Foto: Danilo Martins/OBemdito
Uma convocação para uma paralisação nacional de caminhoneiros voltou a circular nesta semana e reacendeu o debate sobre mobilizações em rodovias do país. O chamado ganhou força nas redes sociais, sobretudo após vídeos publicados pelo desembargador aposentado Sebastião Coelho. Apesar disso, a adesão ao movimento permanece incerta e divide a categoria, que teme o uso político da proposta.
O vídeo mais disseminado foi divulgado na terça-feira (2). Nele, Sebastião Coelho aparece ao lado de um representante do transporte rodoviário e pede apoio para uma paralisação nacional marcada para esta quinta-feira (4). Entretanto, ele não apresenta uma pauta clara de reivindicações trabalhistas. Dessa forma, a falta de transparência aumentou a desconfiança entre motoristas e sindicatos.
Em Umuarama, o cenário também é indefinido. Apesar de rumores sobre atos na região, não há sinais concretos de que a paralisação deve ocorrer. OBemdito entrou em contato com quatro transportadoras da cidade.
Todas disseram que tomaram conhecimento do movimento apenas por redes sociais e notícias na imprensa. Além disso, nenhuma delas pretende aderir à paralisação, e todas confirmaram que as operações seguem normais nesta quinta-feira.
A reportagem também procurou a assessoria de imprensa da Cnta (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos). Em nota, a entidade afirmou:
“A Cnta representa integralmente os caminhoneiros autônomos em todo o país, por meio dos seus sindicatos e federações filiados, distribuídos em todos os estados. Até o momento, não temos notícias de que nenhuma dessas entidades convocou assembleias, deliberou sobre paralisações ou nos comunicou qualquer movimento organizado nesse sentido. Portanto, não há, neste momento, nenhuma mobilização dentro do sistema sindical da Cnta que remeta à paralisação da categoria”.
OBemdito buscou contato com o Sintrau, o sindicato dos trabalhadores do setor em Umuarama, mas as ligações não foram atendidas. Assim, se houver algum ato na cidade, ele deverá partir exclusivamente de motoristas independentes. No entanto, não há informações que confirmem essa possibilidade.
A indefinição sobre os objetivos da convocação é justamente o ponto que mais preocupa caminhoneiros. Muitos alertam que movimentos sem pauta clara podem desgastar ainda mais a categoria, especialmente após paralisações anteriores que não resultaram em melhorias concretas. Além disso, lideranças defendem que qualquer mobilização precisa ocorrer de forma organizada, transparente e sem exploração político-partidária.
Com isso, a convocação desta semana expõe novamente a fragilidade de iniciativas que não passam pelos canais formais do setor e evidencia o desconforto crescente entre trabalhadores do transporte rodoviário.
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