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PMs presos em Umuarama são suspeitos de integrar esquema de contrabando há pelo menos três anos

PMs presos em Umuarama são suspeitos de integrar esquema de contrabando há pelo menos três anos
Luiz Fernando - OBemdito
Publicado em 25 de março de 2026 às 11h11 - Modificado em 25 de março de 2026 às 12h52

A Operação Aliança, deflagrada na manhã desta quarta-feira (25), apura a participação de policiais militares em um esquema de contrabando e descaminho com atuação em Umuarama e região há pelo menos três anos. Cinco agentes foram presos preventivamente durante a ação, que também cumpriu mandados em outras duas cidades.

A ofensiva foi coordenada pelo Núcleo Regional do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Polícia Federal, da Corregedoria da Polícia Militar e do 25º Batalhão da PM.

Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva, 12 de busca e apreensão, cinco de busca pessoal e três de afastamento das funções. As ordens judiciais partiram da Vara da Auditoria da Justiça Militar Estadual e foram executadas em Umuarama, Iporã e Icaraíma.

Gaeco de Umuarama cumpre mandados de prisão contra cinco policiais militares
Foto: Danilo Martins/OBemdito

“Batedores” e suporte logístico

Segundo o Gaeco, os policiais investigados integravam uma organização criminosa voltada à entrada irregular de mercadorias no país, principalmente celulares e cigarros eletrônicos, em grande volume. A investigação aponta que o grupo atuava há pelo menos três anos.

De acordo com os promotores Guilherme Franchi da Silva Santos e Caio Di Rienzo, os agentes desempenhavam diferentes funções no esquema, como transporte de cargas, atuação como “batedores” e suporte logístico. Também teriam repassado informações sensíveis, como dados sobre operações policiais e escalas de serviço, para facilitar a atividade criminosa.

A logística identificada envolvia o transporte das mercadorias da região de fronteira em veículos menores até Umuarama. Em seguida, os produtos eram transferidos para caminhões e distribuídos para diversas regiões do Paraná e outros estados.

Entre os cinco presos, três são policiais da ativa e dois da reserva. Eles estariam vinculados ao 25º Batalhão da PM e à 4ª Cia do BPFron (Batalhão de Polícia de Fronteira) de Umuarama. Durante a operação, também foram realizadas buscas em locais como a 4ª Companhia do Batalhão de Polícia de Fronteira, o 25º BPM, um restaurante e uma sala na Secretaria de Trânsito (Sestram) do município.

Uma pessoa foi presa em flagrante por obstrução de justiça. As equipes apreenderam celulares, documentos, anotações, armamentos, fardamentos e equipamentos operacionais.

Foto: MPPR

Valor expressivo

As investigações indicam que havia uma liderança responsável por organizar a logística do esquema e fazer a ligação entre os contrabandistas e os policiais. O valor movimentado pelo grupo é considerado expressivo, mas não foi divulgado.

Segundo o Gaeco, os investigados atuavam diretamente no apoio ao contrabando, e não na subtração de cargas já apreendidas. O material recolhido será analisado e pode dar origem a novos desdobramentos. O órgão não descarta o envolvimento de outras pessoas, mas afirma que as informações estão sob sigilo.

O tenente-coronel Claudio Longo, comandante interino do 3º Comando Regional da PM informou, durante a coletiva, que a Polícia Militar não compactua com desvios de conduta e informou que irá instaurar procedimentos administrativos para apurar a permanência dos envolvidos na corporação.

Os presos devem ser encaminhados para a região metropolitana de Curitiba.

Foto: Danilo Martins/OBemdito

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