‘Temia pela minha vida e da minha filha’, diz mulher que pediu socorro em prontuário
Uma mulher de Ibiporã, no Norte do Paraná, relatou ter vivido meses sob violência doméstica e cárcere privado. Segundo ela, o medo aumentava pela presença da filha dentro de casa.
A vítima afirmou que temia pela própria vida e pela segurança da criança. Ela também contou que vivia em uma área rural isolada, cercada por mato e distante de familiares.
Segundo o relato, o isolamento dificultava qualquer tentativa de pedir ajuda. A mulher descreveu o local como um verdadeiro “fim de mundo”, onde tinha pouco contato com outras pessoas.
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Rotina de agressões e ameaças
De acordo com a vítima, o companheiro mantinha uma rotina de violência física e psicológica. Ela afirmou que o homem defendia agressões contra mulheres que discutissem com homens.
Durante as discussões, segundo o relato, ele contava até três para obrigá-la a ficar em silêncio. Caso continuasse falando, ela afirmou que sofria novas agressões.
A mulher relatou episódios de enforcamento, tapas no rosto e socos repetidos na cabeça. As agressões provocavam hematomas e chegaram a fazê-la sentir que perderia os sentidos.
Para proteger a filha, a vítima disse que preferia permanecer calada durante os episódios de violência. O medo de que a criança presenciasse as agressões também influenciava sua reação.
Pedido de socorro em prontuário
A oportunidade para pedir ajuda surgiu na manhã de quinta-feira. A mulher afirmou que sentia fortes dores e pediu ao companheiro que a levasse ao Hospital Cristo Rei.
Na unidade de saúde, ela encontrou uma oportunidade para denunciar a situação. A vítima escreveu um pedido de ajuda no próprio prontuário médico.
No papel, pediu que o companheiro não entrasse durante a consulta. Em seguida, escreveu a palavra “socorro”, tentando chamar a atenção da equipe sem despertar suspeitas.
Para entregar o bilhete, a mulher precisou disfarçar a ação. Ela contou que olhou para a enfermeira e perguntou se havia assinado o documento de maneira incorreta.
A profissional entendeu o pedido de ajuda e garantiu que a mulher recebesse atendimento em segurança. Na sequência, acionou a Polícia Militar.
Suspeito estava na recepção do hospital
O companheiro aguardava na recepção do pronto-socorro quando os policiais chegaram. A equipe realizou a prisão em flagrante diante das informações apresentadas pela vítima.
Segundo o delegado responsável pelo caso, a mulher apresentava lesões aparentes e estava profundamente abalada emocionalmente. Ela também demonstrava intenso medo do companheiro.
O suspeito já possui histórico de violência contra uma ex-companheira, conforme informado pelas autoridades. Ele responderá por lesão corporal e ameaça no contexto de violência doméstica e familiar.
A Justiça concedeu uma medida protetiva de urgência para a vítima. Enquanto isso, o homem permanece preso à disposição da Justiça.
A defesa do acusado informou que analisará as provas do caso antes de apresentar sua manifestação técnica nos autos.
Pedido de socorro chamou atenção
O caso ganhou repercussão pela estratégia utilizada pela vítima para conseguir ajuda. Sem conseguir denunciar diretamente, ela aproveitou o atendimento médico para enviar uma mensagem à equipe.
O episódio também evidencia as dificuldades enfrentadas por vítimas isoladas de violência doméstica. Em situações de risco, profissionais de saúde podem identificar sinais e acionar as autoridades.
A mulher afirmou que o medo pela própria vida e pela segurança da filha foi determinante para romper o silêncio. O caso segue sob investigação e tramitação pelas autoridades competentes.
Com informações: TN Online
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