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Fazenda segue ocupada em Xambrê enquanto proprietários buscam reintegração

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Cerca de 250 pessoas permanecem na Fazenda Santa Fé desde sábado (27) (Foto Colaboração/OBemdito)
Fazenda segue ocupada em Xambrê enquanto proprietários buscam reintegração
Rudson de Souza - OBemdito
Publicado em 29 de dezembro de 2025 às 10h35 - Modificado em 29 de dezembro de 2025 às 11h43

A Fazenda Santa Fé, localizada na Estrada Copacabana, em Xambrê (a 23 quilômetros de Umuarama), continuava ocupada na manhã desta segunda-feira (29), segundo informou a Polícia Militar do Paraná. De acordo com a corporação, os responsáveis pela propriedade buscam, por meios judiciais, uma ordem de reintegração de posse, enquanto equipes policiais permanecem mobilizadas para acompanhar os desdobramentos e evitar confrontos.

Ainda conforme a atualização da PM, há diálogo permanente com os administradores da fazenda e com representantes legais do grupo que ocupa o local. As famílias que residem e trabalham na propriedade seguem mantendo suas atividades rotineiras normalmente, sem qualquer impedimento até o momento.

A ocupação teve início por volta das 13h do último sábado (27), quando cerca de 250 pessoas entraram na área rural. O grupo se identificou como integrante da Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL) e do Movimento de Terra e Alimento. A Fazenda Santa Fé possui área total de 942 hectares.

Em pronunciamento oficial divulgado ainda na noite de sábado, a Polícia Militar informou que representantes do movimento alegaram possuir autorização do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para ocupar a área, sob o argumento de que as terras seriam da União. No entanto, segundo a corporação, nenhum documento foi apresentado até o momento que comprove a autorização.

Durante as primeiras tratativas, equipes do 25º Batalhão da Polícia Militar, com sede em Umuarama, atuaram na mediação da situação. Os policiais acompanharam a retirada orientada das famílias que trabalham na fazenda, além da remoção de bens e materiais de valor, com o objetivo de preservar a integridade física das pessoas envolvidas.

O comandante do 25º BPM, tenente-coronel Claudio Longo, afirmou que a Polícia Militar aguarda a apresentação de eventual autorização judicial. “Eles alegam que existe uma autorização judicial com base em uma suposta desapropriação feita pelo Incra. Isso ainda está sendo checado”, declarou.

O acesso à Fazenda Santa Fé permanece fechado e controlado pelas forças de segurança. A Polícia Militar informou que seguirá no local nos próximos dias para garantir a ordem e a tranquilidade até que haja definição por parte dos órgãos competentes.

FAEP cobra reintegração imediata

O Sistema Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) manifestou repúdio à ocupação da Fazenda Santa Fé. Em nota, a entidade classificou a invasão como ilegal e afirmou que o episódio aumenta a sensação de insegurança no meio rural.

O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, solicitou apoio ao secretário estadual de Segurança Pública, coronel Hudson Leôncio Teixeira, para a imediata reintegração de posse da área. Segundo a entidade, desde a ocupação, o acesso à fazenda permanece sob controle da Polícia Militar.

Para Meneguette, a invasão de propriedades produtivas e privadas afronta o Estado de Direito e compromete a produção agropecuária. “Não vamos aceitar que grupos organizados desrespeitem a lei e coloquem em risco a segurança dos nossos produtores rurais”, afirmou.

O dirigente também destacou que ações desse tipo desestimulam investimentos no campo. “O meio rural não pode estar atrelado a práticas ilegais e coercitivas. Essas ações enfraquecem as instituições, prejudicam políticas públicas e ameaçam a segurança jurídica, um risco grave para o desenvolvimento do setor agropecuário”, disse.

O Sistema FAEP informou que segue acompanhando o caso e prestando suporte aos proprietários da fazenda por meio do Sindicato Rural de Umuarama, além de cobrar a rápida adoção de medidas legais para a desocupação da área.

Até o fechamento desta reportagem, não havia confirmação oficial de autorização judicial ou decisão administrativa que justificasse a ocupação da propriedade rural. 

OBemdito também está em contato com os advogados que representam o grupo e com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Assim que houver um posicionamento deles, essa reportagem será atualizada.

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