Alex Nascimento Publisher do OBemdito

Brasil e EUA marcam reunião para discutir tarifas sobre produtos brasileiros

Brasil e EUA terão reunião na segunda-feira para discutir tarifas sobre produtos brasileiros. Encontro ocorre após conversa entre Lula e Trump - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
OBemdito
Alex Nascimento - OBemdito
Publicado em 25 de agosto de 2026 às 17h41 - Modificado em 25 de agosto de 2026 às 17h41

O Brasil e os Estados Unidos marcaram para a próxima segunda-feira (31) uma reunião para discutir as tarifas aplicadas sobre produtos brasileiros. O encontro ocorrerá por videoconferência.

A reunião terá início às 14h30, no horário de Brasília. Participarão o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços confirmou a reunião à Agência Brasil. A conversa representa uma nova tentativa de reduzir as tensões comerciais entre os dois países.

A retomada das negociações foi acertada durante uma conversa telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A ligação ocorreu na última sexta-feira (21) e durou cerca de uma hora e 20 minutos. Segundo o Palácio do Planalto, os dois presidentes mantiveram uma conversa cordial.

Durante o contato, Lula defendeu a retomada das negociações comerciais. O presidente também afirmou que as justificativas usadas pelos Estados Unidos para impor novas tarifas são infundadas.

Além disso, Lula argumentou que as medidas prejudicam as economias dos dois países. Por isso, defendeu o diálogo para preservar a relação comercial entre Brasília e Washington.

Trump, por sua vez, concordou com a necessidade de manter os vínculos comerciais. O presidente norte-americano também sinalizou a retomada das conversas entre as equipes dos dois governos.

EUA citam diferentes motivos para as tarifas

O governo dos Estados Unidos apresentou diferentes argumentos para justificar as medidas comerciais contra produtos brasileiros. Entre eles estão questões ambientais e comerciais.

A lista inclui temas relacionados ao desmatamento e aos acordos preferenciais. Também aparecem propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix e etanol.

Os Estados Unidos ainda citam importações de produtos associados ao trabalho forçado. Esses argumentos foram usados pelo governo norte-americano para sustentar a adoção das novas tarifas.

O Brasil contesta as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos. O governo brasileiro defende que as medidas prejudicam empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países.

Tarifa de 25% atingiu produtos brasileiros

Em julho, o representante comercial dos Estados Unidos impôs uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros. A medida ocorreu após aproximadamente um ano de análise.

A tarifa atingiu exportadores de ferro e aço, além de empresas dos setores de vestuário e calçados. Açúcar, etanol e produtos farmacêuticos também foram afetados.

A lista inclui ainda máquinas agrícolas e equipamentos elétricos que não são destinados ao setor de aviação. Outros produtos manufaturados também passaram a sofrer a cobrança adicional.

Segundo o USTR, determinadas práticas adotadas pelo Brasil seriam descabidas. O órgão norte-americano afirmou que essas medidas oneravam ou restringiam o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores dos Estados Unidos.

Sobretaxa elevou impacto sobre exportações

Posteriormente, os Estados Unidos aplicaram uma sobretaxa adicional de 12,5% sobre outros produtos brasileiros. O governo norte-americano justificou a medida com questões relacionadas ao trabalho forçado.

Com as novas cobranças, as tarifas passaram a atingir aproximadamente US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras para o mercado norte-americano.

O levantamento foi realizado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O impacto alcança diferentes setores da economia brasileira.

Diante desse cenário, o governo brasileiro passou a buscar alternativas para reduzir os efeitos das tarifas. A negociação direta com os Estados Unidos ganhou força após a conversa entre Lula e Trump.

Brasil levou disputa à OMC

Além das negociações bilaterais, o Brasil acionou o sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio.

O governo brasileiro argumentou que as tarifas norte-americanas são “inconsistentes” com as regras da OMC. O pedido abriu uma frente paralela de negociação internacional.

Os Estados Unidos aceitaram participar das consultas solicitadas pelo Brasil. Assim, os dois países passaram a discutir o conflito tanto no âmbito bilateral quanto na organização internacional.

Governo brasileiro busca reduzir prejuízos

Desde o início das tarifas, o governo brasileiro destaca a relação comercial entre os dois países. Segundo Brasília, os Estados Unidos mantêm superávit nessa relação.

Isso significa que os norte-americanos vendem mais produtos ao Brasil do que compram do mercado brasileiro. O argumento integra a posição adotada pelo governo durante a disputa.

Em nota sobre a abertura do processo de reciprocidade econômica, o governo brasileiro afirmou que continuará trabalhando para reduzir os efeitos das tarifas.

A prioridade, segundo o governo, é diminuir os danos provocados pelas medidas à economia brasileira. A estratégia também busca proteger a renda dos brasileiros diante do aumento das barreiras comerciais.

Reunião pode abrir nova etapa

A reunião de segunda-feira será o primeiro encontro entre as equipes comerciais após a conversa entre Lula e Trump. O diálogo poderá definir os próximos passos das negociações.

Márcio Elias Rosa e Jamieson Greer deverão tratar dos impactos das tarifas e das reivindicações apresentadas pelos dois governos. O objetivo é buscar uma saída para a disputa comercial.

Por enquanto, não há indicação de suspensão imediata das tarifas. Entretanto, a retomada do diálogo cria uma nova possibilidade de negociação entre Brasil e Estados Unidos.

Participe do nosso grupo no WhatsApp e receba as notícias do OBemdito em primeira mão.