Bolsonaro recebeu 144 atendimentos médicos em 39 dias na Papuda, diz relatório da PM
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu 144 atendimentos médicos em um intervalo de 39 dias no Complexo da Papuda, em Brasília, segundo relatório do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal.
Bolsonaro está detido desde 15 de janeiro e cumpre pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe. O documento considera o período até 27 de janeiro.
De acordo com o relatório, o ex-presidente teve autorização permanente para visitas de sua esposa, filhos, filha e enteada, sem necessidade de novas decisões judiciais. No mesmo intervalo, foram registradas 36 visitas de terceiros solicitadas pela defesa.
O texto também aponta 13 sessões de fisioterapia, 33 sessões de atividades físicas, como caminhadas, e atendimento por advogados em 29 dias. Houve ainda assistência religiosa em quatro dias, incluindo serviços de capelania.
Segundo o documento, Bolsonaro afirma que costuma dormir por volta das 22h e acordar às 5h, embora geralmente se levante às 8h. Pela manhã, dedica-se à leitura.
Em janeiro, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a leitura de obras como forma de remição de pena no processo relacionado à tentativa de golpe. Entre os autores listados estão Jorge Amado, Machado de Assis, Clarice Lispector, Ariano Suassuna, Marcelo Rubens Paiva, William Shakespeare, Gabriel García Márquez e George Orwell.
Após o almoço, o ex-presidente repousa por cerca de 20 minutos. À tarde, acompanha programas esportivos e conversa com o policial responsável pela guarda externa do alojamento. No fim do dia, realiza caminhada aproximada de um quilômetro na área comum do batalhão.
O laudo médico registra que Bolsonaro apresenta bom estado geral, está consciente e orientado no tempo e no espaço, com memória preservada. O documento aponta ainda melhora de cerca de 80% na qualidade do sono após o início do uso de CPAP para tratamento de apneia obstrutiva do sono.
Na segunda-feira (2), Moraes voltou a negar pedido de prisão domiciliar humanitária feito pela defesa do ex-presidente. Os advogados alegaram quadro clínico complexo, com múltiplas comorbidades, e solicitaram a conversão da pena.
A perícia concluiu que as doenças estão sob controle clínico e medicamentoso e que não há indicação de transferência hospitalar.
Na decisão, Moraes afirmou que as condições da unidade prisional atendem integralmente às necessidades do condenado, com possibilidade e efetiva realização de serviços médicos contínuos, múltiplos atendimentos diários, sessões de fisioterapia e atividades físicas.
Segundo laudo da Polícia Federal, Bolsonaro apresenta hipertensão arterial sistêmica, síndrome da apneia obstrutiva do sono grave, obesidade clínica, aterosclerose sistêmica, doença do refluxo gastroesofágico, queratose actínica e aderências intra-abdominais.
De acordo com o ministro, as comorbidades não justificam, neste momento, transferência para cuidados hospitalares, embora reconheça que o ex-presidente possui quadro clínico de alta complexidade, com múltiplas doenças crônicas.
(Com informações da Polícia Militar do Distrito Federal)





