Datafolha indica empate técnico no 2º turno e avanço de Flávio Bolsonaro sobre Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece em situação de empate técnico nos principais cenários de segundo turno das eleições de 2026, segundo pesquisa do Datafolha. Pela primeira vez na série recente, o senador Flávio Bolsonaro (PL) surge numericamente à frente, com 46% das intenções de voto, contra 45% do petista.
Nos confrontos com outros nomes da direita, Lula marca 45% diante de 42% tanto do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), quanto do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Em todos os casos, a diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
O levantamento foi realizado entre os dias 7 e 9, com 2.004 entrevistados em 137 municípios, e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-03770/2026.
Esta é a primeira rodada após a definição de Caiado como pré-candidato do PSD, decisão tomada na semana anterior. Entre os adversários testados, o governador goiano foi o que mais cresceu em relação à pesquisa de início de março, reduzindo a distância para Lula de dez para dois pontos percentuais.
No mesmo período, Flávio Bolsonaro avançou três pontos, enquanto Zema foi incluído pela primeira vez nos cenários de segundo turno.
A configuração atual reforça a probabilidade de segundo turno. Considerando apenas votos válidos — critério adotado pela Justiça Eleitoral —, Lula soma 45%, enquanto seus adversários atingem, juntos, 55%, em números arredondados. Para vencer, é necessário obter ao menos 50% mais um dos votos válidos.
Especialistas, porém, recomendam cautela na leitura dos dados, já que o índice de indecisos e de votos brancos e nulos tende a cair à medida que a eleição se aproxima.
No primeiro turno, a pesquisa indica consolidação de uma polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro. Na modalidade espontânea, o presidente oscila de 25% para 26%, enquanto o senador sobe de 12% para 16%. Caiado aparece com 2%.
Na pesquisa estimulada, Lula mantém 39%, e Flávio avança de 33% para 35%, aproximando-se do limite da margem de erro. Já Caiado oscila de 4% para 5%, e Zema, de 5% para 4%.
Outros nomes têm desempenho residual: Renan Santos (Missão) varia de 3% para 2%; Aldo Rebelo (DC), de 2% para 1%; e Cabo Daciolo (Mobiliza) aparece com 1%. Brancos e nulos somam 10%, e 4% dizem não saber em quem votar.
Os índices de rejeição permanecem elevados e refletem a polarização. Lula é rejeitado por 48% dos entrevistados, enquanto 46% dizem não votar em Flávio Bolsonaro. O nível de conhecimento dos dois também é alto: 99% afirmam conhecer o presidente e 93%, o senador.
Nesse quesito, Zema e Caiado apresentam menor rejeição e maior desconhecimento. O governador mineiro é desconhecido por 56% e rejeitado por 17%, enquanto o goiano registra 54% de desconhecimento e 16% de rejeição.
O recorte por perfil do eleitorado mantém padrões já observados. Lula tem melhor desempenho entre os menos escolarizados (50%), os mais pobres (44%) e os eleitores do Nordeste (55%). Já Flávio Bolsonaro se destaca entre os mais ricos e entre eleitores evangélicos, grupo no qual atinge 49% das intenções, contra 25% do presidente.
Entre católicos, Lula lidera com 43%, ante 30% do senador. Nos segmentos intermediários de renda e nas demais candidaturas, a distribuição do voto é mais homogênea, com destaque regional para Caiado no Norte/Centro-Oeste.
O cenário, ainda inicial, indica disputa aberta e dependente da evolução das candidaturas e da redução do contingente de indecisos ao longo da campanha.
(Com informações da Folha Press)





