Marilza, fundadora da Escola de Samba Unidos da Vila Tiradentes, com a filha Yara e a neta Maryana (Foto: Assessoria PMU)
A pauta da consciência negra, antes restrita a poucas vozes, vem ganhando força e profundidade na sociedade brasileira. Umuarama procura acompanhar essa tendência.
Aqui, esse avanço é visível: lideranças, educadores, coletivos culturais e entidades comunitárias têm ampliado o debate, ocupando espaços, organizando eventos e criando oportunidades de reflexão sobre identidade, história e pertencimento.
A cada roda de conversa, palestra ou oficina, mais pessoas compreendem que discutir o papel da população negra no Brasil não é uma agenda de nicho — é um compromisso civilizatório. Nesta semana, participei de dois encontros que sintetizam esse momento de expansão.
O primeiro foi uma roda de conversa sobre a importância das tradições afro-brasileiras para a sociedade, promovida pela Fundação Cultural e CUCA (Centro Umbandista Caboclo Aymoré).
Professores, gestores e coordenadores de entidades que atuam no setor conduziram um diálogo maduro, revelador e profundamente necessário. Foi motivador e inspirador!
Na roda de conversa, falou-se sobre ancestralidade, educação antirracista, apagamentos históricos e sobre a potência do legado africano que molda nossa língua, nossa música, nossa fé, nossos gestos, nossa culinária e nossa visão de mundo.
Considerei um debate que não apenas ensinou, mas despertou consciência, ou seja, atingiu o objetivo. Entre os profissionais convidados, estavam advogado, professor e pesquisador respaldando o debate com dados.
Entre os mais estarrecedores colocados na roda foi o que já se sabe, mas nunca deixa de doer: o Brasil foi o país do mundo que mais trouxe negros na condição de escravizados da África e o que mais tempo manteve a escravidão [400 anos].
E nesse brutal tráfico negreiro, estima-se que sequestraram dez milhões de negros, sendo que metade teria morrido nos navios [e nem precisamos lembrar aqui as condições em que eram transportados: igual ou pior que bichos].
Na plateia estavam aproximadamente 80 pessoas; um número ridículo, penso eu, para uma cidade de 100 mil habitantes, mas, pensando bem, um bom número, considerando que a cidade ainda está engatinhando nesta jornada, a de reconhecer a importância das tradições afro-brasileiras na nossa identidade.
E os debates continuaram. O segundo encontro, organizado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Umuarama, com mulheres que estão na linha de frente de órgãos e ongs empenhados em combater o feminicídio e a valorizar a mulher, teve outro tom, mas a mesma essência de resistência e afirmação.
Na véspera do Dia da Consciência Negra, o objetivo foi reforçar a urgência de combater o racismo estrutural e o sexismo que se entrelaçam na vida das mulheres negras, tornando-as as mais afetadas pelas diversas formas de violência.
A discussão sobre a escola de samba da cidade e a luta incansável para mantê-la viva foi o eixo temático. As convidadas de destaque foram Marilza Quintino, fundadora da Escola de Samba Unidos da Vila Tiradentes, de Umuarama, a filha Yara e a neta Maryana.
Marilza destacou que entre desafios financeiros, falta de apoio e a batalha diária para preservar uma tradição centenária, o samba local resiste graças ao empenho de quem acredita em sua força cultural.
Concluiu-se que, por aqui, se o samba — expressão afro-brasileira por excelência — pulsa apesar das dificuldades, é porque há em Umuarama pessoas que se negam a permitir que essa chama se apague.
Ao final, todas dançaram ao som de ‘Não deixe o samba morrer’, na voz da maravilhosa Alcione.
Nos dois espaços que tive o prazer de participar, a mensagem foi clara: consciência negra é política, é cultura, é educação — e é urgência.
São movimentos como esses que constroem pontes, quebram estereótipos, derrubam preconceitos e ampliam horizontes. A cidade evolui quando reconhece a pluralidade de sua própria história e quando acolhe debates importantes como estes.
A militância cresce. As vozes se multiplicam. E Umuarama, com todas as suas singularidades, faz parte desse despertar coletivo. Participar desses diálogos é testemunhar a construção de um futuro mais justo, mais consciente e mais bonito — como deve ser a sociedade que deseja honrar todas as cores que a formam.
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