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Das redes de Umuarama para o Brasil: Rafaella Bueno cresce como promessa do vôlei

Das redes de Umuarama para o Brasil: Rafaella Bueno cresce como promessa do vôlei
Rudson de Souza - OBemdito
Publicado em 25 de janeiro de 2026 às 16h54 - Modificado em 26 de janeiro de 2026 às 07h12

A história recente do esporte brasileiro mostra que o vôlei se construiu como uma potência silenciosa e menos estridente que o futebol, porém igualmente vitoriosa. Desde Barcelona-92, quando a “Geração de Prata” elevou o patamar do vôlei masculino, até os ouros olímpicos e o domínio no vôlei de praia, o Brasil aprendeu a formar talentos com método, paciência e paixão. Hoje, essa tradição segue viva nas categorias de base, onde surgem as próximas protagonistas do esporte.

É nesse caminho que avança Rafaella Alegre Pieszko Bueno, de 14 anos, ponteira de 1,81m, biotipo que parece desenhado para a rede. Com raízes na região de Umuarama, Rafaella carrega também a origem de sua família. Sua mãe, Silvania Alegre Bueno, que a acompanha nessa trajetória, é natural de Cruzeiro do Oeste, reforçando o vínculo da atleta com a região.

Da escolinha ao alto rendimento

O primeiro contato com o vôlei veio cedo, quase por acaso. Enquanto acompanhava o irmão em uma escolinha de futebol em São Paulo, onde a família morou por um tempo, Rafaella conheceu o projeto de base do Bradesco. “Eu não queria muito no começo. Foi minha mãe que me incentivou. Depois eu me apaixonei”, contou.

A família voltou para Umuarama em 2023, e foi na região que sua carreira ganhou ritmo competitivo. Sem um calendário local forte de vôlei, Rafaella passou a atuar por Tamboara (PR), disputando campeonatos estaduais. Foi em um torneio regional que chamou a atenção do Authentic Vôlei, sendo convidada para a Taça Paraná 2024, em Curitiba. A competição é considerado o maior torneio de base da América Latina. Ali, foi campeã da Série Bronze.

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Rafaella Alegre, 14, ponteira de 1,81 m, integra o projeto Meninas de Ouro e desponta como uma das promessas do vôlei feminino brasileiro (Foto Danilo Martins/OBemdito)

O desempenho na Taça Paraná 2024, aliado à rede de contatos e indicações entre treinadores, chamou a atenção de Maria Bethânia Silva Melo, fundadora do tradicional projeto Meninas de Ouro, de Araxá e Sacramento (MG), que a convidou para integrar a equipe no início de 2025.

O peso de um projeto histórico

Criado em 1997 e consolidado em 2018 com apoio da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) via Lei de Incentivo ao Esporte, o Meninas de Ouro é referência na formação do vôlei feminino em Minas Gerais. O projeto atende meninas de 7 a 16 anos, combinando alto rendimento com formação humana.

“Desde 2018, essa parceria vem proporcionando essa prática mágica que é o voleibol. Por meio do esporte mudamos a vida das crianças”, destaca Maria Bethânia.

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Com passagens pelo Paraná e, agora, por Minas Gerais, Rafaella Alegre constrói trajetória que reflete a força da base do vôlei nacional (Foto Danilo Martins/OBemdito)

O impacto do projeto é visível, de lá saiu Camila Brait, líbero medalhista de prata em Tóquio-2020. Para Rafaella, treinar no mesmo ambiente de uma olímpica é inspiração e responsabilidade.

Resultados e próximos passos

Desde que chegou ao Meninas de Ouro, Rafaella já acumula conquistas:

  • Campeã regional Sub-16 e Sub-17
  • Vice-campeã Sub-15
  • Vice-campeã da Copa Minas (nacional) – Sub-16

Capitã das equipes Sub-15 e Sub-16, ela define o próprio estilo com a palavra competitividade. “Eu gosto dos desafios. Não aceito perder.”

Agora, Rafaella se prepara para a segunda e última fase da seletiva da Seleção Paranaense Sub-16, entre 26 e 30 de janeiro, em Guarapuava (PR).

Referências e sonhos

Entre suas inspirações estão Gabi Guimarães e a própria Camila Brait, que é símbolo vivo do que o Meninas de Ouro pode produzir. Rafaella também cresceu assistindo jogos em Osasco, quando a cidade ainda abrigava grandes equipes do vôlei feminino.

“Estar em quadra com minhas amigas é o que eu mais gosto. E, claro, eu sonho em chegar à Seleção Brasileira”, afirma, com a convicção típica de quem ainda tem muitos saltos e muitos ataques pela frente.

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Do interior do Paraná às quadras de Minas, Rafaella Alegre representa a nova geração do vôlei brasileiro (Foto Danilo Martins/OBemdito)

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