Alex Nascimento Publisher do OBemdito

Plantação de morangos vira atração com sistema colhe e pague em Lovat

Colhe e pague do Zé Morango, em Lovat, recebe milhares de visitantes durante a safra e oferece morangos frescos, produtos caseiros e turismo rural - Foto: Jean Soriani/OBemdito
Plantação de morangos vira atração com sistema colhe e pague em Lovat
Alex Nascimento - OBemdito
Publicado em 14 de agosto de 2026 às 14h41 - Modificado em 14 de agosto de 2026 às 14h59

Agosto tem cheiro de morango no distrito de Lovat, em Umuarama. Nesta época, a pequena fruta vermelha movimenta propriedades, famílias e visitantes em busca de uma experiência diferente no campo.

A reportagem de OBemdito percorreu cerca de 16 quilômetros pela PR-323, até chegar à Vila Rural São Carlos. Ali, a propriedade de José Carlos da Silva, o Zé Morango, virou ponto de encontro durante a safra.

Ao chegar, a equipe foi recebida por Valéria da Silva Santos, filha do produtor. Pedagoga, ela aproveita as férias escolares para ajudar a família no cultivo e na comercialização dos morangos.

Dentro da propriedade, a produção chamava atenção pela quantidade de frutas recém-colhidas. A família trabalhava na higienização e na embalagem dos morangos destinados à venda naquele dia.

A cena revela uma rotina que se repete durante toda a safra. Além disso, mostra como o cultivo da fruta se transformou em uma atividade que envolve toda a família.

Da esquerda para a direita: Eliane Silva (esposa do sr. José Carlos, Zé Morango), filha Valéria da S. Santos e o filho Emanuel

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Uma história construída com morangos

A relação de José Carlos com os morangos começou em 1989. Na época, ele ainda trabalhava como empregado e decidiu plantar as primeiras mudas para aprender o manejo da cultura.

Com o tempo, ele se mudou para a Estrada Cedro. Ali, continuou trabalhando com morangos e ganhou o apelido que carregaria pela vida: Zé Morango.

Em 1997, José Carlos recebeu um lote na Vila Rural São Carlos, em Lovat. Então, deixou o trabalho como empregado e passou a cultivar seus próprios morangos.

Ele se mudou para a propriedade com a esposa e a filha Valéria. Na época, ela tinha apenas sete anos. Desde então, a produção passou a fazer parte da história da família.

Atualmente, a propriedade mantém cerca de 14 mil pés de morango. O manejo envolve familiares e um colaborador, que acompanham diariamente todas as etapas da produção.

Para 2026, a expectativa é colher aproximadamente 10 toneladas. A produção ocorre principalmente entre julho e agosto, mas pode avançar para setembro conforme as condições climáticas.

O clima, aliás, influencia diretamente a produtividade. A planta precisa de temperaturas amenas e não tolera excesso de chuva durante a formação dos frutos.

Quando chove demais, os morangos podem apodrecer ainda no pé. Por isso, a família precisa acompanhar constantemente a plantação e retirar frutos comprometidos.

Atualmente, seis famílias da Vila Rural de Lovat vivem do cultivo do morango. A fruta, portanto, se tornou uma das principais fontes de renda da agricultura familiar na comunidade.

Colhe e pague

A propriedade ganhou uma nova dinâmica em 2024. Naquele ano, a família decidiu ampliar a atividade e criou o sistema de colhe e pague, permitindo que os visitantes colhessem os próprios morangos.

A proposta rapidamente chamou atenção. Pessoas de diferentes cidades passaram a visitar a propriedade durante a safra, principalmente nos finais de semana.

Segundo Valéria, o movimento também alcançou visitantes de outros países. Ela lembra o caso de uma pessoa que vive em Portugal e programou a viagem ao Brasil para conhecer a plantação.

“Uma pessoa que mora em Portugal, e tem parentes aqui, nos disse que programou sua visita para agosto, só para conhecer a roça de morango”, contou Valéria.

O movimento cresceu ao longo dos anos. No último fim de semana, cerca de 4 mil pessoas passaram pela propriedade, segundo a família.

Entre os visitantes estão famílias, grupos de amigos e excursões escolares. Muitos também procuram o local para registrar imagens e compartilhar a experiência nas redes sociais.

A plantação oferece um cenário diferente para fotografias. As folhas verdes contrastam com os morangos maduros, que acabam virando parte das fotos feitas pelos visitantes.

Como funciona o colhe e pague

A experiência começa na chegada à propriedade. Os visitantes recebem uma caixa e orientações sobre a maneira correta de retirar os morangos sem prejudicar as plantas.

Depois das instruções, eles seguem para a plantação. Ali, podem escolher os frutos maduros e realizar a própria colheita. Ao terminar, o visitante leva os morangos até o espaço de pesagem. A família então pesa, embala e entrega o produto.

O quilo do morango custa R$ 30. Além da fruta fresca, a propriedade oferece outros produtos preparados pela família. Entre as opções estão espetinho de morango, geleia, pamonha, bolo de milho, curau e bebidas. Dessa maneira, o visitante encontra uma experiência que vai além da simples compra da fruta.

Experiências das crianças

Para Valéria, um dos principais resultados do colhe e pague está no conhecimento levado pelos visitantes. A experiência permite observar de perto como o alimento é produzido.

