Leonardo Leonardo Revesso Publisher do OBemdito

Moro pode desidratar? Sandro Alex pesa no verniz? Requião Filho acerta ao bater em Ratinho?

Sergio Moro, Requião Filho e Sandro Alex, os três candidatos mais bem pontuados nas pesquisas para o governo do Paraná (ILUSTRAÇÃO: LEONARDO REVESSO)
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Leonardo Revesso - OBemdito
Publicado em 30 de agosto de 2026 às 17h08 - Modificado em 30 de agosto de 2026 às 17h13

A propaganda eleitoral no rádio e na TV começou na última sexta-feira (28) e, nos primeiros programas, já foi possível identificar a tônica que cada campanha pretende imprimir à disputa pelo Governo do Paraná. Atuo há bastante tempo no marketing político –neste ano, optei por ficar de fora– e arrisco aqui algumas primeiras impressões. Ainda são fotografias do início da corrida, evidentemente. Mas campanha também é feita de primeiras impressões.

Apresento minha análise do desempenho dos três candidatos mais bem pontuados nas pesquisas para o Palácio Iguaçu.

Sergio Moro

Sergio Moro (PL) começou com um discurso ainda frágil. Fala em transformar o Paraná na “nossa fortaleza” e defende a criação da tabela SUS Paraná, proposta interessante por atacar um problema real: a defasagem da remuneração dos serviços e a valorização dos profissionais da saúde. Por enquanto, porém, falta transformar ideias isoladas em uma narrativa de governo.

Moro tem uma marca política nacional muito forte, construída fora da administração pública estadual. Seu desafio é convencer o eleitor de que essa marca também contém um projeto para o Paraná.

Não é um problema pequeno. Campanhas majoritárias precisam responder a uma pergunta básica: por que este candidato quer governar? Se a resposta não estiver clara, o favoritismo das pesquisas pode se tornar menos sólido à medida que os adversários ganham exposição.

Moro lidera os cenários apresentados até agora, mas, se a atual falta de consistência persistir, corre o risco de desidratar. As próximas pesquisas começarão a mostrar se a propaganda alterou alguma coisa.

Sandro Alex X Moro X Requião Filho

Sandro Alex (PSD) seguiu pelo caminho oposto. Já no primeiro programa, encheu a mesa de propostas. Para quem sabe ler além dos bites, há ali uma estratégia bastante evidente: não se trata apenas de apresentar soluções ao eleitor, mas de estabelecer um contraste com Moro, adversário que seus concorrentes tentarão carimbar como alguém conhecido por aquilo que combateu, mas ainda pouco identificado por aquilo que pretende fazer no governo.

É uma estratégia inteligente porque disputa justamente o território que pode se tornar a vulnerabilidade do líder. Em eleição, não basta construir a própria imagem; muitas vezes, é igualmente importante escolher qual dúvida o eleitor deverá ter sobre o adversário.

Visualmente, a campanha de Sandro Alex é moderna, sofisticada e muito bem produzida. Talvez até demais. Existe um paradoxo na comunicação política contemporânea: quanto mais perfeita é a propaganda, maior pode ser a sensação de que se está diante de uma propaganda.

O eleitor acostumou-se à estética imperfeita do Instagram, do celular na mão, da fala aparentemente improvisada, do “eu mesmo faço”. Nesse ambiente, excesso de acabamento pode produzir distância em vez de proximidade. Beleza ajuda. Verniz demais, nem sempre.

Requião Filho X Moro X Sandro Alex

Requião Filho (PDT), por sua vez, acertou na dose. Entre os primeiros programas, foi quem melhor conseguiu conversar olho no olho com o eleitor. Cumpre com naturalidade o papel do moço jovem, bonito e inteligente que toda mãe gostaria de ter em casa –e faz isso sem parecer que está tentando cumprir esse papel.

Há, porém, estratégia por trás da aparente simplicidade. Diferentemente de Moro, Requião Filho escolheu confrontar diretamente o legado de Ratinho Junior. Disse que o Paraná é o segundo Estado mais caro do Brasil para viver e sustentou que o atual governo “não é para todos”.

É uma escolha importante: enquanto os outros candidatos começam disputando propostas e atributos pessoais, Requião tenta abrir espaço para uma discussão que até agora apareceu pouco na eleição –a existência de um Paraná que não se reconhece na elevada aprovação do atual governo.

Primeiras impressões

Os três, portanto, largaram ocupando territórios bastante diferentes. Moro tenta transformar força eleitoral em projeto de governo. Sandro Alex procura ocupar o espaço das propostas e, ao mesmo tempo, explorar antecipadamente uma possível fragilidade do favorito. Requião Filho aposta na proximidade e tenta organizar o voto crítico ao governo Ratinho Junior.

É cedo para dizer qual estratégia funcionará melhor. Propaganda eleitoral não ganha eleição sozinha, mas ajuda a organizar na cabeça do eleitor aquilo que cada candidato representa. E talvez essa seja a primeira grande batalha desta campanha: antes de convencer o paranaense a escolher um nome, cada candidato precisa conseguir explicar, em poucas palavras, por que existe nesta eleição.

A propaganda eleitoral gratuita é exibida de segunda-feira a sábado, no rádio, às 7h e às 12h, e na televisão, às 13h e às 20h30. Vai até 1º de outubro.

Todos os candidatos ao governo do Paraná

  • Adriano Funileiro (PCO)
  • Alexandre Salomão (Mobiliza)
  • Luiz França (Missão)
  • Requião Filho (PDT)
  • Samuel de Mattos (PSTU)
  • Sandro Alex (PSD)
  • Sergio Moro (PL)
  • Tayná Miessa (UP)

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