Política

Defesa de vereador foragido protocola licença e justificativa de faltas na Câmara de Xambrê

A crise institucional envolvendo o presidente da Câmara Municipal de Xambrê, vereador Ademir Leite da Silva (PL), conhecido como Ademir Cabeção, ganhou um novo capítulo após a defesa do parlamentar protocolar oficialmente pedidos de justificativa de faltas e de licença junto ao Legislativo municipal.

A informação foi confirmada por meio de nota divulgada a OBemdito, na manhã desta quarta-feira (27), pelo vice-presidente em exercício da Câmara, vereador Edinalvo Lima Venturi, responsável atualmente pela condução dos trabalhos legislativos diante da ausência do presidente da Casa.

Segundo o comunicado, os documentos apresentados pela defesa foram recebidos pela Câmara e encaminhados para análise técnica da Procuradoria Jurídica e da Comissão de Justiça e Redação, que deverão emitir pareceres sobre a legalidade e os efeitos regimentais dos pedidos.

“O Vereador Edinalvo Lima Venturi, Vice-Presidente em exercício da Câmara Municipal, informa que foi protocolado junto à Casa Legislativa, pela defesa do Vereador Ademir Leite da Silva, um pedido de justificativa de faltas, bem como um pedido de licença, ambos apresentados na forma regimental”, diz trecho da nota.

O posicionamento ocorre após a terceira sessão ordinária consecutiva sem a presença de Ademir Cabeção, realizada na noite da última segunda-feira (25). A ausência do vereador havia ampliado a pressão política sobre o caso, principalmente porque o regimento interno da Câmara prevê a possibilidade de perda de mandato em situações de faltas sucessivas não justificadas.

Com a formalização do pedido de licença, porém, a discussão passa agora a depender da análise técnica e jurídica da Casa Legislativa, que deverá avaliar se os requerimentos atendem às exigências regimentais e quais consequências poderão produzir sobre a situação parlamentar do vereador.

Mandado de prisão segue em aberto

Ademir Cabeção permanece foragido desde o início de maio, quando fugiu durante o cumprimento de um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça da comarca de Xambrê.

O caso ganhou repercussão estadual após a divulgação de vídeos registrados no momento em que policiais civis chegaram à residência do parlamentar para cumprir a ordem judicial.

SAIBA MAIS: Ausência em sessões pode derrubar presidente foragido da Câmara de Xambrê; vídeo

Nas imagens, o vereador aparece conversando com os agentes e afirmando que colaboraria com o procedimento. Em seguida, pede autorização para trocar de calçado e pegar documentos pessoais no quarto da residência. Enquanto os policiais aguardavam na sala, ele escapou pelos fundos do imóvel, atravessando terrenos vizinhos e pulando muros.

Dias depois, o delegado Antônio Romeiro confirmou oficialmente a fuga e informou que diligências continuavam sendo realizadas para localizar o parlamentar.

A prisão preventiva foi decretada com base no artigo 24-A da Lei Maria da Penha, que trata do descumprimento de medidas protetivas de urgência.

Defesa alegou dificuldades de acesso aos autos

Na ocasião, o advogado Victor Umberto Santos Serutti afirmou que o cliente “não aceitou o mandado de prisão” e decidiu fugir.

A defesa também sustentou que encontrou dificuldades para acessar o inquérito policial, que tramita sob segredo de Justiça. Segundo o advogado, foi necessário acionar a Comissão de Prerrogativas da OAB para garantir acesso aos autos.

Apesar de ter afirmado anteriormente que orientaria o vereador sobre eventual apresentação voluntária à polícia, Ademir segue sem se apresentar às autoridades até o momento.

Clima político segue tenso

Nos bastidores da Câmara de Xambrê, o caso continua provocando desgaste político e preocupação institucional. Embora vereadores evitem manifestações públicas mais contundentes, há receio sobre os impactos administrativos e políticos da prolongada ausência do presidente eleito da Casa.

Enquanto a análise dos pedidos apresentados pela defesa avança internamente, o mandado de prisão preventiva continua em vigor, e Ademir Cabeção segue sendo considerado foragido pela Polícia Civil.

Rudson de Souza

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