Rudson de Souza Publisher do OBemdito Defesa diz não ter sido intimada após MPPR denunciar pai e filhos por chacina em Icaraíma
O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou Antônio Buscariollo e seus filhos Paulo Ricardo Costa Buscariollo, Carlos Henrique Buscariollo e Carlos Eduardo Buscariollo, pela morte de quatro homens em Icaraíma, no Noroeste do Paraná.
A denúncia, divulgada nesta quarta-feira (4), atribui aos investigados os crimes de homicídio qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e associação criminosa armada.
Os quatro denunciados estão presos preventivamente. A acusação foi apresentada pela Promotoria de Justiça de Icaraíma no último domingo (2) e aponta que as mortes foram motivadas por uma dívida de R$ 255 mil, relacionada à negociação de uma propriedade rural com integrantes da família.
Procurado pelo OBemdito nesta quinta-feira (5), o advogado de defesa, Renan Farah, informou que os representantes dos denunciados ainda não receberam a comunicação oficial do Ministério Público.
“Até o momento, não fomos intimados da denúncia”, declarou. Segundo o MPPR, as vítimas foram atraídas para uma emboscada na propriedade rural da família, em Icaraíma, no dia 5 de agosto de 2025. No local, os quatro homens teriam sido executados a tiros.
As vítimas eram Alencar Gonçalves de Souza Giron, Diego Henrique Afonso, Rafael Juliano Marascalchi e Robishley Hirnani de Oliveira. Os três últimos eram moradores do estado de São Paulo e foram contratados por Alencar para ajudá-lo a cobrar o valor referente à venda de um imóvel rural.
A investigação aponta que, depois dos assassinatos, os denunciados esconderam os corpos e os veículos das vítimas em sepulturas clandestinas. Os locais ficavam a aproximadamente 14 quilômetros da propriedade onde os homicídios teriam ocorrido.
O Ministério Público também sustenta que os integrantes da família agiram de maneira coordenada para apagar informações e modificar sistemas dos celulares apreendidos durante a investigação, numa tentativa de comprometer a produção de provas.
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Desaparecimento mobilizou forças de segurança
O caso ganhou repercussão estadual e nacional em agosto de 2025, quando os quatro homens desapareceram depois de viajarem até Icaraíma para cobrar a dívida.
Robishley, Rafael e Diego saíram de São José do Rio Preto (SP) em 4 de agosto. Na cidade paranaense, encontraram Alencar, que havia solicitado ajuda para receber o dinheiro referente à negociação imobiliária.
No dia seguinte, os quatro desapareceram. A partir de então, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) iniciou uma investigação que mobilizou diferentes forças de segurança e levou a buscas em propriedades rurais do município.
Um dos principais elementos encontrados durante as diligências foi uma caminhonete Fiat Toro utilizada pelas vítimas. O veículo estava enterrado em uma estrutura subterrânea, identificada como bunker, em uma área rural.
Em 19 de setembro de 2025, após 44 dias de buscas, as equipes localizaram os corpos dos quatro homens enterrados em uma vala clandestina. A identificação foi confirmada posteriormente por exames periciais.
A descoberta encerrou a procura pelas vítimas, mas abriu novas etapas da investigação sobre a dinâmica dos assassinatos e a participação dos suspeitos.

Investigação aponta existência de bunkers
Outro aspecto destacado pelo MPPR na denúncia diz respeito à estrutura que, segundo as investigações, era mantida pelos integrantes da família.
A apuração indica que Antônio Buscariollo e os filhos atuavam em conjunto como associação criminosa armada desde pelo menos dezembro de 2023.
O grupo teria envolvimento em fraudes patrimoniais imobiliárias, homicídios, adulteração de sinais identificadores de veículos, ocultação de cadáveres e fraudes processuais, tanto físicas quanto digitais.
Além dos veículos com placas adulteradas e da movimentação financeira clandestina, os investigadores identificaram estruturas subterrâneas de alvenaria construídas em propriedades rurais. Os chamados bunkers seriam utilizados como esconderijos pelo grupo.
A denúncia agora será submetida à análise da Justiça. A apresentação da acusação pelo Ministério Público não representa condenação dos denunciados, que poderão apresentar suas defesas durante o processo.
(Com informações do Ministério Público do Paraná)
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