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Rudson de Souza Publisher do OBemdito

Ausência em sessões pode derrubar presidente foragido da Câmara de Xambrê; vídeo

Ausência em sessões pode derrubar presidente foragido da Câmara de Xambrê; vídeo
Rudson de Souza - OBemdito
Publicado em 26 de maio de 2026 às 12h16 - Modificado em 26 de maio de 2026 às 12h17

A terceira sessão consecutiva da Câmara Municipal de Xambrê sem a presença do presidente da Casa, vereador Ademir Leite da Silva (PL), o Ademir Cabeção, realizada na noite desta segunda-feira (25), ampliou a pressão política e jurídica sobre o parlamentar, que permanece foragido da Justiça.

Com a nova ausência, o caso passou a esbarrar diretamente nas regras do regimento interno do Legislativo municipal, que prevê a possibilidade de perda de mandato em situações de faltas sucessivas não justificadas às sessões ordinárias.

Ademir está com mandado de prisão preventiva em aberto desde o início do mês, após fugir durante uma tentativa de cumprimento da ordem judicial em sua residência, na noite de 7 de maio. Desde então, ele não voltou a participar das atividades legislativas presenciais e tampouco foi localizado pelas autoridades.

Na sessão desta segunda-feira, a cadeira da presidência voltou a ficar vazia, enquanto vereadores conduziram normalmente os trabalhos legislativos. Nos bastidores, o clima é de insegurança institucional e expectativa sobre quais medidas poderão ser adotadas pela Câmara diante da prolongada ausência do chefe do Legislativo.

O OBemdito entrou em contato com a Procuradoria Jurídica da Câmara de Xambrê para esclarecer quais providências poderão ser tomadas diante da situação e se já existe análise formal sobre eventual cassação do mandato. Até a publicação desta reportagem, porém, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

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Fuga durante cumprimento de mandado

O caso ganhou repercussão estadual após a divulgação de imagens da noite em que policiais civis tentaram cumprir o mandado de prisão preventiva contra o vereador.

Conforme apurado à época, Ademir Cabeção conversava com policiais e chegou a afirmar que colaboraria com o procedimento. O delegado informou que havia contra ele uma ordem judicial de prisão preventiva.

Em determinado momento, o vereador pediu autorização para trocar de calçado e pegar documentos pessoais no quarto da residência. Enquanto os policiais aguardavam na sala, ele fugiu pelos fundos do imóvel, passando por terrenos vizinhos e pulando muros.

Dias depois, o delegado Antônio Romeiro confirmou oficialmente a fuga e informou que diligências continuavam sendo realizadas para localizar o parlamentar.

A prisão preventiva foi decretada pela Justiça da comarca de Xambrê com base no artigo 24-A da Lei Maria da Penha, relacionado ao descumprimento de medida protetiva.

Defesa alegou dificuldades de acesso ao processo

Após a fuga, o advogado de Ademir, Victor Umberto Santos Serutti, afirmou que o cliente “não aceitou o mandado de prisão” e decidiu se evadir.

A defesa também alegou dificuldades para acessar os autos do inquérito, que tramita sob segredo de Justiça. Segundo o advogado, foi necessário acionar a Comissão de Prerrogativas da OAB para garantir acesso às informações do processo.

Na ocasião, Serutti afirmou que orientaria o cliente sobre uma possível apresentação voluntária à polícia, o que não ocorreu até o momento.

Pressão política aumenta

A ausência prolongada do presidente da Câmara ocorre em meio ao desgaste político provocado pela repercussão do caso na cidade.

Nos corredores do Legislativo, vereadores evitam declarações públicas mais contundentes, mas admitem reservadamente preocupação com os reflexos institucionais da situação.

Além da possibilidade de perda do mandato prevista no regimento interno, o caso também reacende discussões sobre ética parlamentar, responsabilidade institucional e o funcionamento administrativo da Câmara sem a presença do presidente eleito.

Enquanto isso, o mandado de prisão segue em aberto e Ademir Cabeção continua sendo considerado foragido pela Polícia Civil.

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