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Defesa diz que irá provar que Buscariollo não estava em Icaraíma; PCPR contrapõe

Defesa diz que irá provar que Buscariollo não estava em Icaraíma; PCPR contrapõe
Luiz Fernando - OBemdito
Publicado em 18 de agosto de 2026 às 14h59 - Modificado em 18 de agosto de 2026 às 16h59

O advogado Renan Farah Nogueira, responsável pela defesa da família Buscariollo desde o início do caso, afirmou nesta terça-feira (18) que pretende provar que Carlos Henrique Buscariollo não estava em Icaraíma na época do quádruplo homicídio investigado pela Polícia Civil do Paraná (PCPR). A declaração foi feita após a prisão de quatro integrantes da família.

A alegação da defesa contrapõe um dos pontos apresentados pela PCPR durante coletiva sobre a operação. Segundo a investigação, a eventual ausência de um envolvido no local das mortes, por si só, não afasta uma possível participação no crime. A polícia afirma ter reunido elementos que atribuem a Carlos Henrique um papel de coordenação dos atos de execução.

“Carlos Henrique sequer se encontrava na cidade na época dos fatos criminosos que estão sendo imputados à família. A defesa possui elementos para demonstrar essa circunstância e ela será apresentada e comprovada no momento processual adequado”, declarou Nogueira.

Carlos Henrique foi preso nesta terça-feira em Santa Bárbara d’Oeste (SP). Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo foram capturados em um sítio na zona rural de Rio das Pedras (SP), após tentarem fugir do cerco policial. Carlos Eduardo Buscariollo já estava preso em São Bernardo do Campo por outro caso.

PCPR diz que investigado não precisa estar no local do crime

Durante coletiva concedida após as prisões, o delegado Leonardo Rodrigues Martinez, adjunto da 7ª Subdivisão Policial (7ª SDP) de Umuarama, explicou que a legislação permite a responsabilização de pessoas que, mesmo sem executar pessoalmente um crime, tenham determinado ou coordenado sua prática.

“A nossa legislação prevê essa possibilidade de responsabilização criminal para pessoas que executam, chamado de atos de execução, e também mandantes, pessoas que têm domínio do fato, aqueles que ditam o momento, ‘execute agora, execute amanhã, entre em tal local’, eles também são autores”, afirmou Martinez.

Na sequência, o delegado apresentou a posição da investigação especificamente sobre Carlos Henrique.

“Deixando esclarecido, o que a Polícia Civil sustenta mediante as provas angariadas é que o Carlos Henrique é o coordenador de todos esses atos de execução”, declarou.

A afirmação da PCPR não representa uma condenação. A participação de Carlos Henrique e dos demais investigados ainda deverá ser analisada no decorrer do processo, com direito à defesa e ao contraditório.

Defesa quer acesso integral ao inquérito

Renan Farah Nogueira também afirmou que, após as capturas, espera obter acesso integral aos autos da investigação. Segundo o advogado, durante o período em que os investigados estavam foragidos, havia a justificativa de que a liberação de determinadas informações poderia prejudicar as diligências policiais.

“Agora, não tem mais desculpa para nós termos acesso integral ao processo, uma vez que já foram presos e não tem mais motivo para a defesa [não] saber por que foram e quais circunstâncias, quais provas trouxeram a sua prisão”, disse.

A defesa afirma que pretende analisar os elementos utilizados para fundamentar as prisões e assegurar que a situação de cada investigado seja avaliada individualmente.

Nogueira também ressaltou que a audiência de custódia não representa um julgamento sobre a participação dos Buscariollo no quádruplo homicídio.

“É importante explicar que a audiência de custódia não é um julgamento e não serve para declarar alguém culpado ou inocente”, afirmou.

Segundo ele, a defesa trabalhará para garantir o respeito às garantias constitucionais dos investigados e evitar conclusões antecipadas em razão da repercussão do caso.

Prisões ocorreram após mais de um ano de investigação

A PCPR investiga desde agosto de 2025 o quádruplo homicídio ocorrido em Icaraíma. Segundo a corporação, mais de 30 pessoas já foram ouvidas e novos elementos reunidos recentemente permitiram à polícia solicitar outros mandados de prisão.

Com a operação desta terça-feira, a PCPR informou ter cumprido todos os mandados que estavam pendentes contra os investigados.

Antônio e Paulo Ricardo foram encontrados na zona rural de Rio das Pedras e tentaram fugir para uma área de mata durante a operação. Carlos Henrique foi localizado em Santa Bárbara d’Oeste, enquanto Carlos Eduardo já estava no sistema prisional paulista.

A investigação continua e, segundo a Polícia Civil, o inquérito caminha para sua conclusão.
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