Umuarama

Maria de Fátima e a vocação em cuidar de quem mais precisa

Bartolomeu é um gato serelepe, exigente com a comida e que foi adotado pela técnica em enfermagem Maria de Fátima, depois que uma sobrinha postou que estava à procura de um lar para o felino, porque ele ameaçava a vida das calopsitas dela.

A história contada pela tutora divertiu, por dez minutos, pacientes que estavam na enfermaria do SUS no hospital Nossa Senhora Aparecida, em Umuarama.

O jeito descontraído contrasta com o perfil profissional, de quem tem 15 anos de experiência no cuidado com pacientes e que sabe unir a humanização à técnica.

Maria de Fátima, que mora no bairro 1º de Maio com um filho e um neto, tinha o sonho de ser enfermeira. O desejo nasceu quando ela começou a trabalhar em outro hospital da cidade, no setor de cozinha.

Na sequência mudou de trabalho e foi para Nossa Senhora, onde começou como zeladora. “Eu via aquelas enfermeiras, passando de branco, sempre na correria, e tinha o sonho de me tornar enfermeira também”, relembra.

Neste trabalho de zeladora, conheceu Bernadete Delmonaco Avelar, professora do curso técnico em enfermagem do Colégio Hilda Kamal, em Umuarama.

“Ela me falou: porque você não faz o curso? Eu disse que não tinha segundo grau, mas aí ela explicou que nos três anos eu faria as duas coisas juntas. E eu fui”, diz.

Foram três anos muito difíceis, mas que a levaram ao ‘seu lugar no mundo’. Logo que terminou o curso começou a atuar na equipe de enfermagem do Nossa Senhora e tão já conquistou os corações dos pacientes – e eles o dela.

“Sempre com carinho, sempre com amor, com bom-humor. Nós temos que cuidar das pessoas. Eu sempre digo que se me tirarem daqui podem me enterrar no cemitério, porque eu não vivo sem trabalhar. Eu fico doente se não puder vir aqui para o hospital”.

MEMÓRIAS

Um dos pacientes que foram (muito bem) cuidados por Maria de Fátima e a equipe do Nossa Senhora, foi um homem que sofreu acidente de trânsito.

Ele ficou tetraplégico e por essa razão precisou de atendimento. Como ficou muito tempo com a boca aberta, desenvolveu a miíase (uma infecção de pele causada pela presença de larvas de moscas).

“Eu tirei 17 dele, me lembro até hoje. Aquilo me marcou demais, eu chorei muito”. Por outro lado, recentemente, ela viu o paciente – que não a reconheceu. “Ele estava ótimo, bonito e forte”, comemora.

RECONHECIMENTO

Bombom, perfumaria, artesanato. Estes foram alguns dos presentes que pacientes recuperados deram à técnica de enfermagem ao logo dos 15 anos de trabalho.

“Ah, para mim a maior satisfação é a recuperação do paciente”.

Aline Reis

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