Esposas de cobradores mortos em Icaraíma comemoram prisões: ‘no meio dos porcos’
As prisões de Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo, pai e filho apontados pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) como envolvidos na morte de quatro homens em Icaraíma, foram recebidas com alívio pelas famílias das vítimas.
Meire Souza, esposa de Rafael Juliano Marascalchi, e Denise Cristina Pereira, esposa de Robishley Hirnani de Oliveira, se manifestaram após a captura dos suspeitos, ocorrida nesta terça-feira (18), em Rio das Pedras, no interior de São Paulo.
Uma das imagens divulgadas pela PCPR após a operação chamou a atenção. Antônio e Paulo aparecem algemados e sendo conduzidos pelos policiais em meio a um chiqueiro de porcos. No vídeo, é possível observar os animais na ceva enquanto pai e filho seguem sob escolta policial. “Foram presos no chiqueiro, no meio dos porcos, porque é isso o que eles são, porcos”, disse Meire. Ela relatou estar aliviada depois da ação policial.
Pai e filho estavam foragidos havia mais de um ano e foram encontrados em um sítio na zona rural de Rio das Pedras (SP). Segundo a PCPR, após a identificação do paradeiro, equipes realizaram monitoramento e planejaram a operação. Pai e filho ainda teriam tentado fugir pela mata antes de serem capturados.
Para as famílias que acompanharam durante meses as buscas pelos suspeitos, a prisão representa uma nova etapa na tentativa de responsabilização pelos assassinatos.
Denise Cristina Pereira, esposa de Robishley, disse que já havia perdido as esperanças de ver os suspeitos presos. Ela contou que imaginava que uma eventual captura não teria grande impacto emocional, uma vez que nada poderia reparar a perda do marido.
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“Minha ficha está caindo agora, eu pensei que eu nem ia sentir isso que eu estou sentindo. Como a prisão já não iria mudar o fato, com a destruição que está acontecendo na nossa família, eu pensei que ia ser mais fácil. Mas é um alívio”, afirmou Denise ao g1.



A viúva também falou sobre a angústia enfrentada desde o desaparecimento do marido e sobre os questionamentos que surgiram em torno da versão apresentada pelas famílias e pela própria investigação. “Era como se a louca fosse eu e como se eles fossem os santos”, desabafou.
Denise foi justamente quem procurou a polícia em São Paulo, em 6 de agosto de 2025, para registrar o desaparecimento de Robishley e dos amigos. Naquele momento, as famílias ainda não sabiam que os homens haviam sido assassinados.
Robishley e Denise eram casados havia cerca de dez anos. O casal tinha filhos e, desde o início do caso, ela participou da mobilização das famílias para tentar descobrir o paradeiro do marido e dos demais desaparecidos.
Meire Souza, esposa de Rafael Juliano Marascalchi, foi quem mais se manifestou diante da tragédia, mobilizando justiça nas redes sociais e nos veículos de comunicação. Ao longo do último ano, ela fez manifestações públicas e destemidas cobrando respostas sobre o crime e a localização dos suspeitos.
Três suspeitos presos no mesmo dia
Além de Antônio e Paulo, Carlos Henrique Buscariollo, o Mamute, também foi preso nesta terça-feira, em Santa Bárbara d’Oeste (SP). De acordo com a Polícia Civil, ele é investigado por participação nos homicídios. Outro integrante da família, Carlos Eduardo Buscariollo, já estava preso anteriormente e também é formalmente investigado no caso. Ele recebeu mais um mandato de prisão, dentro da cadeia.
Segundo o delegado Thiago Teixeira, responsável pelas investigações, a polícia considera Carlos Henrique um dos articuladores do crime, enquanto Antônio e Paulo teriam participado diretamente da execução das vítimas. As investigações continuam para esclarecer a participação individual de cada suspeito e de outras pessoas que possam ter atuado na emboscada.
A defesa dos Buscariollo contesta as acusações. O advogado Renan Farah afirmou que as prisões serão analisadas em audiência de custódia e sustentou que possui elementos para demonstrar que Carlos Henrique não estava em Icaraíma na época dos assassinatos. A defesa também afirma que nenhuma conclusão sobre a responsabilidade dos investigados deve ser antecipada antes da análise das provas pela Justiça.
Chacina começou com cobrança de R$ 255 mil
Rafael, Robishley e Diego Henrique Afonso saíram do interior de São Paulo e foram até Icaraíma para realizar a cobrança de uma dívida de aproximadamente R$ 255 mil. No Paraná, encontraram-se com Alencar Gonçalves de Souza, que os havia contratado para fazer a cobrança.
Segundo a investigação, a dívida estaria relacionada à negociação de uma propriedade rural. Os quatro fizeram um primeiro contato com integrantes da família Buscariollo em 4 de agosto de 2025 e deveriam retornar no dia seguinte para continuar a negociação.
Em 5 de agosto, eles desapareceram.
Durante as buscas, a polícia encontrou a Fiat Toro utilizada pelo grupo enterrada em uma estrutura semelhante a um bunker, em uma área de mata. O veículo apresentava perfurações provocadas por disparos de arma de fogo e vestígios de sangue.
Posteriormente, os corpos de Rafael, Robishley, Diego e Alencar foram encontrados enterrados em uma área de mata. As perícias apontaram que os quatro foram atingidos por disparos de armas de fogo. A investigação trabalha com a hipótese de uma emboscada preparada para matar o grupo quando ele retornasse para dar continuidade à cobrança.
Mais de um ano depois, as prisões desta terça-feira encerram a condição de foragidos de Antônio e Paulo Buscariollo, mas não encerram o caso. Para Meire, Denise e as demais famílias das vítimas, começa agora uma nova etapa: a expectativa de que os investigados respondam perante a Justiça pelas acusações relacionadas a um dos crimes de maior repercussão registrados nos últimos anos no Noroeste do Paraná.





