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STF decide nesta terça-feira se Moraes pode ser investigado por relação com Vorcaro

Alexandre de Moraes.
Foto: Gustavo Moreno/STF
OBemdito
Luiz Fernando - OBemdito
Publicado em 15 de setembro de 2026 às 08h34 - Modificado em 15 de setembro de 2026 às 08h34

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a decidir, na manhã desta terça-feira (15), se o ministro Alexandre de Moraes pode ser investigado pela suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso Banco Master. A sessão está marcada para as 10h.

A análise chegou ao plenário após a Polícia Federal (PF) identificar, durante as investigações, que Vorcaro teria mantido contato com um número de celular atribuído a Moraes. Cerca de 50 mensagens teriam sido trocadas antes da prisão do ex-banqueiro, em novembro de 2025.

As conversas foram encontradas após a quebra do sigilo do celular de Vorcaro, preso no âmbito da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).

O caso foi levado ao plenário pelo ministro André Mendonça, que era relator das investigações. Conforme a Constituição e o Regimento Interno do STF, cabe ao colegiado analisar questões envolvendo integrantes da própria Corte.

Relação de Vorcaro com Moraes

Alexandre de Moraes não é relator do caso Master no Supremo. O nome do ministro passou a aparecer na apuração depois que investigadores encontraram as mensagens atribuídas a conversas entre ele e Vorcaro.

O ex-banqueiro teve contato com Moraes após o escritório Barci de Moraes, pertencente à família do ministro, prestar serviços ao Banco Master.

Entre as mensagens encontradas pela PF estão conversas ocorridas nos dias anteriores à prisão de Vorcaro. Em 15 de novembro de 2025, o ex-banqueiro demonstrou preocupação com o avanço das investigações e mencionou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Apesar das citações, não há indícios de que Gonet ou Rodrigues tenham interferido nas investigações.

No dia seguinte, Vorcaro mencionou o juiz Ricardo Leite, então responsável pelo caso na Justiça Federal, e demonstrou preocupação com a possibilidade de ser preso. Em 17 de novembro, o ex-banqueiro acabou detido por determinação do magistrado.

Meses depois, as investigações chegaram ao Supremo.

Como será o julgamento no STF

O presidente do STF e atual relator do caso, ministro Edson Fachin, deve abrir a sessão às 10h e apresentar o relatório do processo. Em seguida, a Procuradoria-Geral da República (PGR) terá a palavra antes do início da votação dos ministros.

O Supremo não confirmou se Alexandre de Moraes participará da sessão. A presença do ministro Dias Toffoli também não está confirmada.

Toffoli declarou-se impedido, no início deste ano, de participar de julgamentos relacionados ao caso Master após a divulgação de informações de que ele é proprietário de um resort comprado por um fundo de investimentos ligado ao banco.

A votação ainda poderá ser interrompida por uma questão de ordem apresentada por algum dos ministros ou por eventual pedido de vista, que suspenderia a análise.

PGR questiona investigação

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a anulação do relatório da Polícia Federal que encontrou as conversas envolvendo Moraes.

Na manifestação apresentada ao Supremo, Gonet argumentou que André Mendonça teria determinado ilegalmente o aprofundamento da investigação para apurar as conversas entre o ministro e Vorcaro.

Segundo o procurador-geral, uma investigação envolvendo Moraes somente poderia avançar após autorização do plenário do STF. É justamente essa questão que será analisada pelos ministros nesta terça-feira.

Desde que as conversas vieram a público, Moraes não se pronunciou especificamente sobre o conteúdo das mensagens. Após o envio do material para Fachin, Moraes chegou a incluir Mendonça no inquérito das fake news e o acusou de direcionar a investigação contra ele por “motivos políticos”. A inclusão posteriormente foi desfeita por Fachin.

(OBemdito e Agência Brasil)

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