Foto de Rudson de Souza Rudson de Souza Publisher do OBemdito

Seis meses depois, disputa pela Fazenda Tiburi segue sem definição em Perobal

Seis meses depois, disputa pela Fazenda Tiburi segue sem definição em Perobal
A Fazenda Tiburi segue sem definição judicial, enquanto o Incra aguarda a desocupação da área e o MST mantém o acampamento às margens da propriedade (Foto Danilo Martins/OBemdito)
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Publicado em 21 de julho de 2026 às 16h23 - Modificado em 21 de julho de 2026 às 20h02

Passados cerca de seis meses desde o início da crise agrária na Fazenda Tiburi, em Perobal, o impasse envolvendo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o ocupante da área permanece sem definição.

Em resposta ao OBemdito, o Incra informou que o ocupante irregular, alvo de uma Ação Civil Pública, continua na propriedade mesmo após ter sido notificado administrativamente para deixar o imóvel de forma voluntária.

Segundo o instituto, foi protocolado um pedido de cumprimento da sentença para garantir a desocupação da área. No entanto, até o momento, a Justiça ainda não analisou o requerimento.

RELEMBRE: MST transfere acampamento para fazenda em Perobal e Incra tenta conciliar crise agrária

Enquanto aguarda a decisão judicial, o Incra reiterou que continua reivindicando a destinação da Fazenda Tiburi ao Programa Nacional de Reforma Agrária.

A nova manifestação do órgão também indica uma mudança em relação ao cenário registrado no início do ano. Em janeiro, o Incra havia informado que duas famílias ocupavam a área.

Agora, conforme a resposta encaminhada à reportagem, apenas um ocupante irregular permanece no imóvel.

O Incra informou que apenas um ocupante irregular permanece na Fazenda Tiburi, enquanto o MST segue reivindicando a destinação da área à reforma agrária

Acampamento permanece em Perobal

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra informou que o acampamento Benedito Gomes continua instalado em Perobal e permanece mobilizado pela criação de um assentamento na Fazenda Tiburi.

Segundo a assessoria de comunicação do MST no Paraná, trata-se da mesma comunidade que anteriormente estava acampada nas proximidades das Três Placas, em Umuarama.

Com a transferência para Perobal, o grupo manteve o mesmo nome e passou a concentrar suas atividades na área em disputa.

De acordo com o movimento, atualmente a organização regional está estruturada em dois territórios.

O primeiro é o Assentamento Nossa Senhora Aparecida, em Mariluz, onde vivem aproximadamente 240 famílias assentadas há mais de duas décadas.

O segundo é o acampamento Benedito Gomes, em Perobal, que segue pressionando para que a área seja destinada à reforma agrária.

Passados seis meses do início da crise agrária, o Incra ainda aguarda decisão da Justiça para retirar o ocupante irregular da Fazenda Tiburi

Histórico

A disputa pela Fazenda Tiburi ganhou repercussão no início deste ano, quando dezenas de famílias do MST transferiram o acampamento Benedito Gomes para uma área marginal da propriedade, que possui cerca de 215 hectares reconhecidos judicialmente como pertencentes ao Incra.

Desde então, o instituto vem tentando concluir o processo de desocupação para implantar um projeto de assentamento destinado a agricultores familiares.

No período, a área também foi alvo de denúncias de pulverização de agrotóxicos que teriam atingido famílias acampadas, caso acompanhado pelo Incra e pelos órgãos competentes.

Até esta terça-feira (21), entretanto, a situação permanecia indefinida. O desfecho do caso depende da análise do pedido de cumprimento de sentença apresentado pelo Incra à Justiça.

(Com imagens de Danilo Martins/OBemdito)

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