida da gente e para mais tarde a gente se lembrar”, finaliza.
(Redação e Campo Grande News)
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