O eletricista Hailton Lira, que faleceu nesta quinta-feira, em decorrência da Covid
O corpo do eletricista e empreendor Hailton Lira, 42 anos, foi sepultado na manhã desta quinta-feira (13) no Cemitério de Umuarama. Lira faleceu na tarde ontem no Pronto Atendimento, em decorrência da Covid-19. A família divide a dor com o sentimento de revolta.
Jaqueline Lira, esposa de Hailton, disse que implorou várias vezes aos médicos para que o marido fosse transferido para um hospital, com melhores condições de atendimento, e isso não aconteceu.
“O Hailton já deu entrada no PA em situação gravíssima. Tanto que já chegou e foi intubado. Essa demora pode ter custado a vida dele”, afirmou Jaqueline.
Segundo ela, em um primeiro momento o médico relatou que não poderia pedir a transferência porque ainda não tinha o exame de Covid do eletrecista.
Caso fosse encaminhado para uma UTI Covid sem estar contaminado pelo coronavírus, seria exposto à doença. Da mesma forma, uma vez transferido para uma UTI geral estando infectado, colocaria outros pacientes em risco.
O resultado do exame oficial saiu na segunda-feira (11) e deu positivo para a Covid.
Jaqueline relata que no PA chegou a ouvir que a situação estava caótica no local por conta da operação Metástase, deflagrada pelo Ministério Público Paraná e que apura desvios milionários no Fundo Municipal de Saúde de Umuarama.
A esposa entrou em contato com OBemdito no último domingo, relatando a situação. A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Prefeitura e fez questionamentos a cerca da situação.
Na segunda-feira, a assessoria confirmou a positivação do paciente e assegurou que ele estava sendo assistido em ótimas condições e que havia sido incluído no sistema de espera por uma vaga de UTI, tarefa que cabe à Sesa (Secretaria de Estado da Saúde).
“Na verdade, não temos uma estrutura de UTI. Temos uma excelente estrutura, com respiradores, profissionais e demais necessidades para acolher pacientes que estão na fila de espera. Fazemos intubações quando necessário, damos todo o suporte. Mas a transferência depende da central de leitos (do Estado)”, respondeu a assessoria de imprensa da Prefeitura.
Hailton Lira ficou quatro dias no Pronto Atendimento de Umuarama. Neste período, em todos os boletins oficiais divulgados pelo governo do Estado constava a existência de vagas de UTI em hospitais da macrorregião noroeste, sendo 14 vagas no domingo, 16 na segunda, 12 na terça e 15 na quarta.
Procurada por OBemdito, a chefe da 12a Regional de Saúde, Viviane Herrera, disse que a central de leitos é muito dinâmica e os números mudam muito rapidamente. Segundo ela, neste momento a macrorregião noroeste está com 112 pacientes esperando por leito de UTI.
Viviane confirmou que Hailton Lira estava na lista de espera. Sobre a divergência dos números que têm em mãos e os apresentados no site do governo, a chefe da Regional informou que os dados mudam a todo mundo e que o boletim não é em tempo real.
Outros dois profissionais de saúde ouvidos por OBemdito concordaram com a situação exposta por Herrera. “Fugiu totalmente do controle. Não há estrutura para tantos doentes. Estamos em uma situação de impotência porque a comunidade não contribui, não se cuida. Infelizmente, teremos muito mais mortes nos próximos dias”, disse um deles.
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