As crianças, principalmente, costumam chegar com ideias diferentes sobre o cultivo. Muitas imaginam que o morango nasce em árvores, antes de conhecerem a planta.

“As crianças chegam aqui e perguntam: onde é o pé de morango, imaginando uma árvore e quando mostramos a planta como ela é eles ficam surpresos”, relatou Valéria.

A propriedade também mantém animais que despertam a curiosidade dos pequenos. Galinhas e patos ajudam a aproximar as crianças de uma realidade distante das telas.

Para muitas delas, a visita representa o contato com o campo. Assim, o passeio reúne lazer, educação e conhecimento sobre a agricultura familiar.

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Morango exige atenção diária

O cultivo exige cuidado durante todo o ciclo. Valéria resume a relação da família com a plantação em uma frase simples: “tem que plantar com amor e carinho”.

A rotina inclui a limpeza constante dos canteiros. Depois das chuvas, o trabalho se intensifica para identificar frutos que apodreceram ou apresentam problemas.

Esses morangos precisam ser retirados rapidamente. Caso contrário, podem prejudicar os frutos sadios que permanecem próximos.

A colheita também não para durante a semana. A família trabalha de segunda a segunda para retirar os frutos maduros no momento adequado.

O ciclo da planta, entretanto, não se repete indefinidamente. Os 14 mil pés cultivados em 2026 não estarão na plantação durante a próxima safra.

Após o encerramento da produção, as plantas antigas são retiradas. Embora ainda possam produzir, a produtividade diminui com o tempo.

A família então prepara a área para o plantio de milho. Depois da colheita, deixa o solo descansar antes de iniciar um novo ciclo.

Somente depois desse processo chegam as novas mudas de morango. Assim, cada safra representa também o começo de uma nova etapa na propriedade.

Morango chega a outras cidades

A produção da família não fica restrita à propriedade. Os morangos também chegam aos consumidores de Umuarama e de outros municípios do Paraná.

Entre os destinos estão Toledo e Marechal Cândido Rondon. A própria família participa da comercialização e realiza vendas de porta em porta.

O trabalho, portanto, envolve todas as etapas da cadeia. A família planta, cuida, colhe, embala e também comercializa parte da produção.

Segundo Valéria, o morango representa hoje a principal fonte de renda dos produtores da Vila Rural e da região. A atividade fortalece a agricultura familiar e mantém famílias trabalhando diretamente no campo. Além disso, criou uma nova possibilidade de turismo rural durante os meses de safra.

“O morango hoje é tudo”

A história de José Carlos ultrapassou a produção agrícola. Para a família, os morangos também ajudaram a construir oportunidades profissionais para os filhos.

Emocionada, Valéria conta o significado da fruta para a trajetória familiar. “O morango hoje é tudo, é o que nos deu o que temos hoje, eu e minha irmã temos uma profissão graças ao morango”, afirmou.

Valéria é formada em pedagogia e trabalha no Colégio de Lovat. Sua irmã, Gabrieli, é formada em administração.

Para Valéria, as conquistas profissionais das duas também fazem parte da história construída pela família no cultivo dos morangos.

Ela demonstra orgulho ao falar do pai. Mais do que o produtor conhecido pelo apelido, José Carlos representa uma história construída durante décadas no campo.

“Tenho orgulho de falar que sou filha do Zé Morango”, afirma Valéria ao lembrar a trajetória do pai.

Colhe e pague do Zé Morango, em Lovat, recebe milhares de visitantes durante a safra e oferece morangos frescos, produtos caseiros e turismo rural – Foto: Jean Soriani/OBemdito

Um encontro que se repete todos os anos

O colhe e pague mudou a relação da família com os visitantes. O espaço deixou de ser apenas uma propriedade produtora e passou a receber pessoas durante toda a safra.

Para Valéria, cada visitante traz uma história diferente. Famílias retornam, grupos fazem novas amizades e algumas pessoas transformam a visita em uma tradição anual.

“O colhe e pague traz até nós histórias, famílias, grupos que se tornam nossos amigos”, resume.

Segundo ela, a atividade não representa apenas uma relação comercial. O principal resultado está no encontro entre pessoas proporcionado pela plantação.

“Não é meramente um comércio, mas sim um encontro de pessoas que acontece todos os anos e nos traz muita alegria”, acrescenta.

No fim, a roça de Zé Morango mostra que o morango vai muito além da fruta. Entre canteiros, famílias e visitantes, a propriedade preserva uma tradição construída com trabalho e dedicação.

Durante a safra, o colhe e pague transforma cada visita em uma experiência de contato com o campo, aproximando pessoas da agricultura familiar e mantendo viva uma história que começou há décadas

Serviço

O colhe e pague do Zé Morango funciona no lote 9 da Vila Rural São Carlos, no distrito de Lovat, em Umuarama.

A propriedade fica próxima na PR-323, a aproximadamente 15 quilômetros de Umuarama. O atendimento ocorre diariamente, das 8h às 17h.

A família recomenda que os visitantes entrem em contato antes da viagem. Em alguns dias, a propriedade realiza trabalhos de limpeza e pode haver pouca quantidade de morangos disponíveis para colheita.

O contato para confirmar a disponibilidade é (44) 98837-0880, que também atende pelo WhatsApp.

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