Das redes de Umuarama para o Brasil: Rafaella Bueno cresce como promessa do vôlei
A história recente do esporte brasileiro mostra que o vôlei se construiu como uma potência silenciosa e menos estridente que o futebol, porém igualmente vitoriosa. Desde Barcelona-92, quando a “Geração de Prata” elevou o patamar do vôlei masculino, até os ouros olímpicos e o domínio no vôlei de praia, o Brasil aprendeu a formar talentos com método, paciência e paixão. Hoje, essa tradição segue viva nas categorias de base, onde surgem as próximas protagonistas do esporte.
É nesse caminho que avança Rafaella Alegre Pieszko Bueno, de 14 anos, ponteira de 1,81m, biotipo que parece desenhado para a rede. Com raízes na região de Umuarama, Rafaella carrega também a origem de sua família. Sua mãe, Silvania Alegre Bueno, que a acompanha nessa trajetória, é natural de Cruzeiro do Oeste, reforçando o vínculo da atleta com a região.
Da escolinha ao alto rendimento
O primeiro contato com o vôlei veio cedo, quase por acaso. Enquanto acompanhava o irmão em uma escolinha de futebol em São Paulo, onde a família morou por um tempo, Rafaella conheceu o projeto de base do Bradesco. “Eu não queria muito no começo. Foi minha mãe que me incentivou. Depois eu me apaixonei”, contou.
A família voltou para Umuarama em 2023, e foi na região que sua carreira ganhou ritmo competitivo. Sem um calendário local forte de vôlei, Rafaella passou a atuar por Tamboara (PR), disputando campeonatos estaduais. Foi em um torneio regional que chamou a atenção do Authentic Vôlei, sendo convidada para a Taça Paraná 2024, em Curitiba. A competição é considerado o maior torneio de base da América Latina. Ali, foi campeã da Série Bronze.

O desempenho na Taça Paraná 2024, aliado à rede de contatos e indicações entre treinadores, chamou a atenção de Maria Bethânia Silva Melo, fundadora do tradicional projeto Meninas de Ouro, de Araxá e Sacramento (MG), que a convidou para integrar a equipe no início de 2025.
O peso de um projeto histórico
Criado em 1997 e consolidado em 2018 com apoio da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) via Lei de Incentivo ao Esporte, o Meninas de Ouro é referência na formação do vôlei feminino em Minas Gerais. O projeto atende meninas de 7 a 16 anos, combinando alto rendimento com formação humana.
“Desde 2018, essa parceria vem proporcionando essa prática mágica que é o voleibol. Por meio do esporte mudamos a vida das crianças”, destaca Maria Bethânia.

O impacto do projeto é visível, de lá saiu Camila Brait, líbero medalhista de prata em Tóquio-2020. Para Rafaella, treinar no mesmo ambiente de uma olímpica é inspiração e responsabilidade.
Resultados e próximos passos
Desde que chegou ao Meninas de Ouro, Rafaella já acumula conquistas:
- Campeã regional Sub-16 e Sub-17
- Vice-campeã Sub-15
- Vice-campeã da Copa Minas (nacional) – Sub-16
Capitã das equipes Sub-15 e Sub-16, ela define o próprio estilo com a palavra competitividade. “Eu gosto dos desafios. Não aceito perder.”
Agora, Rafaella se prepara para a segunda e última fase da seletiva da Seleção Paranaense Sub-16, entre 26 e 30 de janeiro, em Guarapuava (PR).
Referências e sonhos
Entre suas inspirações estão Gabi Guimarães e a própria Camila Brait, que é símbolo vivo do que o Meninas de Ouro pode produzir. Rafaella também cresceu assistindo jogos em Osasco, quando a cidade ainda abrigava grandes equipes do vôlei feminino.
“Estar em quadra com minhas amigas é o que eu mais gosto. E, claro, eu sonho em chegar à Seleção Brasileira”, afirma, com a convicção típica de quem ainda tem muitos saltos e muitos ataques pela frente.






