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Graça Milanez Publisher do OBemdito

Safra de laranja gera renda no campo e abastece cidades da região de Umuarama

Atividade compensa: Márcio das Neves, um dos proprietários do Sítio dos Portugueses - Fotos: Danilo Martins/OBemdito
Safra de laranja gera renda no campo e abastece cidades da região de Umuarama
Graça Milanez - OBemdito
Publicado em 14 de junho de 2026 às 12h10 - Modificado em 14 de junho de 2026 às 15h21

É tempo de laranja. Nas feiras livres, nas bancas de frutas espalhadas pelas cidades, nos mercados de bairro e até no suco servido em padarias, lanchonetes e restaurantes da região de Umuarama, a fruta chega ao consumidor pelas mãos de pequenos produtores rurais que encontram na citricultura uma importante fonte de renda.

Isso significa que, muitas vezes, a laranja ou o suco dela percorre poucos quilômetros entre o pomar e o copo. Segundo dados do Deral (Departamento de Economia Rural) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a região de Umuarama cultiva 1,2 mil hectares, colhe 40,4 mil toneladas e movimenta R$ 73,9 milhões [números do biênio 2023/2024].

Márcio exibe penca de laranja do seu pomar: são 1,2 mil pés em produção

Cruzeiro do Oeste aparece no topo da lista com cerca de 1,1 mil hectares plantados [o município responde sozinho por cerca de 86% de toda a área cultivada com citros do núcleo regional da SEAB], produzindo 35 mil toneladas e movimentando R$ 63,9 milhões.

É que lá está um dos maiores pomares do Paraná, o da Citrospar, na Fazenda Urupês. O projeto, iniciado em 2008, abastece exclusivamente a indústria de sucos da marca Prat’s.

Ao redor desse imenso laranjal surgiram vários médios e pequenos laranjais, resultado de políticas de fomento agrícola que fizeram de Cruzeiro do Oeste deslanchar nesse setor. OBemdito foi conferir o do Sítio dos Portugueses.

Márcio Neves e o irmão Maurício Neves, que estão à frente da administração do sítio

Há trinta anos, laranja foi opção de diversificação

Com aproximadamente 50 hectares, o Sítio dos Portugueses, da família Neves, no passado, foi dedicado inteiramente ao cultivo de café; há 30 anos, em busca de diversificação de renda, entre outras opções, os proprietários investiram na citricultura, que hoje ocupa mais de 2,4 hectares.

Um dos proprietários, Márcio das Neves, 44 anos, conta que a colheita segue em ritmo intenso nesta época do ano. “Temos 1.200 pés em produção, das variedades pera e folha murcha. Em média, cada pé produz cerca de 100 quilos de laranja por safra”, informa.

“Tudo o que a gente colhe tem saída; uma parte entregamos diretamente para fruteiros de rua e feirantes e outra vendemos na minha banca, nas feiras de domingo, em Umuarama”, acrescenta.

Boa produtividade: pomar da família Neves ocupa uma área de 2,4 hectares

Lavoura em crescimento

Satisfeito com os resultados, os Neves estão aos poucos expandindo a lavoura: há um ano plantaram 250 pés e mais 400 mudas deverão ser implantadas em breve. “Já temos a terra pronta”, avisa.

Mas ele sabe que, apesar da boa produtividade, o momento exige cautela, principalmente no combate das doenças, como o greening [a mais destrutiva dos citros], que preocupa bastante os citricultores [do Brasil e exterior].

Conscientes da situação, os Neves adquiriram o pulverizador ‘turbo-atomizador’, ideal para que os defensivos alcancem o interior das copas densas das laranjeiras. “Foi um investimento alto, mas necessário. Aliás, o custo de produção, de modo geral, é alto”, salienta.

Ainda assim, segundo ele, a atividade continua compensando. “A comercialização direta, como fazemos, sem os grandes intermediários, ajuda a manter a rentabilidade… A gente trabalha bastante, mas é uma atividade que continua valendo a pena para nós.”

Em grande escala: Laranja no Paraná ocupa 21 mil hectares; Estado é o terceiro maior produtor do Brasil

Paraná, terceiro produtor do Brasil

O Brasil se destaca como o maior produtor mundial de laranjas, com 16,2 milhões de toneladas/ano. E também é o maior fornecedor de suco de laranja concentrado.

No cenário estadual, a citricultura é a principal atividade da fruticultura paranaense. Ela ocupa 53,7% dos 55,2 mil hectares destinados ao cultivo de frutas, segundo o Deral. Os líderes são os municípios de Paranavaí [laranja], Cerro Azul [tangerina] e Altônia [limão].

O Noroeste do Paraná é considerado o principal polo citrícola do Estado e ocupa posição de destaque no cenário nacional, sendo o terceiro maior produtor de laranja do Brasil [perde para São Paulo e Minas Gerais], sendo o maior volume destinado à industrialização de suco.

Terra favorável: Região Noroeste responde por 50% da laranja produzida no Paraná

Na região de Umuarama, além de Cruzeiro do Oeste e Altônia, também se destacam São Jorge do Patrocínio, Perobal, Umuarama, Maria Helena e Tapira. Apesar da força da produção regional, a maior fatia dos citros encontrados nas gôndolas de supermercados e redes atacadistas ainda vem de outras regiões produtoras do Paraná e do estado de São Paulo.

Região Noroeste tem mais de dez fábricas de suco integral de laranja; uma delas é a gigantesca Prats (Foto empresa Prats)

Leia também: Com mais de dez mil pés, lavoura de limão da família Sakazaki é destaque na região.

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