Foto de Rudson de Souza Rudson de Souza Publisher do OBemdito

Defesa de indiciados por quádruplo homicídio em Icaraíma questiona tempo de investigação

Foto de Rudson de Souza
Publicado em 27 de outubro de 2026 às 11h45 - Modificado em 27 de outubro de 2026 às 11h45

A defesa dos quatro homens indiciados pelo quádruplo homicídio ocorrido em Icaraíma, no Noroeste do Paraná, divulgou uma nota após a Polícia Civil concluir o inquérito que apurou as mortes de Alencar Gonçalves de Souza Giron, Diego Henrique Afonso, Rafael Juliano Marascalchi e Robishley Hirnani de Oliveira.

Os advogados afirmam que aguardavam havia muito tempo o encerramento da investigação e questionam a duração do procedimento, enquanto os clientes permanecem presos preventivamente.

Na nota à imprensa, nesta terça (27), a defesa sustenta que a demora configurou constrangimento ilegal. Os advogados argumentam que a complexidade do caso não elimina a obrigação de respeitar a duração razoável da investigação, especialmente quando há pessoas privadas de liberdade.

VEJA TAMBÉM: Inquérito sobre chacina em Icaraíma é concluído com quatro indiciados

“Na avaliação da defesa, a demora excessiva para encerrar a investigação, com os investigados presos preventivamente, configurou constrangimento ilegal”, diz o documento assinado pelos advogados Renan Nogueira Farah e Jéter Lailton Ferreira Tovani.

A defesa afirma que aguardará a manifestação do Ministério Público e eventual oferecimento de denúncia. Também informa que se pronunciará sobre as acusações no momento oportuno e ressalta que o indiciamento não significa reconhecimento de culpa, com a presunção de inocência mantida.

Polícia concluiu investigação após mais de um ano

A Polícia Civil do Paraná concluiu o inquérito sobre o crime ocorrido em 5 de agosto de 2025, na zona rural de Icaraíma. Foram indiciados Antônio Buscariollo, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, Carlos Henrique Buscariollo e Carlos Eduardo Cândido Buscariollo. Os quatro seguem presos preventivamente.

Antônio Buscariollo, Paulo Buscariollo, Carlos Henrique Buscariollo e Carlos Eduardo Buscariollo (Foto Polícia Civil do Paraná)

O delegado Thiago Andrade, da Polícia Civil de Icaraíma, afirmou que a apuração exigiu centenas de diligências e trabalho integrado de diferentes forças de segurança.

“Ao longo de mais de um ano de investigação, foram realizadas centenas de diligências que permitiram reconstruir toda a conduta criminosa”, declarou o delegado.

Renan Nogueira Farah, advogado de defesa dos quatro homens indiciados pelo quádruplo homicídio em Icaraíma, assina nota à imprensa (Foto Reprodução/Rede Social)

Segundo a investigação, as quatro vítimas foram atraídas a uma propriedade rural sob o pretexto de resolver uma disputa financeira ligada ao encerramento de um negócio imobiliário. A dívida era representada por dez notas promissórias, que totalizavam R$ 255 mil.

Conforme a Polícia Civil, as vítimas foram surpreendidas por uma emboscada e mortas a tiros. Depois, os corpos e o veículo usado por elas foram escondidos em compartimentos subterrâneos clandestinos. A apuração também identificou ações destinadas a ocultar o crime e dificultar o trabalho dos investigadores.

Os quatro homens foram indiciados por homicídio qualificado, por quatro vezes, ocultação de cadáver, também por quatro vezes, associação criminosa e fraude processual.

Inquérito foi encaminhado ao Ministério Público

Com a conclusão da investigação, os autos foram encaminhados ao Ministério Público, que deverá analisar as provas e avaliar as providências cabíveis. A Polícia Civil informou que os trabalhos continuam para apurar a possível participação de outras pessoas no crime, inclusive em atividades relacionadas à execução, ao apoio logístico e à ocultação de vestígios.

O indiciamento encerra a etapa de investigação policial em relação aos quatro suspeitos, mas não representa condenação criminal. Caberá ao Ministério Público avaliar se apresenta denúncia à Justiça.

(Com informações da Polícia Civil do Paraná)

Participe do nosso grupo no WhatsApp e receba as notícias do OBemdito em primeira mão.

Foto de Rudson de Souza

Rudson de Souza

Jornalista formado pela Universidade Norte do Paraná (Unopar) e historiador pela Universidade Paranaense (Unipar), construiu sua trajetória entre o jornalismo impresso e o digital, com atuação em diferentes editorias e dedicação à reportagem, à investigação jornalística, à apuração rigorosa e ao relacionamento com fontes. Também possui especializações em Toolkit de IA para News, pela Google News Initiative, e em Storytelling e Técnicas de Apresentação: Conceitos Gerais de Comunicação, pela Fundação Getulio Vargas (FGV).