A Fazenda Tiburi segue sem definição judicial, enquanto o Incra aguarda a desocupação da área e o MST mantém o acampamento às margens da propriedade (Foto Danilo Martins/OBemdito)
Passados cerca de seis meses desde o início da crise agrária na Fazenda Tiburi, em Perobal, o impasse envolvendo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o ocupante da área permanece sem definição.
Em resposta ao OBemdito, o Incra informou que o ocupante irregular, alvo de uma Ação Civil Pública, continua na propriedade mesmo após ter sido notificado administrativamente para deixar o imóvel de forma voluntária.
Segundo o instituto, foi protocolado um pedido de cumprimento da sentença para garantir a desocupação da área. No entanto, até o momento, a Justiça ainda não analisou o requerimento.
RELEMBRE: MST transfere acampamento para fazenda em Perobal e Incra tenta conciliar crise agrária
Enquanto aguarda a decisão judicial, o Incra reiterou que continua reivindicando a destinação da Fazenda Tiburi ao Programa Nacional de Reforma Agrária.
A nova manifestação do órgão também indica uma mudança em relação ao cenário registrado no início do ano. Em janeiro, o Incra havia informado que duas famílias ocupavam a área.
Agora, conforme a resposta encaminhada à reportagem, apenas um ocupante irregular permanece no imóvel.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra informou que o acampamento Benedito Gomes continua instalado em Perobal e permanece mobilizado pela criação de um assentamento na Fazenda Tiburi.
Segundo a assessoria de comunicação do MST no Paraná, trata-se da mesma comunidade que anteriormente estava acampada nas proximidades das Três Placas, em Umuarama.
Com a transferência para Perobal, o grupo manteve o mesmo nome e passou a concentrar suas atividades na área em disputa.
De acordo com o movimento, atualmente a organização regional está estruturada em dois territórios.
O primeiro é o Assentamento Nossa Senhora Aparecida, em Mariluz, onde vivem aproximadamente 240 famílias assentadas há mais de duas décadas.
O segundo é o acampamento Benedito Gomes, em Perobal, que segue pressionando para que a área seja destinada à reforma agrária.
A disputa pela Fazenda Tiburi ganhou repercussão no início deste ano, quando dezenas de famílias do MST transferiram o acampamento Benedito Gomes para uma área marginal da propriedade, que possui cerca de 215 hectares reconhecidos judicialmente como pertencentes ao Incra.
Desde então, o instituto vem tentando concluir o processo de desocupação para implantar um projeto de assentamento destinado a agricultores familiares.
No período, a área também foi alvo de denúncias de pulverização de agrotóxicos que teriam atingido famílias acampadas, caso acompanhado pelo Incra e pelos órgãos competentes.
Até esta terça-feira (21), entretanto, a situação permanecia indefinida. O desfecho do caso depende da análise do pedido de cumprimento de sentença apresentado pelo Incra à Justiça.
(Com imagens de Danilo Martins/OBemdito)
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