Quando ainda ninguém nem sonhava com os edifícios gigantes de hoje…
Quando ainda nem se sonhava com prédios de 30 andares ou mais em Umuarama, o surgimento de humildes sobrados construídos de madeira de peroba causava admiração nos primeiros moradores da nova cidade que estava em fase inicial de urbanização.
Afinal, nos primeiros dez anos as edificações eram residenciais – imóveis pequenos ou médios – e comerciais – todos térreos. E ambos os segmentos usavam madeiras, ainda não havia a atividade da construção em materiais como cimento e tijolos.
E os serviços eram executados por grupos de carpinteiros e pedreiros. Eram centenas de equipes que atuavam nesses trabalhos. As construtoras começaram a surgir bem depois, quando teve início a fase de construir imóveis de alvenaria, seja residências ou para comércio, adotando a técnica de erguer paredes e estruturas usando tijolos, blocos de concreto ou pedras unidos por argamassa (mistura de cimento, cal e areia).
Mas vamos nos reportar à época dominada pela madeira, principalmente a peroba. De repente, empresários decididos a investir alto em construções surgiram e começaram obras maiores que as que existiam. Na verdade, eram sobrados – com um andar térreo e um andar superior. Outro era só térreo, mas era de longa extensão e ocupava vários terrenos.
O “Sobradinho” da Colonizadora
Antes mesmo da fundação da cidade, em 1955, a colonizadora Cia Melhoramentos construiu um sobradinho de madeira de peroba, situado ao redor do redondo onde depois seria edificada a primeira rodoviária e a primeira praça (hoje Arthur Thomas). Com um andar térreo e apenas outro superior, ele funcionou como o escritório central de vendas de terras na zona rural e terrenos urbanos da colonizadora.
Embaixo tinha uma sala de recepção e outra maior com funcionários que mostravam mapas das áreas à venda aos interessados em adquirir os imóveis. No fundo havia uma sala com arquivos e uma cantina onde era preparado o café para brindar os visitantes.
No alto havia salas ocupadas pela gerência e funcionários onde aconteciam reuniões com os compradores de terras, aos quais eram transmitidos todos os detalhes dos negócios e da estrutura da colonização. Para chegar lá todos subiam uma longa escada de madeira.
O “Sobradinho”, como ficou conhecido, era um ponto hiper movimentado pois era frequentado por multidões de compradores que vinham de todos os lugares para investir na nova cidade que nascia, tanto na área urbana como na zona rural e participar da atividade agrícola que movimentava a economia brasileira da época, a cafeicultura – plantio e cultivo de cafeeiros -, que acabou virando um estrondoso sucesso e transformou Umuarama numa das maiores produtoras de café do Paraná, estado que encabeçou durante décadas o plantio e a produção de café que era exportado para todo o Brasil e o exterior.
Então, podemos dizer que historicamente esse imóvel foi o primeiro “edifício” da cidade.

Um grande hotel no coração da cidade
Outra construção que é impossível deixar de citar é o Roxy Hotel, pois ele era realmente “gigante” se comparado com as construções que existiam e as novas que estavam surgindo.
Esse era um “sobradão”, também feito inteiramente de madeira, peroba, e a sua construção exigiu a formação de um numeroso grupo de carpinteiros pois a obra era realmente portentosa e, com poucos operários, sua edificação iria demorar muito tempo para ser concluída. E os investidores tinham pressa em iniciar as atividades pois a clientela era imensa e fazia parte daquela “multidão” que vinha à Umuarama à procura de espaço para atuar na cafeicultura. Essa movimentação também era altamente lucrativa para o setor de hotelaria.
No térreo, o Roxy Hotel possuía a recepção aos viajantes onde faziam suas reservas de quartos. Estes eram distribuídos uma parte no andar térreo, divididos à direita e à esquerda e ligados por corredores; a outra, no andar, superior também seguia esse formato, mas o número de quartos era maior. Logo depois do balcão de atendimento no térreo, havia um pequeno espaço com cadeiras onde ficavam os hóspedes se preparando para sair pela cidade. Na área do fundo do hotel, havia um pequeno restaurante, mas a maioria dos visitantes almoçavam e jantavam nos restaurantes da cidade. O hotel funcionou até o começo da década de 1970…

O hospital pioneiro era extenso, situado na rua Dr. Camargo
O Hospital Umuarama foi a primeira casa de saúde da cidade e atuou durante mais de 50 anos, encerrando suas atividades há pouco tempo. Atendia pacientes tanto da Capital da Amizade como das inúmeras cidades vizinhas a Umuarama.
O empreendimento hospitalar foi fundado pelo médico Germano Norberto Rudner, nome célebre na história da Medicina no interior paranaense. Ele formou uma numerosa equipe de médicos e enfermeiros, todos pioneiros dessas atividades aqui no Noroeste paranaense. Para a época, o hospital era bem equipado, mas com o passar dos anos os investimentos em aparelhos cirúrgicos e enfermarias foram aumentando e se modernizou acompanhando o desenvolvimento regional, confirmando-se como um dos maiores hospitais do interior do Paraná.
Ele foi edificado na Rua Dr. Camargo logo depois da fundação da cidade. Era uma longa construção, no início todo de madeira, ocupando uma extensão de meio quarteirão. Depois foi completamente reconstruído de alvenaria acompanhando a modernização e atualização da construção civil.
Esses são os três personagens da construção civil que marcaram a primeira fase desenvolvimentista pós-fundação da nova Umuarama.

(ITALO FÁBIO CASCIOLA, Especial para OBEMDITO)





