Saúde da Mulher: Especialista destaca a importância da prevenção e do acompanhamento médico
A evolução da saúde da mulher desde a antiguidade até os dias atuais, passando pelos desafios da adolescência, a chegada da idade reprodutiva, o climatério e a importância do acompanhamento médico foi o principal tema do OBemdito Saúde, apresentado por Graça Milanez.
O programa contou com a participação especial do médico ginecologista, obstetra e presidente da Associação Médica de Umuarama, Dr. Carlos Lisboa, que compartilhou análises sobre a evolução da medicina na região e orientações fundamentais para o público feminino.

A evolução da ginecologia e o papel da segurança no parto
Resgatando as origens da especialidade, o programa relembrou que, na antiguidade e até meados do século passado, grande parte dos partos era realizada por parteiras, ou seja, mulheres experientes das comunidades que atuavam como uma rede de apoio.
Paralelamente, figuras históricas como Trótula de Salerno, na Itália do século XI, marcaram os primeiros passos do estudo científico voltado à saúde da mulher.
Com a Revolução Industrial e o avanço científico, a medicina obstétrica se consolidou nos hospitais, reduzindo drasticamente as taxas de mortalidade materna e fetal.
O Dr. Carlos Lisboa pontuou que, embora figuras tradicionais como as doulas e enfermeiras obstetras tenham um papel acolhedor e fundamental hoje em dia, o ambiente mais seguro para o parto continua sendo o hospitalar.
“O parto pode correr bem de forma natural, mas é o médico, através da formação especializada, quem tem o preparo técnico para avaliar riscos fetais e definir o momento exato de uma intervenção cirúrgica de emergência.”
O especialista também explicou o conceito de plano de parto — documento onde a gestante expressa seus desejos para o momento do nascimento (como iluminação, músicas ou acompanhante) —, ressaltando que ele deve ser sempre alinhado com a equipe médica para garantir que os pedidos respeitem as normas de segurança sanitária.
Ao abordar o histórico da cesariana, o médico lembrou que a técnica surgiu como um procedimento de urgência para salvar vidas e que, após períodos de excessos de cirurgias eletivas e, posteriormente, de imposições rígidas em prol do parto normal a todo custo, a medicina caminha hoje para o modelo do “parto seguro”, equilibrando o desejo da paciente com a avaliação técnica individualizada.

O medo da adolescência e a importância da rotina preventiva
Superar o estigma e a vergonha das jovens em relação à primeira consulta ginecológica é um dos grandes desafios enfrentados nos consultórios. O especialista recomenda que as mães adotem uma postura de naturalidade, exemplificando com o hábito de levar as filhas desde a pré-puberdade para acompanharem consultas de rotina.
“A adolescente tem muitas dúvidas e hormônios em ebulição. Na primeira consulta, costumo nem fazer o exame físico de imediato; prefiro conversar, entrar no universo dela e quebrar o gelo para criar um vínculo de confiança.”
Sobre o início dos exames preventivos, o médico esclarece que a rotina — como o exame de Papanicolau e ultrassonografias — costuma iniciar após a primeira relação sexual ou mediante a aparição de sintomas anormais.
O especialista também reforça que mulheres em relações homoafetivas não estão isentas de riscos e devem manter o acompanhamento ginecológico regular, já que a estrutura anatômica exige os mesmos cuidados preventivos contra infecções e o câncer do colo do útero.

Cólicas menstruais e a atenção redobrada à endometriose
As dores no período menstrual, conhecidas como cólicas, merecem investigação criteriosa. Enquanto a cólica idiopática (natural) pode estar ligada a fatores anatômicos como o canal uterino estreito — quadro que historicamente gerava o mito de que o problema sumiria após a primeira gravidez —, dores intensas que antecedem o fluxo exigem atenção médica imediata. O Dr. Carlos alerta que esse é um dos principais sinais de alerta para a endometriose, condição que precisa ser diagnosticada precocemente para evitar impactos na fertilidade da paciente.
Planejamento e o preparo para a gravidez
A decisão de ter filhos também esbarra na falta de planejamento prévio da maioria das mulheres, que muitas vezes só procuram o médico após o resultado positivo do teste de gravidez. O especialista recomenda que o planejamento inclua o uso preventivo de ácido fólico e vitamina D:
- Mulheres que utilizam anticoncepcional: devem iniciar a suplementação de ácido fólico três meses antes de planejar a gravidez, visto que o contraceptivo reduz a absorção do nutriente.
- Mulheres que não utilizam anticoncepcional: podem iniciar a suplementação um mês antes.
O médico destaca que o ácido fólico e a vitamina D auxiliam na prevenção de malformações e na redução de riscos de abortamento, lembrando que o Brasil e diversos países seguem pactuados em diretrizes globais para reduzir a mortalidade materna e infantil através de um pré-natal acessível e de qualidade, oferecido tanto pela rede pública quanto privada.
Climatério, menopausa e os cuidados com a longevidade saudável
A transição para a menopausa — que representa a última menstruação e o fim do período reprodutivo — traz sintomas como ondas de calor (fogachos), insônia e alterações de humor. O Dr. Carlos enfatiza que a terapia de reposição hormonal (TRH), quando não há contraindicações como histórico de câncer de mama ou hipertensão severa, é uma aliada fundamental não apenas para o bem-estar psicológico e físico, mas também para a manutenção da massa óssea e muscular, prevenindo a osteoporose.
O especialista fez ainda um forte alerta contra o uso indiscriminado de testosterona por mulheres em busca de fins estéticos ou de performance física, prática desaprovada por sociedades médicas devido aos riscos de desequilíbrio metabólico, perda de feminilidade e graves complicações à saúde.
Marco histórico: os 60 anos da Associação Médica de Umuarama
Encerrando o programa, a conversa celebrou os 60 anos da Associação Médica de Umuarama. O Dr. Carlos Lisboa destacou o pioneirismo dos médicos fundadores na organização da classe médica local e relembrou marcos importantes da trajetória da entidade, como a idealização e fundação da Unimed Noroeste do Paraná a partir de iniciativas dos profissionais associados.
A instituição se consolidou como um órgão essencial de apoio científico, defesa profissional e estruturação de Umuarama como um polo de referência em saúde para toda a região.
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