Réu por feminicídio, Carlos Adriano afirma que agiu para se defender de ataque de Vanessa
A sessão do Tribunal do Júri que acontece nesta quarta-feira (11) em Umuarama teve sequência com o depoimento do réu. Carlos Adriano Botelho de Assis, 46 anos, é acusado assassinar a ex-namorada Vanessa dos Santos da Cunha, 28 anos. O crime aconteceu no dia 28 de outubro de 2022, na casa do denunciado, localizada na avenida Olinda.
O réu começou dizendo que os dois se conheceram em 2021 através de uma colega de Vanessa. Ele disse que teve um relacionamento com essa colega, que durou pouco tempo. Posteriormente, Vanessa conseguiu seu número de telefone e entrou em contato. Os dois começaram a conversar e acabaram se envolvendo amorosamente. Carlos Adriano contou que o relacionamento durou pouco mais de dois meses.
Na sequência, o acusado começou a contar sobre o dia do crime. O réu passou a dizer que, ao contrário do que falou logo após o ocorrido e nos dias subsequentes, os fatos não aconteceram às 4h30 da madrugada, mas sim por volta das 7h da manhã. Ele explicou que estava desorientado quando informou esse horário.
Carlos Adriano continuou afirmando que dormiu em seu quarto e deixou a porta aberta por causa do cachorrinho. Ele teria dado um lençol e um travesseiro para Vanessa dormir no sofá.
De acordo com o réu, quando já era de manhã, ele acordou com Vanessa no quarto, ela havia trancado a porta e retirado a chave. O homem afirmou que a ex-namorada teria usado cocaína em cima de uma apostila, sendo que ele bateu nesse caderno para derrubar a droga e ela teria ficado brava.
Seguindo com seu depoimento, Carlos Adriano afirmou que escutou barulho de passos no quintal. O homem falou acreditar que eram dois invasores que tentaram abrir a janela do quarto dos fundos do imóvel. Em seguida, ele teria batido com um cabideiro na parede que divide o quintal com o vizinho Paulo e gritou para ele chamar a polícia.
Depois de um tempo o vizinho respondeu e disse que já tinha acionado a Polícia Militar. Carlos Adriano afirmou que na sequência escutou esse suposto invasor correndo, ou seja, saindo do quintal.
Discussão e agressões fatais
Os fatos seguiram com a discussão dos envolvidos. O réu contou que Vanessa teria arremessado duas garrafas de vidro contra ele, sendo que uma o acertou de raspão no ombro. As garrafas quebraram e os cacos ficaram espalhados pelo chão.
Conforme o acusado, a vítima pegou uma faca debaixo da cama, que ele acredita que Vanessa tinha deixado lá premeditadamente. E, em seguida, a mulher o teria atacado. O ataque resultou em cortes em diferentes locais do corpo, sendo o mais grave na mão.
Carlos Adriano disse que conseguiu tirar a faca dela e recuou, no entanto, ela teria pegado um caco de vidro para furá-lo.
Então, os dois entraram em luta corporal e chegaram a rolar no chão. O réu, aproveitou este momento para argumentar que os cortes menos profundos que a vítima apresentava, inclusive os ferimentos das costas, seriam decorrentes do contato com os cacos de vidro que estavam no chão.
“Eu sou policial penal e sei onde acertar uma pessoa para matar com apenas um golpe”, disse ele, para justificar o fato de que as 55 perfurações foram decorrentes de uma tentativa dele se defender e/ou ferimentos ocasionados pelos cacos de vidro.
O juiz Adriano Cezar Moreira, que conduz o Tribunal do Júri, finalizou o depoimento do réu perguntando se ele confirmava que agiu para se defender. Carlos Adriano confirmou e acrescentou que este caso não é de feminicídio, até porque eles não tinham mais vínculo. E acrescentou que agiu para se defender.
O promotor do Ministério Público do Paraná (MPPR) não quis inquirir o réu.
Já a equipe da defesa começou pedindo para que fossem colocadas imagens da cena do crime em um televisor. O advogado mostrou detalhadamente alguns elementos do quarto onde o crime aconteceu. Entre esses detalhes, ele indicou as garrafas de vidro que ela teria arremessado contra ele.
A defesa analisou, junto com Carlos Adriano, vários aspectos da cena do crime para mostrar que réu e vítima entraram em luta corporal e que o autor agiu para se defender, não tendo a intenção de assassinar Vanessa.
Por volta das 19h40 o juiz Adriano Cezar Moreira determinou um intervalo para posterior retomada do Tribunal do Júri.





