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Papa Leão XIV completa um ano de pontificado marcado por viagens, apelos pela paz e reformas

Primeiro papa norte-americano celebrou 12 meses à frente da Igreja Católica com missões diplomáticas, defesa do diálogo e foco nas periferias sociais - Foto: Vatican News
Papa Leão XIV completa um ano de pontificado marcado por viagens, apelos pela paz e reformas
Alex Nascimento - OBemdito
Publicado em 8 de maio de 2026 às 15h47 - Modificado em 10 de maio de 2026 às 22h11

O Papa Leão XIV completa neste 8 de maio de 2026 o primeiro ano de pontificado à frente da Igreja Católica. Os últimos 12 meses foram marcados por viagens internacionais, articulações diplomáticas, encontros religiosos, reformas administrativas e sucessivos apelos públicos pela paz em regiões atingidas por guerras e crises humanitárias.

A eleição do pontífice ocorreu em 8 de maio de 2025, após um conclave considerado rápido no Vaticano. A fumaça branca surgiu da Capela Sistina diante de milhares de fiéis reunidos na Praça São Pedro. Pouco depois, o então cardeal Robert Francis Prevost foi apresentado oficialmente como o 267º sucessor de Pedro e escolheu o nome de Leão XIV.

Natural de Chicago, nos Estados Unidos, o pontífice possui forte ligação com a América Latina após mais de duas décadas de atuação missionária no Peru. Integrante da Ordem Agostiniana, ele também atuou como bispo, pároco, professor e prefeito do Dicastério para os Bispos antes de assumir o comando da Igreja Católica.

Logo na primeira aparição pública, o novo papa colocou a paz no centro do discurso. A expressão “Que a paz esteja com todos vocês” abriu oficialmente o pontificado e passou a simbolizar a principal marca do primeiro ano de governo pastoral.

Diplomacia e bastidores marcaram atuação do Vaticano

Ao longo dos últimos meses, Leão XIV intensificou a atuação diplomática do Vaticano em conflitos internacionais. O papa recebeu líderes da Palestina e de Israel, promoveu encontros com representantes do Hezbollah no Líbano e retomou contatos diretos com autoridades russas e ucranianas.

O pontífice também defendeu negociações para encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia. Poucos dias após a eleição, o Vaticano se colocou à disposição para sediar possíveis diálogos de paz. A proposta recebeu apoio da Ucrânia e resistência da Rússia.

Durante entrevistas e pronunciamentos, Leão XIV afirmou que grande parte do trabalho diplomático da Igreja acontece “nos bastidores”. Segundo ele, o objetivo da Santa Sé é convencer os envolvidos em guerras a abandonarem a violência e retomarem o diálogo.

A defesa da paz também gerou reações políticas. Após críticas do papa a conflitos militares e ao rearmamento internacional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu publicamente contra declarações do pontífice relacionadas à guerra envolvendo Irã e Estados Unidos.

Mesmo diante das críticas, Leão XIV reforçou que sua missão é pastoral e não política. Em uma das declarações mais repercutidas do ano, o papa afirmou que a Igreja deve anunciar o Evangelho e defender a paz independentemente das pressões externas.

Viagens internacionais reforçaram aproximação com periferias

O primeiro ano de pontificado também foi marcado por intensas viagens apostólicas. O papa visitou países do Oriente Médio, da África e da Europa, com foco em regiões afetadas por guerras, pobreza, migração e conflitos religiosos.

Entre os principais compromissos internacionais estiveram as viagens à Turquia e ao Líbano. No Oriente Médio, Leão XIV participou das celebrações pelos 1.700 anos do Concílio de Niceia e realizou encontros ecumênicos com líderes cristãos e representantes de outras religiões.

No Líbano, o pontífice visitou áreas atingidas por crises econômicas e conflitos armados. Uma das imagens mais marcantes da viagem foi a oração silenciosa diante da destruição provocada pela explosão no porto de Beirute, ocorrida em 2020.

A peregrinação africana também ganhou destaque no cenário internacional. O papa visitou Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial. Durante os encontros, defendeu justiça social, combate à pobreza, respeito aos direitos humanos e distribuição igualitária de recursos.

Em Angola, o pontífice criticou a desigualdade social em um país rico em petróleo e diamantes, mas ainda marcado pela extrema pobreza. Na Guiné Equatorial, pediu políticas de ressocialização durante visita a uma prisão com centenas de detentos.

Juventude, diálogo e combate às divisões internas

Leão XIV também concentrou parte importante do pontificado na aproximação com os jovens. O Jubileu da Esperança reuniu mais de um milhão de pessoas em Roma entre julho e agosto de 2025.

Durante os eventos, o papa incentivou os jovens a construírem relações autênticas e evitarem a superficialidade das conexões digitais. Em diversos discursos, o pontífice destacou a importância da solidariedade, da espiritualidade e da participação social das novas gerações.

O diálogo se transformou em uma das palavras mais repetidas nos pronunciamentos do papa ao longo do primeiro ano. Leão XIV passou a defender abertamente a superação das polarizações políticas, sociais e religiosas dentro e fora da Igreja.

O pontífice também buscou enfrentar divisões internas relacionadas à liturgia e à condução pastoral da Igreja Católica. Em reuniões com cardeais e bispos, defendeu maior colegialidade e participação conjunta nas decisões do Vaticano.

Reforma da Cúria e atenção aos migrantes

Além das viagens e discursos internacionais, o papa promoveu mudanças internas importantes na estrutura do Vaticano. Leão XIV realizou nomeações estratégicas na Cúria Romana e iniciou ajustes na administração financeira da Santa Sé.

Entre as medidas adotadas estão alterações nos mecanismos de investimentos do Vaticano, novas regras administrativas e iniciativas voltadas à inclusão de pessoas com deficiência no ambiente de trabalho da Santa Sé.

A questão migratória também ganhou destaque no pontificado. Em discursos públicos, o papa criticou o tratamento dispensado a migrantes em diferentes países e denunciou situações de desumanização enfrentadas por refugiados.

Leão XIV ainda anunciou visitas a Lampedusa e às Ilhas Canárias, regiões que enfrentam intenso fluxo migratório. Segundo o pontífice, a defesa dos mais vulneráveis faz parte da missão central da Igreja Católica.

Pontificado entra no segundo ano com expectativa de novas viagens

Após um primeiro ano marcado por intensa atividade diplomática e missionária, o Vaticano já prepara novas viagens internacionais do papa para os próximos meses. Uma visita à América Latina está entre os compromissos mais aguardados.

A expectativa também envolve a publicação da primeira encíclica de Leão XIV, documento considerado um dos principais instrumentos doutrinários do pontificado.

Ao completar um ano na Sé de Pedro, o papa consolida um perfil marcado pela defesa da paz, pela diplomacia ativa e pela atenção às periferias sociais, religiosas e humanitárias.

Com informações: Vatican News

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