Paraná

Com variante brasileira, novos casos de Covid explodem no Paraguai

Quando o Paraguai falava que vivia um quadro de estabilidade em relação à Covid-19, a situação já era considerada gravíssima. E ficou ainda mais desesperadora nos últimos, com o colapso do serviço de saúde. Pacientes são atendidos sentados em cadeiras, com cilindros de oxigênio, no pátio dos hospitais.

O país tem pouco mais de 650 leitos de UTI para atender toda a população de 7 milhões habitantes. O número de leitos mais que dobrou desde o início da pandemia, em março de 2020, mas hoje não atende a demanda que cresce de forma acelerada. 

Em um primeiro momento, a estrutura era suficiente porque o Paraguai vinha adotando medidas eficientes para conter a propagação do coronavírus. A fronteira com outros países ficou fechada por quase 7 meses.

Tudo mudou após a chegada da variante brasileira no país vizinho. E o drama aumenta ainda mais com a possibilidade de uma nova cepa, ainda mais letal, vinda da Índia, e já detectada na Argentina.

Aumento de óbitos

Só da última segunda-feira (17) para terça (18), o Paraguai registrou 110 mortes em decorrência da Covid-19, conforme informou o Ministério da Saúde. Em uma semana foram 518 óbitos, com uma média diária de 74.

Cinco dos mortos tinham idades entre 20 e 39 anos, 33 entre 40 e 59 anos e 72 de 60 anos ou mais. De todas as vítimas do coronavírus (e ao que tudo indica de um sistema de saúde frágil), 53 eram mulheres e 57 homens.

Os departamentos (estados) mais atingidos pela doença são Alto Paraná (que tem Ciudad del Este como capital), Alto Paraguay, Amambay, Asunção, Caaguazú, Caazapá, Central, Concepción, Cordillera, Guairá (a capital é Salto del Guaíra, a 130 quilômetros de Umaurama), Misiones, Paraguarí e San Pedro.

Vacinação segue lenta

Se o vírus avança, a vacinação segue lenta. O país imunizou apenas 28 mil pessoas com a segunda dose. Nesta terça-feira (18), foi iniciada a imunização de idosos maiores de 65 anos. 

De outro lado, o comércio da fronteira com o Brasil dá bons exemplos de medidas preventivas. Para entrar nos estabelecimentos, é obrigatório lavar as mãos com água e sabão, usar álcool em gel e aferir a temperatura do corpo. O controle é rigoroso.

Leonardo Revesso

Graduado em Direito pela Unipar, mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e especializando em Neurociência do Consumo pela ESPM. Tutor da Olívia, da Ludi e da Mila. Está no jornalismo há 27 anos (iniciou aos 15). No OBemdito escreve sobre política e consumo.

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