Rudson de Souza Publisher do OBemdito

Incra inicia cadastro nacional de famílias do MST em Umuarama para reforma agrária

Técnicos do Incra coletam dados no acampamento Benedito Gomes (Foto Danilo Martins/OBemdito)
Incra inicia cadastro nacional de famílias do MST em Umuarama para reforma agrária
Rudson de Souza - OBemdito
Publicado em 9 de outubro de 2025 às 17h26 - Modificado em 9 de outubro de 2025 às 22h13

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) iniciou o cadastramento das famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) instaladas em Umuarama. A ação, que começou no dia 7 de outubro, integra um levantamento nacional que busca identificar famílias acampadas em situação de vulnerabilidade social e incluí-las como candidatas ao Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA).

Desde o último dia 5 de junho, integrantes do MST estão acampados em uma área localizada na Estrada Divisora, próxima à Vila Três Placas e à divisa com Maria Helena. O acampamento, batizado de Benedito Gomes, ocupa uma propriedade de José Cosme Dionísio Ferreira, de 53 anos, membro do movimento que cultiva mandioca e milho no local há cerca de 12 anos.

O espaço, que abriga algumas dezenas de famílias, conta com uma estrutura básica: cozinha comunitária, barracos com energia elétrica e acesso à água. A convivência é marcada pela cooperação, os acampados se organizam na montagem das moradias e no preparo coletivo das refeições.

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De acordo com o INCRA, a estimativa é cadastrar cerca de 550 famílias em Umuarama. Os dados coletados, como identificação, número de integrantes e tempo de permanência, são inseridos na Plataforma de Governança Territorial, ferramenta que reúne informações sobre acampamentos em todo o país.

A ação é regulamentada pela Instrução Normativa nº 152/2025, que substituiu a IN nº 140/2023. Segundo o órgão, o cadastro não garante o direito imediato ao assentamento, mas é um passo essencial para que as famílias sejam reconhecidas formalmente e incluídas em programas sociais e de reforma agrária.

“O cadastramento tira essas famílias da invisibilidade e permite ao poder público planejar políticas específicas para o campo”, afirmou o Incra em nota.

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O processo em Umuarama é conduzido pela Superintendência Regional do Incra no Paraná, com previsão de conclusão até 10 de outubro de 2025. As informações levantadas servirão para orientar futuras ações do governo federal voltadas à regularização fundiária e à inclusão social no meio rural.

Segundo a definição da IN nº 152/2025, são consideradas famílias acampadas aquelas em situação de vulnerabilidade social, organizadas em movimentos que reivindicam acesso à terra e moradia, e inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais e no cadastro do Incra.

Com a retomada do levantamento em todo o país, o órgão busca atualizar o mapa dos acampamentos e subsidiar o planejamento da política agrária brasileira, uma medida que reforça o compromisso de reduzir a concentração de terras e ampliar o acesso de famílias à propriedade rural.

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