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Vírus Nipah acende alerta na Ásia e entra no radar da OMS pelo alto potencial letal

Vírus Nipah Obemdito
Morcego indiano do gênero Pteropus, principal hospedeiro natural do vírus Nipah (DEPOSITHPHOTOS)
Vírus Nipah acende alerta na Ásia e entra no radar da OMS pelo alto potencial letal
Leonardo Revesso - OBemdito
Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 16h30 - Modificado em 29 de janeiro de 2026 às 16h30

Autoridades de saúde da Ásia intensificaram nas últimas semanas a vigilância contra o vírus Nipah, patógeno raro, altamente letal e sem tratamento ou vacina disponíveis. A doença voltou a preocupar após novos registros na Índia, levando a Organização Mundial da Saúde (OMS) a reforçar o monitoramento internacional e a classificação do vírus como uma das principais ameaças emergentes à saúde global.

Identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto na Malásia, o Nipah é um vírus zoonótico, ou seja, transmitido de animais para humanos. Ele pertence à família Paramyxoviridae e pode provocar quadros que vão de infecções leves a encefalite grave, condição caracterizada por inflamação do cérebro e frequentemente fatal.

Morcegos são principais reservatórios do Nipah

O principal reservatório natural do vírus Nipah são morcegos frugívoros do gênero Pteropus, comuns em diversas regiões da Ásia. Esses animais carregam o vírus sem apresentar sintomas e o eliminam por meio de saliva, urina e fezes, contaminando frutas, água e superfícies.

A transmissão para humanos ocorre, em geral, pelo consumo de alimentos contaminados, como frutas ou seiva de palmeiras, ou pelo contato direto com animais infectados, como porcos.

Em alguns surtos registrados, houve também transmissão de pessoa para pessoa, especialmente entre familiares e profissionais de saúde que tiveram contato próximo com pacientes infectados sem o uso adequado de equipamentos de proteção.

Transmissão do vírus

Esse tipo de transmissão preocupa autoridades sanitárias, embora, até o momento, o Nipah não apresente a mesma facilidade de disseminação de vírus respiratórios altamente contagiosos.

O período de incubação pode variar entre quatro e 14 dias, mas há relatos de casos em que os sintomas surgiram até 45 dias após a exposição. Os primeiros sinais costumam ser inespecíficos, como febre, dor de cabeça, dores musculares, náusea e mal-estar geral.

Com a progressão da doença, o paciente pode apresentar dificuldade respiratória, confusão mental, convulsões e coma.

Taxa de letalidade do Nepah

A taxa de letalidade do vírus Nepah é considerada elevada. Em surtos anteriores, variou de 40% a 75%, dependendo do acesso a cuidados médicos e da rapidez no diagnóstico. Não há, até o momento, tratamento antiviral específico nem vacina aprovada, e o atendimento se baseia apenas em suporte clínico intensivo para aliviar sintomas e tentar evitar complicações.

O alerta recente ocorreu após a confirmação de novos casos no estado indiano de Kerala, região que já havia enfrentado surtos anteriores. Países vizinhos reforçaram medidas de controle em aeroportos e fronteiras, incluindo triagem de passageiros com sintomas compatíveis com a doença.

Risco da pandemia global

Apesar da gravidade, especialistas avaliam que o risco de o Nipah se transformar em uma pandemia global é baixo, sobretudo porque o vírus exige contato próximo para transmissão e não se espalha com facilidade pelo ar, como ocorreu com o coronavírus responsável pela Covid-19.

Ainda assim, a OMS mantém o patógeno sob vigilância constante devido à combinação de alta letalidade e ausência de ferramentas eficazes de prevenção.

Situação do Nipah no Brasil

No Brasil, o risco de circulação do vírus Nipah é considerado remoto. A doença nunca foi registrada no país, e não há evidências de transmissão sustentada fora do Sul e Sudeste da Ásia. Para que o Nipah chegasse ao território brasileiro, seria necessário um caso importado durante o período de incubação, seguido de falhas na identificação e no isolamento do paciente.

Infectologistas destacam que, após a experiência da pandemia de Covid-19, os sistemas de vigilância epidemiológica estão mais preparados para identificar rapidamente doenças emergentes.

Todavia, o avanço de vírus zoonóticos reforça a preocupação de especialistas com a intensificação do contato entre humanos e animais silvestres, impulsionada por desmatamento, urbanização e mudanças climáticas.

deposithphotos

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