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Tsunami meteorológico faz mar avançar sobre praias e assusta pescadores em SC; VÍDEO

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Rudson de Souza - OBemdito
Publicado em 21 de setembro de 2026 às 15h38 - Modificado em 21 de setembro de 2026 às 15h38

Vídeos registrados no Litoral Sul de Santa Catarina mostram a força com que o mar avançou sobre áreas costeiras durante a manhã desta segunda-feira (21). A água atingiu estruturas, deslocou embarcações e assustou pescadores em cidades como Laguna e Jaguaruna.

A Defesa Civil de Santa Catarina confirmou que o episódio foi um tsunami meteorológico, também chamado de meteotsunami. O fenômeno ocorreu durante a passagem de uma linha de instabilidade, acompanhada por nuvens carregadas, chuva, ventos fortes e alterações rápidas na pressão atmosférica.

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Em Laguna, o avanço da água ocorreu antes das 6h, na Praia do Cardoso. O pescador André Eduardo Bento estava no local e aguardava uma melhora nas condições do tempo para iniciar o trabalho quando percebeu a mudança repentina no mar.

Segundo ele, os pescadores haviam retirado os barcos da água e os colocado em uma posição mais protegida por causa da chuva e dos raios. Pouco depois, a água avançou rapidamente pela praia.

André correu para tentar proteger o próprio barco e a embarcação de um amigo. Durante o resgate, a água chegou à altura do peito. Apesar do susto e dos danos registrados na região, ninguém ficou ferido.

Mar subiu rapidamente

Os registros oceanográficos ajudaram a dimensionar o fenômeno. Marégrafos instalados em Imbituba e Laguna apontaram uma elevação rápida do nível do mar por volta das 6h.

Na mesma região, a passagem da linha de instabilidade provocou rajadas de vento estimadas entre 60 km/h e 90 km/h. A combinação entre a atmosfera e as condições do oceano favoreceu a formação do meteotsunami.

A ocorrência atingiu principalmente áreas costeiras de Jaguaruna, Laguna e Imbituba, onde também foram registrados alagamentos, danos em estruturas e deslocamento de embarcações.

O que é um tsunami meteorológico?

Apesar do nome, o fenômeno não é provocado por terremotos nem pelo deslocamento do fundo do oceano. Essa é a principal diferença em relação ao tsunami convencional.

No meteotsunami, alterações rápidas da pressão atmosférica e ventos intensos associados a sistemas meteorológicos provocam oscilações na superfície do mar. Dependendo das condições do oceano e das características da costa, esse movimento pode ser amplificado e provocar uma elevação repentina da água junto à faixa litorânea.

A Defesa Civil considera o fenômeno raro e de difícil previsão, justamente porque depende da combinação de fatores atmosféricos e oceanográficos.

Santa Catarina já teve outros episódios

A Praia do Cardoso, em Laguna, não registra esse tipo de ocorrência pela primeira vez. Em 2023, um tsunami meteorológico também atingiu o local, arrastando veículos e assustando frequentadores.

Naquele episódio, André trabalhava como salva-vidas na praia e presenciou novamente o avanço repentino do mar. Há ainda registros de ocorrências semelhantes no litoral catarinense em 2024.

O monitoramento feito pela Epagri/Ciram contribui para acompanhar as condições meteorológicas e oceanográficas do Estado. Os marégrafos são importantes nesse tipo de situação porque conseguem registrar alterações rápidas no nível do mar.

A Marinha do Brasil também acompanha variáveis como maré, ondas e ressacas por meio de sistemas de monitoramento. Esses dados permitem diferenciar oscilações relacionadas à maré astronômica de alterações provocadas por condições meteorológicas.

Há risco de novo fenômeno?

Segundo as informações apresentadas pela Defesa Civil, apesar da previsão de mar agitado nos próximos dias, não havia indicação de um novo tsunami meteorológico.

A chegada de uma massa de ar frio e seco tende a diminuir as condições favoráveis à formação de novas linhas de instabilidade sobre o mar.

O episódio desta segunda-feira ocorreu em um período de instabilidade atmosférica no Estado, em um cenário também associado à influência do El Niño, que pode alterar os padrões de chuva e favorecer a ocorrência de temporais em Santa Catarina.

(Com informações da Defesa Civil de Santa Catarina e vídeos das redes sociais)

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